essa sina
de assassino
sem sucesso.
Sabe,
tinha um sinal secreto,
Que a gente havia combinado
Pra fazer quando alguma coisa
Desse errado e
A dor tivesse afogado o prazer.
E o ar tivesse todo ido embora,
As lágrimas secado,
O poço tivesse ficado vazio,
A vida restado abandonada,
Vazia de sentido.
Muitas esquinas, meu amor.
Mas o que há de possível na existência de deus
Está em eu poder te dizer com os olhos e as mãos abertas
Mais uma vez
SEJA BEM VINDA.
Só quando fosse possível derramar esse pote cheio
Esse que carrega as águas que vem da chuva
De tantos anos no alpendre da casa
Já se vê a marca na madeira seca.
Estará sempre lá
E quebrado o costume de tantas gerações
Eu poderia te pedir sinceramente
Pra nunca mais te ver porque vou cansado
De sofrer longe e perto dos teus braços
Do teu olhar complacente e agora sabemos
Sinceramente preguiçoso.
Tudo poderia recomeçar,
Mas ainda assim seríamos os mesmos.
Portanto partir com algum senso de beleza
E a posse de alguma dignidade sã
Que nossa loucura anda cansada dos nossos pés
Bom acordar longe dessa tua cama
Coberta de panos coloridos,
Que eu nunca vi, mas já sonhei tantas milhares de vezes.
Só pode ser a tua, compreendes, teu olhar...
Não esconde mais nada
Nilo Neto
Hoje
Superei todas as etapas do percurso tedioso do homem óbvio.
Terei finalmente adquirido a chave do meu cárcere indevido?
Paguei o inominável preço por cristalizar a inconformidade soterrada de tantos?
Não ter constituído família, não ter patrão, não ser consumista, não pagar impostos?
Não fingir que creio nas mentiras do sistema.
Não sorrir quando não acho graça, não comer quando não tenho fome.
Não gozar, se a mulher parecer um iogurte de morango, de tão artificialmente natural?
Tu, meu amigo, vítima costumeira da síndrome do sim,
Porque falas em diálogo,
Se nunca ouves meus tons sutis?
Eu sou
O que não podes instantaneamente consumir.
E despejar teu lixo.
E não pensar.
O incômodo de certa pedra no meio do caminho.