segunda-feira, abril 06, 2009

vem dançar na tempestade comigo?

eu tenho a chave do teu sorriso
escondida no bolso
da minha calça preferida
mas não sei bem aonde ela está

nossa história é feita desses vôos impossíveis
e tu sabes disso
e sempre me tivesses sem me ter
e eu filmei a minha mão no teu cabelo

cada segredo teu
que eu carrego sem saber
bruxa maldita

te amo mais que a vida

agora some, como tá no teu script
eterno retorno
então me explica porque eu sou tão teu
me explica o que eu faço
com tudo isso aqui represado

eu não quero solução
troco tudo por um segundo de plenitude
gosto desse teu jeito não possível

mas eu preciso ver além dos muros desses dias
eu to vestido de profeta hoje
eu tenho esse brilho, e não durmo com esse barulho
eu bebo e não mato a sede
hoje tu vais dançar com o zaratrusta
eu já não espero nada
mas eu tava preso na tua asa

me dá outro selo
um selo amarelo

hélio passa em sua carruagem dourada
todo dia
pela tua vida
atravessando o céu
você pega o trem azul, o sol na cabeça
o sol pega o trem azul, você na cabeça

tás derramando, eu sinto
tás cheia de graça
finalmente

que bom
ave maria
eu te engravidei de uma idéia
era isso que eu queria hoje

segunda-feira, março 16, 2009

nos piores dias
eu deixava a porta aberta.

hoje que a minha cara voltou a sentir o vento
tudo está diferente,
mas ela não aparece do mesmo jeito.

serei o mais leal amigo do verão?
ou mantenho meus pés sobre os tapetes velhos?

a descarga voltou a fluir.
os versos não estão mais boiando lá.

oba oba oba

segunda-feira, março 09, 2009

Só quando fosse possível derramar esse pote cheio

Esse que carrega as águas que vem da chuva

De tantos anos no alpendre da casa

Já se vê a marca na madeira seca.

Estará sempre lá


E quebrado o costume de tantas gerações

Eu poderia te pedir sinceramente

Pra nunca mais te ver porque vou cansado


De sofrer longe e perto dos teus braços

Do teu olhar complacente e agora sabemos

Sinceramente preguiçoso.

Tudo poderia recomeçar,

Mas ainda assim seríamos os mesmos.

Portanto partir com algum senso de beleza

E a posse de alguma dignidade sã

Que nossa loucura anda cansada dos nossos pés


Bom acordar longe dessa tua cama

Coberta de panos coloridos,

Que eu nunca vi, mas já sonhei tantas milhares de vezes.


Só pode ser a tua, compreendes, teu olhar...


Não esconde mais nada


Nilo Neto

domingo, novembro 16, 2008

encontra-se extraviado
um coração bandido.

a última vez foi encontrado
vagando leve
pela ilha dos ventos e amores.

quem o tiver visto,
favor avisar ao setor
de amados e perdidos,

nessa mesma cela
de tijolos coloridos,
chamada de vida,
pelos distraídos.

quinta-feira, outubro 23, 2008

te abraço com o calor do sol, em manhã fria

te abraço como um amigo que continua

que sonha ser alimento e nada mais

o trigo do moinho, o pão

o peixe compartilhado, o perdão

o vento que lembra o vôo e o segredo

a sombra que descansa a velha dor

a faca que corta o destino

o sorriso do menino na beira do rio

o desvario sem nome

toda a saudade que me consome

não chora, me abraça

que toda distância é fraca

te amo como colombo, ao ver as terras quentes do caribe

e sonhou com o paraíso perdido

e morreu ignorado e pleno

por saber que o mundo é maior que os sonhos

quinta-feira, outubro 02, 2008

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há em todo esse zumbido
um certo tom crepuscular
anímico, cataclísmico
sorumbático, enfático,
surreal
para além do bem e do mal,
pairamos todos sublimados
cansados, abismados,
conselheiros, somos nós
os desatadores de nós,
a geração que não acredita
mas também não propõe.
sem as ditas fórmulas,
nos liberta a gargalhada
da mulher amada.

domingo, setembro 28, 2008

abro meus braços pra te aninhar
deixo o sorriso bobo na fachada
tudo que eu não quero encontrar
vive passando na calçada

um dia a palhaça ficou quieta
viveu seu dia de um jeito estranho
um dia ela revelou a senha secreta
e minha alma ficou desse tamanho

agora quem está no circo sou eu
não faz mais sentido morar na casa
não quero mais ser um quer prometeu
hoje eu vou ser a tua outra asa

aprende que aqui terás sempre o sim
mesmo que o espelho te mostre outra
nesse longo baile de jardim
não há força que possa ser contra

nos amamos desde o primeiro segundo
percebemos logo o eterno e o infinito
agora nos resta ganhar o mundo
porque estamos perdidos no mesmo grito

terça-feira, setembro 23, 2008

sobrevivo, porque minha faina
é um ardil contra a certeza
dos que não se conseguem perceber
fazendo parte de nada.

e assim,
nesse auto imposto exílio,
permanecem ancorados
em pequenos delírios de encontros,
a beira de um poço seco,
aonde não se atiram mais desejos

sobrevivo por conta do desacordo
que estremece as pontes
entre a cidade morta
e o continente dos ventos vadios

sei que ainda respiro
quando me cobre o olhar uma asa partida,
alma cansada que como a minha
está mirando mas não vê o horizonte.

não, não cairei pela milésima vez
dessas falésias, na escuridão.
somente fixarei minha lança
no mais alto monte do segredo
e tudo permanecerá tão pálido
quanto sempre.

quarta-feira, agosto 20, 2008

eu estar comigo, muitas vezes me parece um desperdício.
nesses dias em que beijo o precipício, fica um gosto de ontem na boca.

eu estar comigo outras vezes não é divertido. mesmo que algo
faça sentido, toda flor um dia me sufoca e ri.

mas as poucas chances que eu tenho de não estar ali, são as que,
distraido da minha felicidade de estar contigo, sou feliz.

domingo, julho 27, 2008

o homem é verso,
submerso no estrago.

e o trago,
eu levo no canto escondido
do abrigo.

nada está perdido.
subversão.

o amor é diversão.
entrada secreta
do labirinto.

nem tudo
eu sinto.
escreva você.

me basta esquecer.

quinta-feira, julho 17, 2008

rara mente

as minhas amantes,

são fontes
inconstantes,
de prazeres distantes.

elas são inexistentes.
incapazes
de delícias arfantes,
antes.

galopes errantes,
por terras
e mentes,
as minhas amantes

são tão importantes,
que loucas sementes,
me fazem semear
em todos
os quadrantes.

secam-me as fontes.
desejo entre pontes.
as minhas amantes
alimentam levantes
no quartel de abrantes.

e fossem tão quentes,
deixassem os montes
floridos enfim,

suas lembranças
serão sempre
marcantes,

sonhando com elas
eu quero meu fim.

sábado, julho 05, 2008

Misteriosa Mulher que tanto amei

I

já não publico mais
teus magros ardis,
na folha da minha perdição.

eu e minha gota que falta,
pro desfecho da festa, por favor,
deixa em paz os passarinhos,
deixa em paz a mim,
que sou um pote
até aqui de mágoa.

decantado sofrimento,
construído com solas gastas,
de andar a esmo pela ilha.

mais a montanha de agulhas,
espetadas no teu nome,
nas paredes cobertas
de recados inúteis,
lá no sul de tudo.

