terça-feira, março 11, 2008

Samba

(refrão)
Santo aflito, santo aflito,
sai desse muro
e embarca no conflito.

Não quero ser só dialético,
meu dilema é ético
e quem sabe estético.

A utopia anarquista,
cê tá mal das vista,
já foi superada,
olha o conteúdo.

No capitalismo selvagem,
mesmo estando à margem,
ninguém me não dá nada,
mas vende tudo.

Santo aflito, santo aflito,
sai desse muro
e embarca no conflito.

E veio a grana da empresa "Tanto Faz",
pra que olhar pra trás,
vamos para o futuro.

O samba tá mais firme e forte,
pra você dar o norte,
tem que sair do muro.

Solidários na competição,
essa é a intenção,
da nova galera,

Mas se você me ajudar
na cadeia alimentar,
Não vou ser uma fera.

Santo aflito, santo aflito,
sai desse muro
e embarca no conflito.

Santo aflito, santo aflito,
sai desse muro
e embarca no conflito.

Nilo Neto
(video maker e compositor de samba)

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Socorro

Estou sendo engolido
pelo poço de ódio.
A loucura!
A necessidade de ver
o sangue escorrer.

A sombra do empalador
está me tomando.
A raiva intestina.

O guerreiro furioso
que eu sou,
hoje despertou,
com imprecações
e danações eternas,
em seus lábios de gelo.

Chegou a hora da vingança!
Chegou a hora do sacrifício!

Tremei seres malditos,
que ousaram me importunar
com seus pequenos
infernos particulares

Dante não descreveria
a terrível cena
que breve se imporá,
ante o olhar fascinado
do monstro que existe em mim.

Sun Tzu, Maquiavel,
abençoem minha caminhada.

Amém.

sábado, fevereiro 23, 2008

minha língua de fogo
arrasta teu coração míope
pra beira do rio
e te faz lamber a sombra
das árvores menores
e as mais azuladas

minha língua de gato
e tem mais

toda terça sem sol,
às 9:22 da manhã
eu acendo uma vela
no meu pensamento
pra resgatar minha saudade
dar banhinho nela,
vestir uma roupa
e levar pra passear na praia.

é que eu sou um cara
essencialmente fofo, entende?

eu sou poeta.
gosto de dar nomes
pra coisas estranhas e invisíveis.
língua de trapo, língua ferina.
língua de feriado.

embrulha pra mim, por favor?
mas corta bem fininho, tá?
nossa, mas a senhora está muito bem Dona ...
e como vai o Seu ...
minhas condolências
mas ele era tão novo
quantos netos?
deus te abençoe minha filha
e te conserve sempre assim

tudo está girando pelo azul
eu sigo sonhando com teu blues
e nem mesmo fosse uma toada
branco sonho leve na calçada

meu ofício é ingrato iglu
vivo aos tombos se olho pra dentro
se te vejo e ouço, um dia perto
certo, vou gozar a vida sul.
flauta de pã
dionísio
todos os panteras negras
os mulheres negras
las madres de la plaza de mayo
os casamentos inter-raciais, interplanetários
aquele som do bauhaus nas madrugadas frias da ilha
qualquer primeiro beijo que não bata os dentes
tortinha de maçã daquela lanchonete famosa
(ih, agora me entreguei)
o vôo das gaivotas no mar quando amanhece
fechar um com uma folha do código penal
É com essa lata de spray
marca paracelso
que eu insisto em usar
nos muros da cidade moribunda
minha poesia alquímica
mandragorina, lajotas de letras
em cores opacas

oblíquos olhares
tentam decifrar
minha alentada fórmula
do elixir da vida
mas suas cabeças tortas,
suas vidas astutas,
não percebem nunca.

mais um falatório
rumo ao inútil,
tão sutil
não sentido da vista.
muro feito de mim
e minhas cicatrizes.

sábado, fevereiro 16, 2008

minha vida
é uma casca de ferida
que eu insisto
em cutucar.

a tua,
não tem saída,
mesmo se fosses a preferida
do sultão de kandaar

ardida
urdida
nos estranhos tecidos
do verbo amar.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

ando seco.
a pena esturricou.

o coração fechado
pra balanço
do barco.

um caco
de telha
sem uso.

intruso,
em meu próprio
castelo de espelhos.

todos os que percebo,
todas as sombras e a base,
são mesmo o fim da escada.

e não me peçam mais nada.
eternos espinhos cravados.
metáforas gastas e pobres.

deixem-me torrar os cobres,
nos sons da poesia alheia.
nessa gente feita de areia.

tudo emancipado e nu.
tudo acidente, sem conexão.
até que chova em meu coração.

domingo, janeiro 13, 2008

credo em cruz
vida besta, mal dividida
tem dias que tô coberto de ouro
em outros, só vejo ferida
não precisa se importar com a minha dor. ela é mesquinha, mentirosa, feito sujeira de umbigo.

e esse lugar aqui não é de verdade. aqui é o verdadeiro labirinto de espelhos. todos se vêem. ninguém vê o que realmente está escrito nas paredes por detrás.

se está escrito alguma coisa... se são apenas garatujas incompreensíveis da criança louca...

não precisa se preocupar com o poeta. olha pra tua dor, escrita no ar com a fumaça da vaidade dele. ou pro teu prazer, feito de sementes de abóbora escondidas nos quintais.

miríades de estrelas soluçantes, numa tarde sem sol de verão.

gato mordendo a cabeça do peixe.

bandeira de qualquer país murcha no mastro.

todos os gols que o avaí perdeu no último minuto.

a estranha morte do único poeta interessante dos trópicos ateus.

sábado, janeiro 12, 2008

essa gestalt eternamente aberta
no meu peito ferida, sangra, certa
mar de toda solidão e vento
digerindo um mesmo sentimento
que vem e vai e vem e vai
não tem paz, não sorri e sai
cada dia é impossível de acreditar
mas tudo voltará ao seu lugar?

