domingo, janeiro 13, 2008

não precisa se importar com a minha dor. ela é mesquinha, mentirosa, feito sujeira de umbigo.

e esse lugar aqui não é de verdade. aqui é o verdadeiro labirinto de espelhos. todos se vêem. ninguém vê o que realmente está escrito nas paredes por detrás.

se está escrito alguma coisa... se são apenas garatujas incompreensíveis da criança louca...

não precisa se preocupar com o poeta. olha pra tua dor, escrita no ar com a fumaça da vaidade dele. ou pro teu prazer, feito de sementes de abóbora escondidas nos quintais.

miríades de estrelas soluçantes, numa tarde sem sol de verão.

gato mordendo a cabeça do peixe.

bandeira de qualquer país murcha no mastro.

todos os gols que o avaí perdeu no último minuto.

a estranha morte do único poeta interessante dos trópicos ateus.

5 comentários:

Gabriela Galvão disse...

Sujeira d umbigo eh mt bom!!! Eca!!!

Anônimo disse...

quem se ocupa da dor alheia?

Anônimo disse...

"Não sei como me defender dessa ternura que cresce escondido e, de repente, salta para fora de mim, querendo atingir todo mundo. Tão inesperada quanto a vontade de ferir, e com o mesmo ímpeto, a mesma densidade. Mas é mais frustrante. Sempre encontro a quem magoar com uma palavra ou um gesto. Mas nunca alguém que eu possa acariciar os cabelos, apertar a mão ou deitar a cabeça no ombro. Sempre o mesmo círculo vicioso: da solidão nasce a ternura, da ternura frustrada a agressão, e da agressividade torna a surgir a solidão. Todos os dias o ciclo se repete, às vezes com mais rapidez, outras mais lentamente. E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre sede no fim."

Caio Fernando Abreu em "Limite Branco"

Acqua disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...

"O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós."
Jean-Paul Sartre