II

vudu.
vácuo.
vacuum.

vai...

III

No fundo não passas
de uma menininha do interior,
jogando com tuas arminhas
tão frágeis.

no centro e na cidade
é tudo uns bocó.

Teu ego esmigalhado,
sempre precisando
de manutenção,
pobre menina:
cega, surda e muda.

não estaciona
no meu portão,
que eu vou entrar
com meu mavericão.


IV

era muito mais fácil
nunca ter abrido a porta,
não ter dado bola
pro vento sul,
não provar da tainha.

não deixar
a pomboca acesa.

terça-feira, julho 01, 2008

eu nasci assim...

que delícia te ouvir
eu te bebi pelo telefone
goles pequenos,
como um licor de romã

eu nunca tive quem
me enchesse
de palavras
plenas de vento

quem me desse linha
pra brilhar perto
das nuvens branquinhas
de maio

nuvens equatoriais,
como flores
no algodoeiro

vai ver
que eu sou
exigente demais

que sempre fico olhando pro guarda
e acabo atropelado

mas agora
que chegou
a banda larga,
tu me pescasses
nesse oceano de palavras,
e deixasses
eu te beber e gozar.

eu quero ser sempre teu.

sexta-feira, junho 27, 2008

fel

eu não preciso
da tua permissão,
eu quero
o que transborda,
o som que atravessa a parede,
o que brilha,
mesmo no mais fechado
buraco escuro.

quero o que a tua razão
não te permite ver.
o que o teu medo
não consegue segurar.

a palavra que escapa.
o meu olhar
te surpreendendo
a olhar pro lugar proibido.
a terra que ninguém
ouviu falar.

não quero a liberdade vigiada.
não pago preço nenhum.
eu sou o vento que te descabela
permanentemente.

até que tu desistas
de lutar contra.
e descubras o prazer
de não ser mais uma,
mas uma multidão
em ti mesma.

a tua intuição já sabe.
ela que te segura no precipício.
no mais respiro e tento
um dia mais propício.

quarta-feira, junho 25, 2008

é sobretudo o que eu jamais
vou compreender,
que se aloja no mais profundo
da minha lembrança vadia.

e toda a anestesia do mundo
não me arranca da consciência.
e eu percebo sem explicar,
que o tempo não existe.

ela é feita
da minha mais pura poesia.
e carrega seu arco pelas ruas
e atira flechas contra
todas as feiuras.
e me revela.

meu outro eu perfeito.

sim, sou eu que te abraço
mais uma vez,
olhos brilhando.
caminhando pelo labirinto.
amor?

segunda-feira, junho 09, 2008

As ondas da vida cotidiana
estão começando a bater
nas pedras do meu costão.

É sempre
o momento mais delicado do vôo,
o toque dos pneus no asfalto.

A reentrada na atmosfera.

O despertar do longo sono
sem sonhos
da anestesia geral.

Cresce a esperança?
Mastiga a vida,
último naco da carne dura,
sem dentes?

E agora, José?

domingo, maio 25, 2008

Não se pode obrigar, no amor.
Se estar comigo não te apetece.
A velha história se repete:
um lado sobe, o outro desce.

Mais uma vez um vazio que cansa.
Teu olhar não viu meu jardim secreto.
Retomar o desejo de uma dança,
até um dia avistar o leito repleto.

Fico daqui mirando, por onde poderia ter ido,
mas esse mundo dos "ses" é tão amplo,
que só de olhá-lo, teria desistido,
o mais bravo dos guerreiros poetas.

Vai com deus minha amiga,
que a felicidade te encontre e te molhe,
com sua chuva tão bem-vinda.

Eu daqui fico triste na beira do rio,
aguardando o barqueiro me buscar,
murcho mais uma vez
pelos amores não vividos
e por ser tão ruinzinho de rima.

quinta-feira, maio 08, 2008

se eu fosse mais burrão
não me irritava
daí não bebia
nem delirava
e daí achava uma burrona
e me casava
tinha 8 filhos
e me aposentava

segunda-feira, maio 05, 2008


eita vida estranha,
eita história maluca,
queria comer narizinho e
acabei ficando com a cuca.

domingo, abril 20, 2008

Requentado

Que balé é esse, senhorita?
Que passo em falso, que desdita.
Aprendemos afinal o que importa,
ou estaremos batendo na mesma porta?

Não peço um sentido, mas um ritmo,
nem mais, nem menos alucinado.
Algo que todo meu corpo perceba
e flua numa contra-dança sem pecado.

Para que as crianças possam ter sua ladeira,
a chuva não se preocupe com a goteira,
a vida seja levemente passageira,
descolada como um imã de geladeira.

segunda-feira, abril 14, 2008

simples como a linha do tempo

hoje foi um dia difícil de carregar.
rebelde, ele não fazia nenhum esforço pra passar.
hoje foi um dia em que o espaço entre as células
viraram quilômetros.
e ninguém passaria nos bafômetros,
caso houvesse mesmo uma estrada e uma pinga.

hoje foi um dia amargo,
morto no salto,
sem remendo que desse jeito.

hoje foi uma longa viagem
em má companhia,
uma saudade vadia,
que ia e vinha na minha vida,
sem rumo como eu.

foi como se o último limão
pra justificar o peixe,
estivesse sem sumo.

hoje foi um dia,
minha amiga, meu amor,
que reaprendi a velha lição do silêncio,
pra quando eu estiver irritado contigo,
ou sem entender teu movimento,
lembrar,
um pouco antes do suspiro e do sorriso,
o quanto tudo fica tão difícil,
no dia em que não tem teu beijo.

quarta-feira, março 26, 2008

Hoje


Superei todas as etapas do percurso tedioso do homem óbvio.

Terei finalmente adquirido a chave do meu cárcere indevido?

Paguei o inominável preço por cristalizar a inconformidade soterrada de tantos?

Não ter constituído família, não ter patrão, não ser consumista, não pagar impostos?

Não fingir que creio nas mentiras do sistema.

Não sorrir quando não acho graça, não comer quando não tenho fome.

Não gozar, se a mulher parecer um iogurte de morango, de tão artificialmente natural?

Tu, meu amigo, vítima costumeira da síndrome do sim,

Porque falas em diálogo,

Se nunca ouves meus tons sutis?


Eu sou

O que não podes instantaneamente consumir.

E despejar teu lixo.

E não pensar.

O incômodo de certa pedra no meio do caminho.

segunda-feira, março 24, 2008

Sintopéia

Cada calo em cem pezinhos.