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Como não te amar

Se tu alias
em perfeita sincronia,
palavras e gestos,
No momento mais crítico
da contradança da desilusão.

Causando uma revoada
de serafins no meu peito.

Calculando,
como numa ponte,
os nós que ainda sustentam
meu frágil não ser.

Debochando da minha clausura
e de todos os outros votos tristes,
para no fim receber
minha fantasia delirante,

Com o aplauso imenso,
das duas mãos,
que quero no ato final
entre as minhas.

Será o dia da perfeição sem nome do caminho.

O filme pornô bizarro,
estrelado e dirigido
por loucos.
Sucesso mundial
De crítica e público.

Sexo bissexto,
saturado de solidão,
gritando por um mundo
sem barras de ferro
ou palavras que roubem
a já raquítica esperança.

Rasgo do novo possível,
no céu sem nuvens
da razão amarga,
que não consegue ver além
das leis que ela mesma cria.

Assim somos,
Amiga alada,
E a semente que carregamos
com tanta dor e prazer,

Será a vida
Em luminosa renovação,
Nos jardins da compreensão
Dos filhos que nunca teremos.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Cultura moribunda


no silêncio da morte
dos meus antepassados

engolidos pelo vento podre
do abandono dos sonhos

eu segurei a bandeira negra do fim
e não senti,
quando minhas faces se molharam

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Flertando com o tridente



Difusa filha de netuno,

estando a teus pés, puno

e vejo-te desaparecer.

Nesse teu mar imenso,

coca-cola com incenso,

vida viva, no cacto, beber.

sábado, dezembro 15, 2007

Ao meu novo amigo Banenos


gato vadio com cheiro de terra
bom cabrito que berra
preto como o futuro do mundo
olhar doce de vagabundo

segunda-feira, dezembro 10, 2007

nem sei o que queres,
estou em todos os lugares.

óbviamente sedutor,
mas sem falar de amor.

se te cansa minha cara tristonha,
sou um outro que sonha,
nega, cospe e engole.

Um dia a cada gole.

quarta-feira, novembro 28, 2007

terça-feira, novembro 27, 2007

entre aquelas nove
pétalas de margarida
que eu arranquei
pela primeira vez
na minha vida
na escada que dá pro jardim
aqui de casa
eu nunca poderia imaginar
que o último bem-me-quer
que eu arrancava
era tua suave presença,
teu amor luminoso,
teu gozo tão próximo.
e olha eu tinha nove anos!
bem- vinda, completa,
compreensão do meu fado.
meus olhos arregalados
permanecem no milagre inesesperado
daqueles dias sem dor.

domingo, novembro 25, 2007

desterrados de novo



pululam

palavras

na mente fogo

a teia



só não há rima

e nem solução



guerra não declarada

frio e fome

de sermos ouvidos



estrangeiros

em nossa própria

terra



pasárgada era

a gente não sabia

ou fingia não saber

pra não voar daqui



diz traídos

venceríamos

agora

a nostalgia precoce



e as dores do parto

mas para onde?

quarta-feira, novembro 21, 2007

Minha alma na janela.

Farol dos meus erros,
a poesia permanece,
os amores passam.

Toda a construção
resultará inútil.
Resistir ao desejo inerente de construir,
também.

Então abre tuas de asas de cera,
ruma ao sol e
observa teu destino se cumprir,
até a queda.

Não deixa tua passagem
ser em vão, entretanto.
Cria, comove, registra e acredita:
a arte carrega o pouco de sublime
que resta aos humanos.

sábado, novembro 17, 2007

Minha fantasia de louco,
tem papoulas de vidro,
costuradas no pano
dourado.


Ela sabe
o nome dos peixes
desse aquário.


Nomes estranhíssimos.


Eu acho que ela inventa,
enquanto passa manteiga no pão,
distraída, nas tardes calmas
das campinas.


Esse se chama barbelinho,
aquele azul, lamba limba.


Depois me diz,
sem introdução,
que eu sou
o primeiro amor dela.


A luz do sol reflete minha roupa,
enquanto eu danço no espaço.


Tudo o que não for riso,
está definitivamente
guardado no sótão.
É anjo inútil,
de um amor torto.

Há um excesso
continuadamente nu,
no silêncio do vão,
entre as suas asas
empoeiradas.

Anjo desistido,
mergulhado
no silêncio de si.

Interno.
Eterno.
Cru.

O sol caminha lento pela calçada.

Ele não vê.

Nem eu.

terça-feira, novembro 13, 2007

fome dos olhos da mulher amada.
De uma vida menos ordinária.
fome de rir sem motivo.
e de aceitar a morte com seus espinhos.

fome de tudo que não fazia sentido,
e hoje é celebrado em silêncio.
do gosto do gozo há muito esperado.
da tua mão em meus segredos.

fome que há de ser sempre fome.
que não pretende ser luz na escuridão.
fome que empacota meus vazios
e deixa a lembrança de outra canção.

fome de acreditar que combinar cores impossíveis,
pode ser melhor que qualquer poesia.
fome da cama vazia, depois do amor
e de tudo o que não entendi naquele dia.

fome de estar em você,
cozinhar pra você,
dormir com você.
fome de te esquecer.

terça-feira, novembro 06, 2007

Eu me enfronho
Nestas nuvens de saberes
E pouquíssima esperança.

Sou o imitador maior
De desconhecidas fórmulas
Sem uso.

Quando digo que te amo
Estou querendo dizer
Que me oprime
Cada minuto longe
De acordar contigo
E tomar um café da manhã
Em silêncio.

Aonde estaria esse deus,
Que nos faz de mãos estendidas,
Sem poder nunca nos tocar.
Somente: palavras, imagens, sons...

O auge da poesia,
Será esse instante
Antes do raio rasgar o céu?

domingo, novembro 04, 2007

carta ao meu filho não nascido

não pude te dar um mundo,
que não me quis, não me viu.
fui amargo, egoísta, sensível demais.

sinto falta do teu sorriso,
que nunca ouvirei.
esse vazio que ninguém preenche,
vou saturando com as lágrimas
que não choro mais.

querido filho.

te deixo um punhado de palavras.
testemunhas de um caminho seco.
sem sucesso, sem felicidade, sem paz.

apenas a boquiaberta perplexidade
dos loucos solitários,
desistidos, suicidados.

mas não peço teu perdão,
só o silêncio cheio de ecos,
das muitas gerações que não virão.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Os melhores poemas
foram os que perdi,
Nos cafundós da memória.

Distraído,
atravessando a rua.

Ou entre um gole
e a demoradíssima
caneta do garçom.

Não me abandona, logo agora,
Que descobriste o homem,
Escondido atrás do poeta.

Nem tudo é solicitude e riso.
Profundidade e siso.

Há sempre
uma nova vasilha
pra encher,

Com os pingos da chuva que,
goteira,
Não caberiam em outro lugar.

Ama-me ou escassa-me.
Seria esquece-me?

quinta-feira, outubro 25, 2007

Avança a vítima no tranco.
Procura seu reflexo no barranco.
De repente, ouve-se o estampido.
E mais nenhum outro ruído.

Nada mais se interpõe à vedade.
Nem governo, nem a caridade.
Só a crueza da falta de escolha.
Nem raiz, nem galhos, só folha.

E tudo isso já está escrito.
E fica o dito, pelo não dito.
Finda a alma e o corpo, no morro.
Jamais houve qualquer tipo de socorro.

Eu, poeta do céu azul,
Falo pelas almas no vento sul.
Agora calo, sem solução,
respondo pelo fim dessa canção.

E ponto final.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Não preciso de perdão.
Não preciso de resistência.

Um milhão de palavras mortas,
giram ao meu redor a cada segundo.

Nada são,
diante da lógica,
da dialética,
de um pensamento taoísta perfeito.

Então, só quando cessam as palavras;
Na exaustão dos corpos respirando livres,
É que a minha não-resposta pode acontecer.

É quando eu morro,
sonhando em acordar no teus braços.
Para uma certa burguesa filha da puta:

As doces lembranças das manhãs no lago

Um dia, um imbecilzinho de merda,
Do alto de seu castelo de sombras,
Desejando poder e dinheiro,
Inventou a normalidade.

E sentia prazer e satisfação
Em explorar as estranhezas legítimas
das outras pessoas.

Assim foi também que outros imbecis do mesmo quilate,
Inventaram: a beleza, a verdade, a justiça e deus.
Como se isso pudesse existir além da subjetividade,
Da experiência única e intransferível, de cada um.

E se intitularam porta vozes dessas idéias.
Sempre desejando o mesmo prazer egoísta.

Assim destruíram o planeta.
E foderam com a paciência de muitos.
Palmas para eles, que eles merecem.

sábado, outubro 13, 2007

A pequena arte de complicar as coisas

As partes negras da tua alma,
Gritam,
Que o amor é um poço seco.

O teu medo da solidão
Tentou me engolir.

Mas o vento da noite
Me trouxe de volta
Pra minha.

Agora vou boiar
Na minha rotina.

Até que a ilusão,
Me faça jogar a linha.

Ou finalmente eu morra,
Vítima de egoísmo crônico.

domingo, outubro 07, 2007

Não é verde,
o meu acordo é feito de tons irreais.
O desejo tem luz e sombra.
Viver é apostar no cavalo errado.
Um punhado de frases desconexas.
Um milhão de beijos
não curam um corte no coração.
E por favor, desiste da idéia de família.
Foi o que te arrebentou.
Não queira arrebentar mais ninguém.
Loucos sinceros não reproduzem
padrões de tristeza.
São humanas as respostas.
Imperfeitas.
Adoro teu sorriso.
Tua luz me faz possível.
Eu vibro com teu calor.

terça-feira, outubro 02, 2007

Eu queria que o amor fosse
uma tempestade de absurdos doces.
Mas é uma faca apontada para o sim.
Ele é o desencontro das mães solitárias,
saudosas do choro de seus bebês,
enquanto a chaleira ferve, de tarde,
nas casas vazias, ensolaradas, nos subúrbios
de uma cidade qualquer da Guatemala.

Ele é o segredo escondido
nas informações incompreensíveis,
das embalagens de cereais matinais.
Ele é o gemido discreto,
no sentar e levantar,
dos bancos de praças,
dos velhos e suas cabeças brancas.

O amor são os aparelhos de ar condicionado,
nas repartições públicas,
onde decisões que afetam a vida de tantos,
que não são ouvidos,
explodem todos os dias.
É o dedo no gatilho dos meninos traficantes,
que não dispara e somente hoje,
é substituído pela linha das pipas,
no céu azul, dessa ilha cheia de vento.

O amor é tua boca aberta,
quase riso, quando gozas.
É a revoada de pássaros no horizonte,
42 segundos antes do sol nascer.
É o suicídio que não deu certo,
no meu amigo que matou o pai e a mãe.