Cada dor tem seus caminhos.


Eu só não sei te amar.


Encontrei minha pedra

impossível de ultrapassar.


Agora fico aqui procurando sombra.

Até que venha uma cidade me salvar.

terça-feira, março 11, 2008

Samba

(refrão)
Santo aflito, santo aflito,
sai desse muro
e embarca no conflito.

Não quero ser só dialético,
meu dilema é ético
e quem sabe estético.

A utopia anarquista,
cê tá mal das vista,
já foi superada,
olha o conteúdo.

No capitalismo selvagem,
mesmo estando à margem,
ninguém me não dá nada,
mas vende tudo.

Santo aflito, santo aflito,
sai desse muro
e embarca no conflito.

E veio a grana da empresa "Tanto Faz",
pra que olhar pra trás,
vamos para o futuro.

O samba tá mais firme e forte,
pra você dar o norte,
tem que sair do muro.

Solidários na competição,
essa é a intenção,
da nova galera,

Mas se você me ajudar
na cadeia alimentar,
Não vou ser uma fera.

Santo aflito, santo aflito,
sai desse muro
e embarca no conflito.

Santo aflito, santo aflito,
sai desse muro
e embarca no conflito.

Nilo Neto
(video maker e compositor de samba)

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Socorro

Estou sendo engolido
pelo poço de ódio.
A loucura!
A necessidade de ver
o sangue escorrer.

A sombra do empalador
está me tomando.
A raiva intestina.

O guerreiro furioso
que eu sou,
hoje despertou,
com imprecações
e danações eternas,
em seus lábios de gelo.

Chegou a hora da vingança!
Chegou a hora do sacrifício!

Tremei seres malditos,
que ousaram me importunar
com seus pequenos
infernos particulares

Dante não descreveria
a terrível cena
que breve se imporá,
ante o olhar fascinado
do monstro que existe em mim.

Sun Tzu, Maquiavel,
abençoem minha caminhada.

Amém.

sábado, fevereiro 23, 2008

minha língua de fogo
arrasta teu coração míope
pra beira do rio
e te faz lamber a sombra
das árvores menores
e as mais azuladas

minha língua de gato
e tem mais

toda terça sem sol,
às 9:22 da manhã
eu acendo uma vela
no meu pensamento
pra resgatar minha saudade
dar banhinho nela,
vestir uma roupa
e levar pra passear na praia.

é que eu sou um cara
essencialmente fofo, entende?

eu sou poeta.
gosto de dar nomes
pra coisas estranhas e invisíveis.
língua de trapo, língua ferina.
língua de feriado.

embrulha pra mim, por favor?
mas corta bem fininho, tá?
nossa, mas a senhora está muito bem Dona ...
e como vai o Seu ...
minhas condolências
mas ele era tão novo
quantos netos?
deus te abençoe minha filha
e te conserve sempre assim

tudo está girando pelo azul
eu sigo sonhando com teu blues
e nem mesmo fosse uma toada
branco sonho leve na calçada

meu ofício é ingrato iglu
vivo aos tombos se olho pra dentro
se te vejo e ouço, um dia perto
certo, vou gozar a vida sul.
flauta de pã
dionísio
todos os panteras negras
os mulheres negras
las madres de la plaza de mayo
os casamentos inter-raciais, interplanetários
aquele som do bauhaus nas madrugadas frias da ilha
qualquer primeiro beijo que não bata os dentes
tortinha de maçã daquela lanchonete famosa
(ih, agora me entreguei)
o vôo das gaivotas no mar quando amanhece
fechar um com uma folha do código penal
É com essa lata de spray
marca paracelso
que eu insisto em usar
nos muros da cidade moribunda
minha poesia alquímica
mandragorina, lajotas de letras
em cores opacas

oblíquos olhares
tentam decifrar
minha alentada fórmula
do elixir da vida
mas suas cabeças tortas,
suas vidas astutas,
não percebem nunca.

mais um falatório
rumo ao inútil,
tão sutil
não sentido da vista.
muro feito de mim
e minhas cicatrizes.

sábado, fevereiro 16, 2008

minha vida
é uma casca de ferida
que eu insisto
em cutucar.

a tua,
não tem saída,
mesmo se fosses a preferida
do sultão de kandaar

ardida
urdida
nos estranhos tecidos
do verbo amar.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

ando seco.
a pena esturricou.

o coração fechado
pra balanço
do barco.

um caco
de telha
sem uso.

intruso,
em meu próprio
castelo de espelhos.

todos os que percebo,
todas as sombras e a base,
são mesmo o fim da escada.

e não me peçam mais nada.
eternos espinhos cravados.
metáforas gastas e pobres.

deixem-me torrar os cobres,
nos sons da poesia alheia.
nessa gente feita de areia.

tudo emancipado e nu.
tudo acidente, sem conexão.
até que chova em meu coração.

domingo, janeiro 13, 2008

credo em cruz
vida besta, mal dividida
tem dias que tô coberto de ouro
em outros, só vejo ferida
não precisa se importar com a minha dor. ela é mesquinha, mentirosa, feito sujeira de umbigo.

e esse lugar aqui não é de verdade. aqui é o verdadeiro labirinto de espelhos. todos se vêem. ninguém vê o que realmente está escrito nas paredes por detrás.

se está escrito alguma coisa... se são apenas garatujas incompreensíveis da criança louca...

não precisa se preocupar com o poeta. olha pra tua dor, escrita no ar com a fumaça da vaidade dele. ou pro teu prazer, feito de sementes de abóbora escondidas nos quintais.

miríades de estrelas soluçantes, numa tarde sem sol de verão.

gato mordendo a cabeça do peixe.

bandeira de qualquer país murcha no mastro.

todos os gols que o avaí perdeu no último minuto.

a estranha morte do único poeta interessante dos trópicos ateus.

sábado, janeiro 12, 2008

essa gestalt eternamente aberta
no meu peito ferida, sangra, certa
mar de toda solidão e vento
digerindo um mesmo sentimento
que vem e vai e vem e vai
não tem paz, não sorri e sai
cada dia é impossível de acreditar
mas tudo voltará ao seu lugar?

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Como não te amar

Se tu alias
em perfeita sincronia,
palavras e gestos,
No momento mais crítico
da contradança da desilusão.

Causando uma revoada
de serafins no meu peito.

Calculando,
como numa ponte,
os nós que ainda sustentam
meu frágil não ser.

Debochando da minha clausura
e de todos os outros votos tristes,
para no fim receber
minha fantasia delirante,

Com o aplauso imenso,
das duas mãos,
que quero no ato final
entre as minhas.

Será o dia da perfeição sem nome do caminho.

O filme pornô bizarro,
estrelado e dirigido
por loucos.
Sucesso mundial
De crítica e público.

Sexo bissexto,
saturado de solidão,
gritando por um mundo
sem barras de ferro
ou palavras que roubem
a já raquítica esperança.