O amor é o filho que não tive contigo,
amor da vida inteira.

domingo, setembro 30, 2007

Se for morrer, me avisa.
Assim arrumo a maior briga
de todos os tempos.

Senão, esfrega esse corpo
redondo, macio e cheiroso no meu.
Que temos 4.327 maneiras de encaixar.

Como aquele jogo antigo,
de blocos de madeira,
imitando paredes de tijolo,
casas e torres.

Nós nos construimos,
com abraços e beijos.
Enquanto o relógio para de vez.
sem amarelo

é quando mais a gente tem certeza
que a seca nunca vai acabar.
e caem as primeiras gotas.
antes de vir o cheiro de terra molhada.
bem ali, na presença do milagre.

se, e quando, tu pensas em mim.
isso tudo pinta um quadro vivo

quinta-feira, setembro 27, 2007

Dor e Poesia

Porque tu sabes apertar os meus botões
E botar no sol minhas feridas,
Porque tu és o sereno que molha meu jardim com flor,
Vida, sempre tão suave e exata.

Porque eu faço questão de tentar esquecer
que alguém possua as chaves da minha solidão,

Tão perdido fico na tua presença,
Que só consigo pensar em deus.
( e ele devia estar morto há muito tempo);

Soberana absoluta do meu silêncio.
Do fio condutor do meu desejo.
Eis-me aqui, mais uma vez.

Os braços abertos como o outro.

Feliz por te saber parte desse sonho.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Nossas conversas
parecem hai-kais.
Diria minimalistas.
Pra fugir da dor.

Um olá como vai,
carrega mil sentidos.
Fora os omitidos,
pelas famosas entrelinhas.

E já estou sendo prolixo.

segunda-feira, setembro 10, 2007

todo fim de tarde
milhões de bebuns se dirigem aos butecos
em busca da risada perfeita.
não encontram.
ninguém jamais encontra.
Mas eles voltam todo dia.
Até que o fim se mostre.
E se mostra para muitos.
Antes de qualquer poesia.

O poeta louco vira pop star.
E aparece na propaganda
de detergente ou pasta de dente.
E você sentado em sua poltrona,
Entre um sorriso e um produto, pensa
Esse mundo está mesmo perdido,
O capitalismo selvagem delirante,
tem lugar pra todo mundo.
Um brinde ao sonho e a tudo
que não pode ser classificado,
embalado e pesado.

ainda...
Eu não sei de nada.
Não entendo.
Existe uma delicadeza na escolha das palavras que se assemelha a um carinho.
Um lento carinho nos cabelos.
Dedos abertos enquanto os negros cabelos deslizam suavemente.
Isso é um jeito de driblar a morte.
Pode se chamar poesia.

sexta-feira, agosto 17, 2007

No jogo da conversa
Somos dois,
Um chat sem fim.

nesse nosso xadrez de palavras
vão-se os véus
ficam os dedos cruzados

todos os movimentos
são cronometrados
pelas batidas do coração

existe sempre
a possibilidade
da frase perfeita.

Mas enquanto
ela não ocorre,
cada letra

é uma encruzilhada,
que abre mil
novas possibilidades

Eu intuo a tua jogada.
Antecipo meu desejo
E nego tudo no final.

Tu te mostras incansável,
Mostrando e escondendo,
Confundindo meu pensamento.

Até que num xeque-mate
Inesperado, eu derrubo meu rei
E perco o jogo feliz.

E lá se vai
Mais um dia
Longe dos teus braços.

Perto do coração?

quinta-feira, agosto 16, 2007

Eu queria ter a mão certa pra traçar no horizonte essa felicidade.
E finalmente ver com os olhos do coração tudo o que faz parte do meu caminho.
Mas mesmo na condição de falível humano modesto e nu.
Todas essas energias que atravessam meu coração,
Quando eu fico em contato com a tua,
Me fazem agarrar a mão da paz e me levantar daqui
E te dizer obrigado por tu seres tão linda
E mesmo não compreendendo a força disso tudo,
Ainda ter a serenidade pra te amar e te dizer.

domingo, agosto 05, 2007

nada te atinge, mulher
pico da neblina

solta essa fera
solta esse grito
que vem das entranhas

te amo, meu homem
meu macho de mil cabeças
vem me rasgar

vem que eu te dou outra vez
o meu brilho de árvore seca
meu gosto de romã triste
minha lágrima engolida em seco

aceita a minha faca nesse coração duro
meu perdão de menina que perdeu o pai
meu lampião quebrado

amém

quarta-feira, agosto 01, 2007

eu mexo nos lugares certos
é isso que te enlouquece

eu esquento, esfrio, falo sério, brinco,
te trato como uma putinha, uma santa

digo que te amo, te odeio,
tenho ciúme, exijo liberdade

sou um velho, uma criança,
quero teu corpo, tua alma,
depois fico distante

vejo filme, te chupo,
conto um segredo, te acalmo

digo que te aceito, digo que és impossível,
que eu queria um filho teu,
depois agradeço por morares longe

eu falei de mim
mas parecia um poema.

sexta-feira, julho 27, 2007

Introdução

eu fico te achando nos lugares, nos poemas, nos olhares.
eu te acho sempre nos bares, nas mentiras, nos ônibus escolares.
e se eu te perco, algum dia, sem querer,
sou eu mesmo que esqueço dos milagres.

Desenvolvimento

Gregory Corso

É melhor homem soltar longas palavras
E engolir as que um outro fala
Pois não é digno homem de palavra
Quem ainda por cima reclama
Que aquelas que comeu não tinham sal

É melhor homem deixar a fala
E não ter boca
É melhor que alguém, eu mesmo,
Repare em sua falta

Não é meu vocábulo
E já estou cheio dos seus
É melhor costurar-lhe os lábios
Cortar as suas orelhas sem ouvidos
Queimar o seu dicionário

É melhor
Que os seus olhos ouçam e falem além disso

(Sem Essa Palavra)

Conclusão

Espero que permaneça inconcluso por muito tempo.

quarta-feira, junho 20, 2007

no calor do meu degredo,
quero mergulhar no teu sagrado.
juntar cacos, refazer-me,
refazenda.
esteja atenta
ao movimento circular
das luzes da quermesse.
qualquer coisa que se tece,
na capilaridade do caminho.
vou deixando passos,
pinturas, segredos.
Descobre-me e devoro-te.

sexta-feira, junho 01, 2007

cadê tu, minha ilusão premiada?
cadê tua sombra na minha caminhada?
cadê o sorriso de canto de boca?
cadê essa tristeza rouca?

esperar tua chegada tem sido minha sina.
dia de chuva, frio, parado na esquina.

domingo, maio 27, 2007

Me tens sob teu jugo, és a rainha das minhas palavras vãs,
Sob teu olhar atento, divago, pássaro que voa nas manhãs
O que haveríamos de desejar, nesses dias repletos de esperança,
Mas sem a concretude dos sonhos realizados,
No parque, sozinha, brinca a criança.

Sabedoria de velhos amantes,
amigos que sabem ouvir e calar,
Tu me entregas o que tens de melhor,
castelo no lago amar.

Eu finjo que esqueço teus pequenos defeitos.
Eu fico pensando do que o amor é feito.
Eu te carrego comigo pelos bares da cidade.
Eu espero que compreendas essa imensa saudade.

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Meu amor, eu te procuro nesse mar de palavras e significados.
Tentando te fazer real,
nessa imensidão de informações que deixamos pelo caminho.
E de tantos desencontros permanece uma luz muito própria,
teu significado, tua entrega.

Não sabes como é viver sob a égide de não ter meios claros,
pra te trazer ao meu lado.
Não que eu ache tudo perfeito e acabado.
Conviver é sempre um desafio.
Mas estar ao teu lado seria muito mais fácil
suportar as agruras da vida.

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Eu queria saber porque tu provocas tanta coisa em mim.
Que eu fico aqui ecoando as tuas palavras.
Que tu dizes que queres dormir comigo
E ouvir o meu bom dia.
Tu sabes que essa é a extrema intimidade,
Estar entregue e frágil a quem está ao lado.
As tuas propostas são tão intensas e tu és tão bonita.
Uma combinação explosiva.

Me tens sob teu jugo, como dizia,
Mas vou tratar de me libertar,
Pelo bem de todos nós,
Mentirosa mulher que tanto amei.
diálogos sagrados, feitos de pó,
ali naquele espelho estou só,
não cabe vírgula nessa caminhada.

A flor do inconsciente que beija sua pétala no presente,
a lucidez do bêbado louco, que lapida sua verdade interior,
a preocupação com a pureza da criança,
que aceita a estranheza do mundo sem perguntar porque,
sinto imensamente a tua falta pra me ensinar novos mundos.

quarta-feira, maio 23, 2007

Amor à Distância

Sobretudo nos dias que a luz é fraca,
Abre-se ao olhar a delicadeza dos pequenos gestos,
Os silêncios que derramas desprevenida,
Diante da minha vontade, cheia de segredos,
E ficamos assim os dois a esperar pela felicidade,
Até que ela surge e fixa nas retinas,
A sua doce esperança vã.

Tu és a mensageira dessa outra liberdade,
Construída no cotidiano virtual,
Onde deposito o eu fabricado,
Por palavras e imagens escolhidas a dedo,
Pra não ser impactante demais
Nem deixar de ser percebida.

É um castelo feito de afirmativas puras,
Ali vivemos nosso idílio sem tropeços,
Tu, quando me contas das tuas dores,
Eu, quando me esqueço de ser ranzinza,
Até que um dia deixaremos de diferenciar,
O que é real, do que não nos pertence.

Por enquanto, conta comigo nesse espaço,
Pra te satisfazer os desejos e pudores.
Quem sabe um dia possamos nos conhecer.
E habitar outros lugares e sombras.
Finalmente plenos e carregados de luz.

terça-feira, maio 22, 2007

Eu sou o guardião das impossibilidades.
O santo padroeiro das frases feitas.
Mantenedor da instituição fantasma do trem (doido sô).
Band leader cover-flor mutante technicolor.
Krig-rá bandolo.
Para todo sempre, amém, amém, amém.

Eu sou o tipinho inútil que te ama.
O velho ranzinza que não desencana.
A rima de pé-quebrado que insiste em andar por aí.
Tudo o que não combina nessa casa.
O gosto confuso da manhã que nunca vem.
O hermetismo biográfico registrado com fogo na pedra.

E se nada aqui te for útil, flor hidropônica,
se nada te der frisson sináptica,
eu mesmo assim gozarei outra vez dessa tentativa descartável
de me fazer feliz no cercadinho das tuas atenções,
longe do mundo cru-el, jor-el, do superman, bush, fuck you.
Thank you, thank you, thank you.

sexta-feira, abril 27, 2007

E ao som dos menudos: “não se reprima, não se reprima”, ela se abriu.
E avançando contra seus princípios religiosos, ela confessou: " sou tua".
E eu, poeta vagabundo, fiquei mais sóbrio diante da vida.

quarta-feira, março 14, 2007

Vem conhecer meu não, cravejado de sims,
Vem mastigar minha ambição e cuspir o meu desejo.