Rasgo do novo possível,
no céu sem nuvens
da razão amarga,
que não consegue ver além
das leis que ela mesma cria.

Assim somos,
Amiga alada,
E a semente que carregamos
com tanta dor e prazer,

Será a vida
Em luminosa renovação,
Nos jardins da compreensão
Dos filhos que nunca teremos.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Cultura moribunda


no silêncio da morte
dos meus antepassados

engolidos pelo vento podre
do abandono dos sonhos

eu segurei a bandeira negra do fim
e não senti,
quando minhas faces se molharam

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Flertando com o tridente



Difusa filha de netuno,

estando a teus pés, puno

e vejo-te desaparecer.

Nesse teu mar imenso,

coca-cola com incenso,

vida viva, no cacto, beber.

sábado, dezembro 15, 2007

Ao meu novo amigo Banenos


gato vadio com cheiro de terra
bom cabrito que berra
preto como o futuro do mundo
olhar doce de vagabundo

segunda-feira, dezembro 10, 2007

nem sei o que queres,
estou em todos os lugares.

óbviamente sedutor,
mas sem falar de amor.

se te cansa minha cara tristonha,
sou um outro que sonha,
nega, cospe e engole.

Um dia a cada gole.

quarta-feira, novembro 28, 2007

terça-feira, novembro 27, 2007

entre aquelas nove
pétalas de margarida
que eu arranquei
pela primeira vez
na minha vida
na escada que dá pro jardim
aqui de casa
eu nunca poderia imaginar
que o último bem-me-quer
que eu arrancava
era tua suave presença,
teu amor luminoso,
teu gozo tão próximo.
e olha eu tinha nove anos!
bem- vinda, completa,
compreensão do meu fado.
meus olhos arregalados
permanecem no milagre inesesperado
daqueles dias sem dor.

domingo, novembro 25, 2007

desterrados de novo



pululam

palavras

na mente fogo

a teia



só não há rima

e nem solução



guerra não declarada

frio e fome

de sermos ouvidos



estrangeiros

em nossa própria

terra



pasárgada era

a gente não sabia

ou fingia não saber

pra não voar daqui



diz traídos

venceríamos

agora

a nostalgia precoce



e as dores do parto

mas para onde?

quarta-feira, novembro 21, 2007

Minha alma na janela.

Farol dos meus erros,
a poesia permanece,
os amores passam.

Toda a construção
resultará inútil.
Resistir ao desejo inerente de construir,
também.

Então abre tuas de asas de cera,
ruma ao sol e
observa teu destino se cumprir,
até a queda.

Não deixa tua passagem
ser em vão, entretanto.
Cria, comove, registra e acredita:
a arte carrega o pouco de sublime
que resta aos humanos.

sábado, novembro 17, 2007

Minha fantasia de louco,
tem papoulas de vidro,
costuradas no pano
dourado.


Ela sabe
o nome dos peixes
desse aquário.


Nomes estranhíssimos.


Eu acho que ela inventa,
enquanto passa manteiga no pão,
distraída, nas tardes calmas
das campinas.


Esse se chama barbelinho,
aquele azul, lamba limba.


Depois me diz,
sem introdução,
que eu sou
o primeiro amor dela.


A luz do sol reflete minha roupa,
enquanto eu danço no espaço.


Tudo o que não for riso,
está definitivamente
guardado no sótão.
É anjo inútil,
de um amor torto.

Há um excesso
continuadamente nu,
no silêncio do vão,
entre as suas asas
empoeiradas.

Anjo desistido,
mergulhado
no silêncio de si.

Interno.
Eterno.
Cru.

O sol caminha lento pela calçada.

Ele não vê.

Nem eu.

terça-feira, novembro 13, 2007

fome dos olhos da mulher amada.
De uma vida menos ordinária.
fome de rir sem motivo.
e de aceitar a morte com seus espinhos.

fome de tudo que não fazia sentido,
e hoje é celebrado em silêncio.
do gosto do gozo há muito esperado.
da tua mão em meus segredos.

fome que há de ser sempre fome.
que não pretende ser luz na escuridão.
fome que empacota meus vazios
e deixa a lembrança de outra canção.

fome de acreditar que combinar cores impossíveis,
pode ser melhor que qualquer poesia.
fome da cama vazia, depois do amor
e de tudo o que não entendi naquele dia.

fome de estar em você,
cozinhar pra você,
dormir com você.
fome de te esquecer.

terça-feira, novembro 06, 2007

Eu me enfronho
Nestas nuvens de saberes
E pouquíssima esperança.

Sou o imitador maior
De desconhecidas fórmulas
Sem uso.

Quando digo que te amo
Estou querendo dizer
Que me oprime
Cada minuto longe
De acordar contigo
E tomar um café da manhã
Em silêncio.

Aonde estaria esse deus,
Que nos faz de mãos estendidas,
Sem poder nunca nos tocar.
Somente: palavras, imagens, sons...

O auge da poesia,
Será esse instante
Antes do raio rasgar o céu?

domingo, novembro 04, 2007

carta ao meu filho não nascido

não pude te dar um mundo,
que não me quis, não me viu.
fui amargo, egoísta, sensível demais.

sinto falta do teu sorriso,
que nunca ouvirei.
esse vazio que ninguém preenche,
vou saturando com as lágrimas
que não choro mais.

querido filho.

te deixo um punhado de palavras.
testemunhas de um caminho seco.
sem sucesso, sem felicidade, sem paz.

apenas a boquiaberta perplexidade
dos loucos solitários,
desistidos, suicidados.

mas não peço teu perdão,
só o silêncio cheio de ecos,
das muitas gerações que não virão.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Os melhores poemas
foram os que perdi,
Nos cafundós da memória.

Distraído,
atravessando a rua.

Ou entre um gole
e a demoradíssima
caneta do garçom.

Não me abandona, logo agora,
Que descobriste o homem,
Escondido atrás do poeta.

Nem tudo é solicitude e riso.
Profundidade e siso.

Há sempre
uma nova vasilha
pra encher,

Com os pingos da chuva que,
goteira,
Não caberiam em outro lugar.

Ama-me ou escassa-me.
Seria esquece-me?

quinta-feira, outubro 25, 2007

Avança a vítima no tranco.
Procura seu reflexo no barranco.
De repente, ouve-se o estampido.
E mais nenhum outro ruído.

Nada mais se interpõe à vedade.
Nem governo, nem a caridade.
Só a crueza da falta de escolha.
Nem raiz, nem galhos, só folha.

E tudo isso já está escrito.
E fica o dito, pelo não dito.
Finda a alma e o corpo, no morro.
Jamais houve qualquer tipo de socorro.

Eu, poeta do céu azul,
Falo pelas almas no vento sul.
Agora calo, sem solução,
respondo pelo fim dessa canção.

E ponto final.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Não preciso de perdão.
Não preciso de resistência.

Um milhão de palavras mortas,
giram ao meu redor a cada segundo.

Nada são,
diante da lógica,
da dialética,
de um pensamento taoísta perfeito.