Sapateia na minha dor,
como se ela sempre tivesse sido tua.

E quando eu der meu grito de independência,
fecha a gaveta e dá uma risada.

Com tuas muitas receitas, vais encaixando meu não estar,
até que eu possa ser mais uma abelha conformada.

Eu vejo de longe os teus caminhos e desacertos,
carrego a expectativa de quem está no ponto, esperando.

Eu sou teu, mulher do sonho,
apesar da total inutilidade desse amor.

Um milhão de beijos agradecidos,
pelo que nós nunca iremos viver.

Te amo virtualmente para sempre

Amém
Em cada pequena alegria da vida,
uma refeição mais gostosa,
um por do sol na praia,
uma música surpreendente,
falta-me a possibilidade
de compartilhar contigo.
E, sinceramente, sou pela metade.

Ao compreender um pouco mais,
os mistérios da vida a dois,
tu me proporcionaste novas alegrias,
que não consigo deixar pra trás.

Mesmo sabendo da impossibilidade da tua volta,
queria que soubesses que dentro de mim,
continuo te buscando pelos dias e noites,
para mais uma vez ser completo.

Dentro do teu sorriso,
flor da minha certeza.

terça-feira, março 06, 2007

Fosse anzol, formão ou bisturi,
mas papel e caneta é tudo o que tenho aqui.
Tudo muito artesanal,
cada palavra no seu local.
E tu me pedes dois poemas,
como se isso não trouxesse problemas.
E ainda sem emenda,
tudo por encomenda.
Habituado ao fluxo natural da vida,
não conseguia encontrar uma saída.

Mas, lá vai:

Tu és a sombra pro meu burro pastar,
poço pro meu camelo beber,
galho pro meu pássaro aninhar,
rio pro meu peixe crescer.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Alguém aí, faz o favor de entender,
porque é melhor me fazer de contido,
porque o meu grito é descabido,
porque eu sou o filho da discórdia,
e cada verso meu, deve permanecer escondido,
porque eu sou o mal resolvido,
o que não acredita na força da família
e a cada passo condena sua cria,
o que não vê, não ouve e está sozinho,
afastando toda a possibilidade do ninho,
deveria ser jogado fora, sem demora,
pois não acredita na danação final,
aquele que está calado diante do bem
e mais ainda diante do mal.

Esse sou eu e te propõe num dia,
o resultado de toda a euforia,
e acordaria intacto, num sorriso,
isso é tudo o que eu não preciso.
Adeus então, mais uma vez, amada,
sejas a última abençoada,
com minha voz de poeta ateu.
Daquele que sempre foi teu
e jamais acreditou na tua sina
arrancando a voz dessa outra menina.

Te amo, obrigado, até nunca mais,
em nome desses outros animais,
fica a minha palavra escrita,
é uma força de quem acredita
que um dia seremos um.
um beijo, um abraço, clac, bum.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Nietzscheana

Eu te revi na entrelinha de um poema,
sentada numa cadeira de sol.
Eu suspirei teu nome no limite perfeito
entre o desejo e o medo.

Não fui eu e acreditei numa mudança.
Não fui eu e aguardei uma resposta.
Não fui eu e lembrei daqueles dias.

Eu te aguardarei, pelos outros que virão
e já meio alquebrado, calvo,
serei mais uma vez o fiel portador
da armadura prateada.

Até que me consuma a imensa vontade de te ter,
impossível desde sempre
e eu desapareça da tua vida
por outros tantos anos.

Eterno retorno do grande amor.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

La Flor de Mi Secreto

Com que grande gesto de amor
queres que eu tente te esquecer, vida minha?
Como num bolerão, dançado cheeck to cheeck,
num filme do Almodóvar?

Mas nos meus sonhos vespertinos,
eu pressinto tua volta, sala adentro,
toda sorrisos, cumprimentarás a família,
até que, olhar cúmplice, me darás tua mão.

E eu, cego, surdo e mudo, desperto,
olho a porta que nunca se abriu,
suspiro profundamente mais uma vez
e aguardo o próximo tac do relógio.

Inexorável, impiedoso, fatal,
tempo longe dos teus braços.
Puro bolerão num filme do Almodóvar.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Ainda que estejas distante,
sonho bom que passou na minha vida,
quero te desejar daqui pra diante,
toda alegria e felicidade, nesta data querida.

O poeta vê seu amor escapolir entre os dedos.
Tenta reconstruir o caminho nessa longa jornada.
Carregarei comigo este lindo jardim de segredos,
onde vivem as horas luminosas em que foste amada.

Obrigado, querida Carlinha, por ser personagem principal na minha peça.
Por todas as gargalhadas, pela força quando fui triste.
O desejo de te dar abraço e beijo, não há quem meça,
esperança que carrego, alegria que insiste.

Parabéns pra você, baixinha do meu coração.
Se eu soubesse rezar, faria aqui uma prece,
pra veres teus desejos virarem realização,
desse, que do teu carinho nunca se esquece.

sábado, dezembro 16, 2006

Eu vou sacrificar meu coração na pira do amor.
Nesse fogo sem perdão, abandonar qualquer pudor.
Vou deixar essa canção e aceitar esse calor.
Viver essa pressão, dizendo uns versos sem dor.

E nesse dia claro, enfim querer o infinito.
Deixar nesse jardim, o dito pelo não dito.
Sabendo que está presente o dia do aflito.
Dispensar o silêncio, ouvindo o apito.

Pessoa hiper criativa, tem resposta pronta.
Sabendo do segredo, não faz muita conta.
Parece que é tranquila, mas tem vez que apronta.
Diante da injustiça, não aguenta e afronta.

domingo, novembro 19, 2006

Já não desejo mais pular aquele muro.
Já me sinto satisfeito de ouvir o mesmo velho blues.
Fico feliz em comer a tradicional salada.
Pegar o mesmo ônibus, que para no velho ponto.
Estou satisfeito em saber que nada mudou.
Vai chegando o natal e o papai noel vai dizer hou hou hou.
Então porque será que me incomoda
Tu não atenderes o telefone
Num domingo chuvoso como esse?

quarta-feira, setembro 06, 2006

tu és o gato, eu sou o peixe no aquário
eu sou o analfabeto, tu és o dicionário
eu sou o garfo, tu és a sopa
eu sou o carro velho, tu és a cera e a estopa
tu és a floresta, eu sou o turista estrangeiro
tu és as flores, eu sou jornal velho no banheiro
eu sou a manta de lã, tu és pleno verão
eu sou os que nunca serão, tu és os que deverão
tu és o jô , eu não sou do sexteto
tu és vegetariana , eu sou o espeto
tu és a orquestra sinfônica, eu sou o surdo mudo
eu não sou nada, tu estás com tudo

quinta-feira, agosto 31, 2006

pé ó pé, ante pé,
parece fácil mas não é.
Sustentar e caminhar,
responder e dançar.
Se cair e te ferir,
pé ó pé ante pé,
não percas a fé.
Pois a lição que me ensina,
querido pé de bailarina,
é começar tudo de novo,
para os aplausos do povo.
para o pezinho ferido da Sueli
Repousa-te quieta nos campos do silêncio

e derrama sobre a terra mais um impronunciável segredo.

Sempre que esta luz estremecer meu medo,

culpo-te por seres sem saber sê-lo,

grande amor que foge entre meus dedos.

terça-feira, agosto 29, 2006

É pena que por trás desse lindo olhar,
Olhar que antecede a chuva,
Olhar que mergulha a gente numa saudade
De gente que a gente nunca viu,
Olhar que responde mil dúvidas
Que a gente não sabia que tinha,
Olhar que mostra o caminho
No mapa do país chamado amor,
É pena que por trás dele
More uma mulher malvada,
Que deixa a gente a sonhar,
Porque não resta
mais nada mesmo nessa vida,
Depois de mergulhar nesse olhar.

domingo, agosto 27, 2006

(momento sertanejo pagodão)

será que vai chegar o dia
que não vai ter mais nada pra dizer
será que eu vou ser mais um
conseguir enfim te esquecer

levar a vida numa boa
sem tua alegria pra me embalar
saber que tudo vale a pena
encontra alguém para amar

olhar pro passado e ver
esses dias de sofrimento
como parte de uma estrada
que trouxe grande crescimento

carregar essa lembrança
não está sendo fácil não
parece que estar sozinho
está afundando meu coração

tudo parecia simples
não havia vaidade
só restamos agora
eu e essa tremenda saudade

quinta-feira, agosto 17, 2006

Um dia sem te ver é um dia perdido.
Porque tu és a luz da vida lá fora que atravessa minha veneziana quebrada.
Porque tuas palavras constróem o ninho que todo dia precisa ser refeito.
Porque saber como foi teu dia me conforta e anima para os próximos.
Um dia sem te ver é um dia jogado fora.
E o dia de te rever é o que vale por todos os outros longe de ti.

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Um dia longe de ti é como o dia em que a flor não recebe a visita do passarinho.
O guarda não dá nenhuma multa.
A freira não comete nenhum pecado.
O pescador não vê nenhum peixe pulando fora da água.
A mãe não beija seu filho.
O hacker não invade nenhum site.
O poeta não encontra nenhuma palavra pra falar do amor.
É um dia sem graça, sem dança, sem liberdade, sem ar.

quarta-feira, junho 21, 2006

Uma vaga pra estacionar,
na tua sala de estar.
Chá com bolacha,
torcida uniformizada,
gente amiga reunida,
pérolas de otimismo,
tanta criança sorrindo,
um dia te surpreendo
com minhas boas intenções.

Por enquanto fica
sabendo
que
ganhar dinheiro
com poesia,
é coisa de iluminado.
O resto segue assim assado.
Vinícius à parte,
Homens são de marte
e eu não entendo nada
de guerra.

sexta-feira, agosto 12, 2005

Eu não gosto de tribo.
Eu não sou da sua clã.
Se você fosse o rei do rock,
eu não seria seu fã.

Você precisa de público
e eu sempre fui privado
de qualquer possibilidade,
de andar ao seu lado.

Sai pra lá ego murcho,
eu não quero pressão.
Ando desconfiado,
que a morte anda ao meu lado,
com um sorrisinho disfarçado,
esperando o momento adequado,
pra me dizer não.
Eu e minha concha,
estamos de mudança
Eu e minha janela,
perdemos a esperança.

Queremos silêncio.
Queremos o mar.
Queremos um jeito novo de amar.
Sementeira

Se há mentira,
sê minha, tira,
de vez, de mim,
tudo o que me faz capim,
não fruta ou flor.

Tudo o que não,
todo o desamor
desse meu coração.