Então, só quando cessam as palavras;
Na exaustão dos corpos respirando livres,
É que a minha não-resposta pode acontecer.

É quando eu morro,
sonhando em acordar no teus braços.
Para uma certa burguesa filha da puta:

As doces lembranças das manhãs no lago

Um dia, um imbecilzinho de merda,
Do alto de seu castelo de sombras,
Desejando poder e dinheiro,
Inventou a normalidade.

E sentia prazer e satisfação
Em explorar as estranhezas legítimas
das outras pessoas.

Assim foi também que outros imbecis do mesmo quilate,
Inventaram: a beleza, a verdade, a justiça e deus.
Como se isso pudesse existir além da subjetividade,
Da experiência única e intransferível, de cada um.

E se intitularam porta vozes dessas idéias.
Sempre desejando o mesmo prazer egoísta.

Assim destruíram o planeta.
E foderam com a paciência de muitos.
Palmas para eles, que eles merecem.

sábado, outubro 13, 2007

A pequena arte de complicar as coisas

As partes negras da tua alma,
Gritam,
Que o amor é um poço seco.

O teu medo da solidão
Tentou me engolir.

Mas o vento da noite
Me trouxe de volta
Pra minha.

Agora vou boiar
Na minha rotina.

Até que a ilusão,
Me faça jogar a linha.

Ou finalmente eu morra,
Vítima de egoísmo crônico.

domingo, outubro 07, 2007

Não é verde,
o meu acordo é feito de tons irreais.
O desejo tem luz e sombra.
Viver é apostar no cavalo errado.
Um punhado de frases desconexas.
Um milhão de beijos
não curam um corte no coração.
E por favor, desiste da idéia de família.
Foi o que te arrebentou.
Não queira arrebentar mais ninguém.
Loucos sinceros não reproduzem
padrões de tristeza.
São humanas as respostas.
Imperfeitas.
Adoro teu sorriso.
Tua luz me faz possível.
Eu vibro com teu calor.

terça-feira, outubro 02, 2007

Eu queria que o amor fosse
uma tempestade de absurdos doces.
Mas é uma faca apontada para o sim.
Ele é o desencontro das mães solitárias,
saudosas do choro de seus bebês,
enquanto a chaleira ferve, de tarde,
nas casas vazias, ensolaradas, nos subúrbios
de uma cidade qualquer da Guatemala.

Ele é o segredo escondido
nas informações incompreensíveis,
das embalagens de cereais matinais.
Ele é o gemido discreto,
no sentar e levantar,
dos bancos de praças,
dos velhos e suas cabeças brancas.

O amor são os aparelhos de ar condicionado,
nas repartições públicas,
onde decisões que afetam a vida de tantos,
que não são ouvidos,
explodem todos os dias.
É o dedo no gatilho dos meninos traficantes,
que não dispara e somente hoje,
é substituído pela linha das pipas,
no céu azul, dessa ilha cheia de vento.

O amor é tua boca aberta,
quase riso, quando gozas.
É a revoada de pássaros no horizonte,
42 segundos antes do sol nascer.
É o suicídio que não deu certo,
no meu amigo que matou o pai e a mãe.

O amor é o filho que não tive contigo,
amor da vida inteira.

domingo, setembro 30, 2007

Se for morrer, me avisa.
Assim arrumo a maior briga
de todos os tempos.

Senão, esfrega esse corpo
redondo, macio e cheiroso no meu.
Que temos 4.327 maneiras de encaixar.

Como aquele jogo antigo,
de blocos de madeira,
imitando paredes de tijolo,
casas e torres.

Nós nos construimos,
com abraços e beijos.
Enquanto o relógio para de vez.
sem amarelo

é quando mais a gente tem certeza
que a seca nunca vai acabar.
e caem as primeiras gotas.
antes de vir o cheiro de terra molhada.
bem ali, na presença do milagre.

se, e quando, tu pensas em mim.
isso tudo pinta um quadro vivo

quinta-feira, setembro 27, 2007

Dor e Poesia

Porque tu sabes apertar os meus botões
E botar no sol minhas feridas,
Porque tu és o sereno que molha meu jardim com flor,
Vida, sempre tão suave e exata.

Porque eu faço questão de tentar esquecer
que alguém possua as chaves da minha solidão,

Tão perdido fico na tua presença,
Que só consigo pensar em deus.
( e ele devia estar morto há muito tempo);

Soberana absoluta do meu silêncio.
Do fio condutor do meu desejo.
Eis-me aqui, mais uma vez.

Os braços abertos como o outro.

Feliz por te saber parte desse sonho.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Nossas conversas
parecem hai-kais.
Diria minimalistas.
Pra fugir da dor.

Um olá como vai,
carrega mil sentidos.
Fora os omitidos,
pelas famosas entrelinhas.

E já estou sendo prolixo.

segunda-feira, setembro 10, 2007

todo fim de tarde
milhões de bebuns se dirigem aos butecos
em busca da risada perfeita.
não encontram.
ninguém jamais encontra.
Mas eles voltam todo dia.
Até que o fim se mostre.
E se mostra para muitos.
Antes de qualquer poesia.

O poeta louco vira pop star.
E aparece na propaganda
de detergente ou pasta de dente.
E você sentado em sua poltrona,
Entre um sorriso e um produto, pensa
Esse mundo está mesmo perdido,
O capitalismo selvagem delirante,
tem lugar pra todo mundo.
Um brinde ao sonho e a tudo
que não pode ser classificado,
embalado e pesado.

ainda...
Eu não sei de nada.
Não entendo.
Existe uma delicadeza na escolha das palavras que se assemelha a um carinho.
Um lento carinho nos cabelos.
Dedos abertos enquanto os negros cabelos deslizam suavemente.
Isso é um jeito de driblar a morte.
Pode se chamar poesia.

sexta-feira, agosto 17, 2007

No jogo da conversa
Somos dois,
Um chat sem fim.

nesse nosso xadrez de palavras
vão-se os véus
ficam os dedos cruzados

todos os movimentos
são cronometrados
pelas batidas do coração

existe sempre
a possibilidade
da frase perfeita.

Mas enquanto
ela não ocorre,
cada letra

é uma encruzilhada,
que abre mil
novas possibilidades

Eu intuo a tua jogada.
Antecipo meu desejo
E nego tudo no final.

Tu te mostras incansável,
Mostrando e escondendo,
Confundindo meu pensamento.

Até que num xeque-mate
Inesperado, eu derrubo meu rei
E perco o jogo feliz.

E lá se vai
Mais um dia
Longe dos teus braços.

Perto do coração?

quinta-feira, agosto 16, 2007

Eu queria ter a mão certa pra traçar no horizonte essa felicidade.
E finalmente ver com os olhos do coração tudo o que faz parte do meu caminho.
Mas mesmo na condição de falível humano modesto e nu.
Todas essas energias que atravessam meu coração,
Quando eu fico em contato com a tua,
Me fazem agarrar a mão da paz e me levantar daqui
E te dizer obrigado por tu seres tão linda
E mesmo não compreendendo a força disso tudo,
Ainda ter a serenidade pra te amar e te dizer.

domingo, agosto 05, 2007

nada te atinge, mulher
pico da neblina

solta essa fera
solta esse grito
que vem das entranhas

te amo, meu homem
meu macho de mil cabeças
vem me rasgar

vem que eu te dou outra vez
o meu brilho de árvore seca
meu gosto de romã triste
minha lágrima engolida em seco

aceita a minha faca nesse coração duro
meu perdão de menina que perdeu o pai
meu lampião quebrado

amém

quarta-feira, agosto 01, 2007

eu mexo nos lugares certos
é isso que te enlouquece

eu esquento, esfrio, falo sério, brinco,
te trato como uma putinha, uma santa

digo que te amo, te odeio,
tenho ciúme, exijo liberdade

sou um velho, uma criança,
quero teu corpo, tua alma,
depois fico distante

vejo filme, te chupo,
conto um segredo, te acalmo

digo que te aceito, digo que és impossível,
que eu queria um filho teu,
depois agradeço por morares longe

eu falei de mim
mas parecia um poema.

sexta-feira, julho 27, 2007

Introdução

eu fico te achando nos lugares, nos poemas, nos olhares.
eu te acho sempre nos bares, nas mentiras, nos ônibus escolares.
e se eu te perco, algum dia, sem querer,
sou eu mesmo que esqueço dos milagres.

Desenvolvimento

Gregory Corso

É melhor homem soltar longas palavras
E engolir as que um outro fala
Pois não é digno homem de palavra
Quem ainda por cima reclama
Que aquelas que comeu não tinham sal

É melhor homem deixar a fala
E não ter boca
É melhor que alguém, eu mesmo,
Repare em sua falta

Não é meu vocábulo
E já estou cheio dos seus
É melhor costurar-lhe os lábios
Cortar as suas orelhas sem ouvidos
Queimar o seu dicionário

É melhor
Que os seus olhos ouçam e falem além disso

(Sem Essa Palavra)

Conclusão

Espero que permaneça inconcluso por muito tempo.

quarta-feira, junho 20, 2007

no calor do meu degredo,
quero mergulhar no teu sagrado.
juntar cacos, refazer-me,
refazenda.
esteja atenta
ao movimento circular
das luzes da quermesse.
qualquer coisa que se tece,
na capilaridade do caminho.
vou deixando passos,
pinturas, segredos.
Descobre-me e devoro-te.

sexta-feira, junho 01, 2007

cadê tu, minha ilusão premiada?
cadê tua sombra na minha caminhada?
cadê o sorriso de canto de boca?
cadê essa tristeza rouca?

esperar tua chegada tem sido minha sina.
dia de chuva, frio, parado na esquina.

domingo, maio 27, 2007

Me tens sob teu jugo, és a rainha das minhas palavras vãs,
Sob teu olhar atento, divago, pássaro que voa nas manhãs
O que haveríamos de desejar, nesses dias repletos de esperança,
Mas sem a concretude dos sonhos realizados,
No parque, sozinha, brinca a criança.

Sabedoria de velhos amantes,
amigos que sabem ouvir e calar,
Tu me entregas o que tens de melhor,
castelo no lago amar.

Eu finjo que esqueço teus pequenos defeitos.
Eu fico pensando do que o amor é feito.
Eu te carrego comigo pelos bares da cidade.
Eu espero que compreendas essa imensa saudade.

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Meu amor, eu te procuro nesse mar de palavras e significados.
Tentando te fazer real,
nessa imensidão de informações que deixamos pelo caminho.
E de tantos desencontros permanece uma luz muito própria,
teu significado, tua entrega.

Não sabes como é viver sob a égide de não ter meios claros,
pra te trazer ao meu lado.
Não que eu ache tudo perfeito e acabado.
Conviver é sempre um desafio.
Mas estar ao teu lado seria muito mais fácil
suportar as agruras da vida.

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Eu queria saber porque tu provocas tanta coisa em mim.
Que eu fico aqui ecoando as tuas palavras.
Que tu dizes que queres dormir comigo
E ouvir o meu bom dia.
Tu sabes que essa é a extrema intimidade,
Estar entregue e frágil a quem está ao lado.
As tuas propostas são tão intensas e tu és tão bonita.
Uma combinação explosiva.

Me tens sob teu jugo, como dizia,
Mas vou tratar de me libertar,
Pelo bem de todos nós,
Mentirosa mulher que tanto amei.
diálogos sagrados, feitos de pó,
ali naquele espelho estou só,
não cabe vírgula nessa caminhada.

A flor do inconsciente que beija sua pétala no presente,
a lucidez do bêbado louco, que lapida sua verdade interior,
a preocupação com a pureza da criança,
que aceita a estranheza do mundo sem perguntar porque,
sinto imensamente a tua falta pra me ensinar novos mundos.

quarta-feira, maio 23, 2007

Amor à Distância

Sobretudo nos dias que a luz é fraca,
Abre-se ao olhar a delicadeza dos pequenos gestos,
Os silêncios que derramas desprevenida,
Diante da minha vontade, cheia de segredos,
E ficamos assim os dois a esperar pela felicidade,
Até que ela surge e fixa nas retinas,
A sua doce esperança vã.

Tu és a mensageira dessa outra liberdade,
Construída no cotidiano virtual,
Onde deposito o eu fabricado,
Por palavras e imagens escolhidas a dedo,
Pra não ser impactante demais
Nem deixar de ser percebida.

É um castelo feito de afirmativas puras,
Ali vivemos nosso idílio sem tropeços,
Tu, quando me contas das tuas dores,
Eu, quando me esqueço de ser ranzinza,
Até que um dia deixaremos de diferenciar,
O que é real, do que não nos pertence.

Por enquanto, conta comigo nesse espaço,
Pra te satisfazer os desejos e pudores.
Quem sabe um dia possamos nos conhecer.
E habitar outros lugares e sombras.
Finalmente plenos e carregados de luz.

terça-feira, maio 22, 2007

Eu sou o guardião das impossibilidades.
O santo padroeiro das frases feitas.
Mantenedor da instituição fantasma do trem (doido sô).
Band leader cover-flor mutante technicolor.
Krig-rá bandolo.
Para todo sempre, amém, amém, amém.

Eu sou o tipinho inútil que te ama.
O velho ranzinza que não desencana.
A rima de pé-quebrado que insiste em andar por aí.
Tudo o que não combina nessa casa.
O gosto confuso da manhã que nunca vem.
O hermetismo biográfico registrado com fogo na pedra.

E se nada aqui te for útil, flor hidropônica,
se nada te der frisson sináptica,
eu mesmo assim gozarei outra vez dessa tentativa descartável
de me fazer feliz no cercadinho das tuas atenções,
longe do mundo cru-el, jor-el, do superman, bush, fuck you.
Thank you, thank you, thank you.

sexta-feira, abril 27, 2007

E ao som dos menudos: “não se reprima, não se reprima”, ela se abriu.
E avançando contra seus princípios religiosos, ela confessou: " sou tua".
E eu, poeta vagabundo, fiquei mais sóbrio diante da vida.

quarta-feira, março 14, 2007

Vem conhecer meu não, cravejado de sims,
Vem mastigar minha ambição e cuspir o meu desejo.

Sapateia na minha dor,
como se ela sempre tivesse sido tua.

E quando eu der meu grito de independência,
fecha a gaveta e dá uma risada.

Com tuas muitas receitas, vais encaixando meu não estar,
até que eu possa ser mais uma abelha conformada.

Eu vejo de longe os teus caminhos e desacertos,
carrego a expectativa de quem está no ponto, esperando.

Eu sou teu, mulher do sonho,
apesar da total inutilidade desse amor.

Um milhão de beijos agradecidos,
pelo que nós nunca iremos viver.

Te amo virtualmente para sempre

Amém
Em cada pequena alegria da vida,
uma refeição mais gostosa,
um por do sol na praia,
uma música surpreendente,
falta-me a possibilidade
de compartilhar contigo.
E, sinceramente, sou pela metade.

Ao compreender um pouco mais,
os mistérios da vida a dois,
tu me proporcionaste novas alegrias,
que não consigo deixar pra trás.

Mesmo sabendo da impossibilidade da tua volta,
queria que soubesses que dentro de mim,
continuo te buscando pelos dias e noites,
para mais uma vez ser completo.

Dentro do teu sorriso,
flor da minha certeza.

terça-feira, março 06, 2007

Fosse anzol, formão ou bisturi,
mas papel e caneta é tudo o que tenho aqui.
Tudo muito artesanal,
cada palavra no seu local.
E tu me pedes dois poemas,
como se isso não trouxesse problemas.
E ainda sem emenda,
tudo por encomenda.
Habituado ao fluxo natural da vida,
não conseguia encontrar uma saída.

Mas, lá vai:

Tu és a sombra pro meu burro pastar,
poço pro meu camelo beber,
galho pro meu pássaro aninhar,
rio pro meu peixe crescer.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Alguém aí, faz o favor de entender,
porque é melhor me fazer de contido,
porque o meu grito é descabido,
porque eu sou o filho da discórdia,
e cada verso meu, deve permanecer escondido,
porque eu sou o mal resolvido,
o que não acredita na força da família
e a cada passo condena sua cria,
o que não vê, não ouve e está sozinho,
afastando toda a possibilidade do ninho,
deveria ser jogado fora, sem demora,
pois não acredita na danação final,
aquele que está calado diante do bem
e mais ainda diante do mal.

Esse sou eu e te propõe num dia,
o resultado de toda a euforia,
e acordaria intacto, num sorriso,
isso é tudo o que eu não preciso.
Adeus então, mais uma vez, amada,
sejas a última abençoada,
com minha voz de poeta ateu.
Daquele que sempre foi teu
e jamais acreditou na tua sina
arrancando a voz dessa outra menina.

Te amo, obrigado, até nunca mais,
em nome desses outros animais,
fica a minha palavra escrita,
é uma força de quem acredita
que um dia seremos um.
um beijo, um abraço, clac, bum.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Nietzscheana

Eu te revi na entrelinha de um poema,
sentada numa cadeira de sol.
Eu suspirei teu nome no limite perfeito
entre o desejo e o medo.

Não fui eu e acreditei numa mudança.
Não fui eu e aguardei uma resposta.
Não fui eu e lembrei daqueles dias.

Eu te aguardarei, pelos outros que virão
e já meio alquebrado, calvo,
serei mais uma vez o fiel portador
da armadura prateada.

Até que me consuma a imensa vontade de te ter,
impossível desde sempre
e eu desapareça da tua vida
por outros tantos anos.

Eterno retorno do grande amor.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

La Flor de Mi Secreto

Com que grande gesto de amor
queres que eu tente te esquecer, vida minha?
Como num bolerão, dançado cheeck to cheeck,
num filme do Almodóvar?

Mas nos meus sonhos vespertinos,
eu pressinto tua volta, sala adentro,
toda sorrisos, cumprimentarás a família,
até que, olhar cúmplice, me darás tua mão.

E eu, cego, surdo e mudo, desperto,
olho a porta que nunca se abriu,
suspiro profundamente mais uma vez
e aguardo o próximo tac do relógio.

Inexorável, impiedoso, fatal,
tempo longe dos teus braços.
Puro bolerão num filme do Almodóvar.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Ainda que estejas distante,
sonho bom que passou na minha vida,
quero te desejar daqui pra diante,
toda alegria e felicidade, nesta data querida.

O poeta vê seu amor escapolir entre os dedos.
Tenta reconstruir o caminho nessa longa jornada.
Carregarei comigo este lindo jardim de segredos,
onde vivem as horas luminosas em que foste amada.

Obrigado, querida Carlinha, por ser personagem principal na minha peça.
Por todas as gargalhadas, pela força quando fui triste.
O desejo de te dar abraço e beijo, não há quem meça,
esperança que carrego, alegria que insiste.

Parabéns pra você, baixinha do meu coração.
Se eu soubesse rezar, faria aqui uma prece,
pra veres teus desejos virarem realização,
desse, que do teu carinho nunca se esquece.

sábado, dezembro 16, 2006

Eu vou sacrificar meu coração na pira do amor.
Nesse fogo sem perdão, abandonar qualquer pudor.
Vou deixar essa canção e aceitar esse calor.
Viver essa pressão, dizendo uns versos sem dor.

E nesse dia claro, enfim querer o infinito.
Deixar nesse jardim, o dito pelo não dito.
Sabendo que está presente o dia do aflito.
Dispensar o silêncio, ouvindo o apito.

Pessoa hiper criativa, tem resposta pronta.
Sabendo do segredo, não faz muita conta.
Parece que é tranquila, mas tem vez que apronta.
Diante da injustiça, não aguenta e afronta.

domingo, novembro 19, 2006

Já não desejo mais pular aquele muro.
Já me sinto satisfeito de ouvir o mesmo velho blues.
Fico feliz em comer a tradicional salada.
Pegar o mesmo ônibus, que para no velho ponto.
Estou satisfeito em saber que nada mudou.
Vai chegando o natal e o papai noel vai dizer hou hou hou.
Então porque será que me incomoda
Tu não atenderes o telefone
Num domingo chuvoso como esse?

quarta-feira, setembro 06, 2006

tu és o gato, eu sou o peixe no aquário
eu sou o analfabeto, tu és o dicionário
eu sou o garfo, tu és a sopa
eu sou o carro velho, tu és a cera e a estopa
tu és a floresta, eu sou o turista estrangeiro
tu és as flores, eu sou jornal velho no banheiro
eu sou a manta de lã, tu és pleno verão
eu sou os que nunca serão, tu és os que deverão
tu és o jô , eu não sou do sexteto
tu és vegetariana , eu sou o espeto
tu és a orquestra sinfônica, eu sou o surdo mudo
eu não sou nada, tu estás com tudo

quinta-feira, agosto 31, 2006

pé ó pé, ante pé,
parece fácil mas não é.
Sustentar e caminhar,
responder e dançar.
Se cair e te ferir,
pé ó pé ante pé,
não percas a fé.
Pois a lição que me ensina,
querido pé de bailarina,
é começar tudo de novo,
para os aplausos do povo.
para o pezinho ferido da Sueli
Repousa-te quieta nos campos do silêncio

e derrama sobre a terra mais um impronunciável segredo.

Sempre que esta luz estremecer meu medo,

culpo-te por seres sem saber sê-lo,

grande amor que foge entre meus dedos.

terça-feira, agosto 29, 2006

É pena que por trás desse lindo olhar,
Olhar que antecede a chuva,
Olhar que mergulha a gente numa saudade
De gente que a gente nunca viu,
Olhar que responde mil dúvidas
Que a gente não sabia que tinha,
Olhar que mostra o caminho
No mapa do país chamado amor,
É pena que por trás dele
More uma mulher malvada,
Que deixa a gente a sonhar,
Porque não resta
mais nada mesmo nessa vida,
Depois de mergulhar nesse olhar.

domingo, agosto 27, 2006

(momento sertanejo pagodão)

será que vai chegar o dia
que não vai ter mais nada pra dizer
será que eu vou ser mais um
conseguir enfim te esquecer

levar a vida numa boa
sem tua alegria pra me embalar
saber que tudo vale a pena
encontra alguém para amar

olhar pro passado e ver
esses dias de sofrimento
como parte de uma estrada
que trouxe grande crescimento

carregar essa lembrança
não está sendo fácil não
parece que estar sozinho
está afundando meu coração

tudo parecia simples
não havia vaidade
só restamos agora
eu e essa tremenda saudade

quinta-feira, agosto 17, 2006

Um dia sem te ver é um dia perdido.
Porque tu és a luz da vida lá fora que atravessa minha veneziana quebrada.
Porque tuas palavras constróem o ninho que todo dia precisa ser refeito.
Porque saber como foi teu dia me conforta e anima para os próximos.
Um dia sem te ver é um dia jogado fora.
E o dia de te rever é o que vale por todos os outros longe de ti.

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Um dia longe de ti é como o dia em que a flor não recebe a visita do passarinho.
O guarda não dá nenhuma multa.
A freira não comete nenhum pecado.
O pescador não vê nenhum peixe pulando fora da água.
A mãe não beija seu filho.
O hacker não invade nenhum site.
O poeta não encontra nenhuma palavra pra falar do amor.
É um dia sem graça, sem dança, sem liberdade, sem ar.

quarta-feira, junho 21, 2006

Uma vaga pra estacionar,
na tua sala de estar.
Chá com bolacha,
torcida uniformizada,
gente amiga reunida,
pérolas de otimismo,
tanta criança sorrindo,
um dia te surpreendo
com minhas boas intenções.

Por enquanto fica
sabendo
que
ganhar dinheiro
com poesia,
é coisa de iluminado.
O resto segue assim assado.
Vinícius à parte,
Homens são de marte
e eu não entendo nada
de guerra.

sexta-feira, agosto 12, 2005

Eu não gosto de tribo.
Eu não sou da sua clã.
Se você fosse o rei do rock,
eu não seria seu fã.

Você precisa de público
e eu sempre fui privado
de qualquer possibilidade,
de andar ao seu lado.

Sai pra lá ego murcho,
eu não quero pressão.
Ando desconfiado,
que a morte anda ao meu lado,
com um sorrisinho disfarçado,
esperando o momento adequado,
pra me dizer não.
Eu e minha concha,
estamos de mudança
Eu e minha janela,
perdemos a esperança.

Queremos silêncio.
Queremos o mar.
Queremos um jeito novo de amar.
Sementeira

Se há mentira,
sê minha, tira,
de vez, de mim,
tudo o que me faz capim,
não fruta ou flor.

Tudo o que não,
todo o desamor
desse meu coração.

Se contudo,
eu me iludo,
faz-me tudo,
mas não deixa nascer,
senão depois,
morrerá inútil,
aquela semente fútil,
filha da vaidade,
prima da infelicidade,
mãe que só faz sofrer.

terça-feira, agosto 02, 2005




a minha cabeça tem dado novos contornos à saudade.
agora dei pra te encontrar em pessoas na rua.
mesma altura, cabelos negros, jeito de caminhar.
sobressalto do coração, sorriso nervoso e a decepção.
não, não eras tu,
mas o meu desejo de te saber por aqui.

terça-feira, julho 19, 2005


Alguns deles me dizem que vai passar.

Outros me garantiram que vou levar tudo isso vida afora, mas que com o tempo acostuma.

Eu sei cada vez mais, que ela sempre foi o meu melhor público.

A risada e o choro me empurravam além, um pouco mais criativo, um minuto mais de experiência.

Mas ela se foi e agora carrega o filho dele.

E a vida ficou insuportável a maior parte do tempo.

Nas noites frias do inverno aqui no sul, então, uh lalá.

Pra não viver o tempo todo chorando e me lamentando,

Pra não ser ainda mais chato do que costumo ser,

Invento maneiras de fingir que vale a pena continuar vivo.

Chamo isso de auto-ilusão.

A que mais me acalenta na hora do desespero, amada,

É sonhar que um dia a gente ainda vai ficar junto.

Que a tua escolha em ficar com ele, não foi bem uma escolha,

Mas uma espécie de pressão que o mundo fez.

E naquele momento te pareceu a que menos te faria sentir dor.

Mas lentamente teu olhos se abrirão (esse é a minha auto-ilusão preferida)

E tu descobrirás que ficar ao meu lado é a única forma de felicidade autêntica,

Nesse planetinha azul, nem que seja quando tu estiveres velhinha,

Com teus cabelos brancos e cercada dos netos que tu tanto sonhas.

De mãos dadas comigo, olhando o dia terminar, chorando de felicidade, em silêncio,

Achando que viver valeu a pena.

Nilo Neto

Floripa, 19 de julho de 2005

sexta-feira, julho 08, 2005

(do orkut)

gracinhas do macaco louco

mensagem:

Umpoemicofeitonahora pensandonasenhora

eia

saboreia
incendeia
tá na veia?

Agora a teia.

sexta-feira, abril 15, 2005

Desarmada a calma,
que conforta a alma,
sobramos nós.

Eu e eu,
mergulhados no infinito.
Sombra do conflito.
Vórtice do engano.

Verso sem plano.
Outra indignação.
Afogado coração,
eu te reflito.

Mas não te contenho.

segunda-feira, abril 11, 2005

realmente o que revela,
a verdade do olho, é a ramela,
o deseja da morte, é a sequela,
a força do vento no mar, é a vela,
o sonho interrompido, é a cela.