Se contudo,
eu me iludo,
faz-me tudo,
mas não deixa nascer,
senão depois,
morrerá inútil,
aquela semente fútil,
filha da vaidade,
prima da infelicidade,
mãe que só faz sofrer.

terça-feira, agosto 02, 2005




a minha cabeça tem dado novos contornos à saudade.
agora dei pra te encontrar em pessoas na rua.
mesma altura, cabelos negros, jeito de caminhar.
sobressalto do coração, sorriso nervoso e a decepção.
não, não eras tu,
mas o meu desejo de te saber por aqui.

terça-feira, julho 19, 2005


Alguns deles me dizem que vai passar.

Outros me garantiram que vou levar tudo isso vida afora, mas que com o tempo acostuma.

Eu sei cada vez mais, que ela sempre foi o meu melhor público.

A risada e o choro me empurravam além, um pouco mais criativo, um minuto mais de experiência.

Mas ela se foi e agora carrega o filho dele.

E a vida ficou insuportável a maior parte do tempo.

Nas noites frias do inverno aqui no sul, então, uh lalá.

Pra não viver o tempo todo chorando e me lamentando,

Pra não ser ainda mais chato do que costumo ser,

Invento maneiras de fingir que vale a pena continuar vivo.

Chamo isso de auto-ilusão.

A que mais me acalenta na hora do desespero, amada,

É sonhar que um dia a gente ainda vai ficar junto.

Que a tua escolha em ficar com ele, não foi bem uma escolha,

Mas uma espécie de pressão que o mundo fez.

E naquele momento te pareceu a que menos te faria sentir dor.

Mas lentamente teu olhos se abrirão (esse é a minha auto-ilusão preferida)

E tu descobrirás que ficar ao meu lado é a única forma de felicidade autêntica,

Nesse planetinha azul, nem que seja quando tu estiveres velhinha,

Com teus cabelos brancos e cercada dos netos que tu tanto sonhas.

De mãos dadas comigo, olhando o dia terminar, chorando de felicidade, em silêncio,

Achando que viver valeu a pena.

Nilo Neto

Floripa, 19 de julho de 2005

sexta-feira, julho 08, 2005

(do orkut)

gracinhas do macaco louco

mensagem:

Umpoemicofeitonahora pensandonasenhora

eia

saboreia
incendeia
tá na veia?

Agora a teia.

sexta-feira, abril 15, 2005

Desarmada a calma,
que conforta a alma,
sobramos nós.

Eu e eu,
mergulhados no infinito.
Sombra do conflito.
Vórtice do engano.

Verso sem plano.
Outra indignação.
Afogado coração,
eu te reflito.

Mas não te contenho.

segunda-feira, abril 11, 2005

realmente o que revela,
a verdade do olho, é a ramela,
o deseja da morte, é a sequela,
a força do vento no mar, é a vela,
o sonho interrompido, é a cela.

terça-feira, março 29, 2005

outro mesmo amor

Nilo Neto
Naquela noite,
a gente pulou,
dançou,
sorriu,
fez da vida
um filme.

E do meio do nada,
ela me perguntou:

- Qual seu último pedido
antes da morte?

E eu disse:

- Um certo sorriso...

E choramos abraçados.

E o dia chegou
sem mentiras.

terça-feira, março 01, 2005

Cartas ao teu vulto

Meu amor, silenciosamente enlutado.

Meu coração tem usado chapéu e sobretudo,
nesse eterno dia chuvoso e frio,
que sucedeu tua partida e está se repetindo,
num moto-perpétuo de: dor, solidão , abandono e desesperança.

Mas o que eu tento te dizer,
já nã faz sentido nenhum.
Estou preso numa bolha congelada de espaço-tempo,
quando estávamos juntos e felizes.
Hoje resta este imenso derramar de mensagens
que não obterão resposta.
É como escrever a uma pessoa que já não está viva.
Mas numa psicografia às avessas,
não encontra um médium no lado de lá.

Gritos no vácuo.
Auschwitz e Chernobyl.
Terra do Fogo, o lado escuro da lua e
certas noites nas ruas do Desterro,
vento sul e medo das bruxas.

O inferno de todo dia está ficando intolerável.
E agora eu sei que estou chorando
porque tenho que matar alguma parte do meu sentir,
do meu coração, para poder sobreviver.
Esse tipo de sentimento não é charmoso nem poético.
É pura pedreira.

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Deus me livre
de ter compostura,
de ser de família
e de errar na mistura.

Livrai-me, Senhor,
de ser solícito e polido,
de ser intolerante
e de viver enrustido.

Valha-me Nossa Senhora,
não quero uma vida regrada,
pagar imposto, ser decente,
ter sogra e empregada.

Pai, afasta de mim,
a fidelidade partidária,
o dízimo, o terço e o pecado,
ser uma pessoa gregária.

Cordeiro de Deus,
não sou mais criança.
Tirai-me do lugar de juiz,
deixa eu viver de esperança.

Se tudo na vida tem preço,
eu nasci sem trocado.
Ou acerto logo no milhar,
ou deixo o bicho de lado.

sábado, fevereiro 19, 2005

a poesia que me interessa,
não tem pressa
de se fundir no meu eu.
não se perdeu numa esquina,
por qualquer menina.
não está pra qualquer um
no bafo de um bebum.
vive quieta e aguarda o momento.
de virar acontecimento.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

o som de dezenas de sapos na barra da lagoa da minha infância.
o cheiro do café passado, avisando que o dia virou noite,
o gosto da tua língua lambendo minha boca, meus dentes e segredos.
Eu beijei,
lambi,
cheirei,
mordi,
chupei,
desejei
e amei

cada pedacinho
desse teu corpo.

Isso me faz
ter orgulho
e felicidade,
de ser quem
eu sou.

E faz
meu despertar
mais doce
cada manhã.

Porque haveria
de ser
de outra
maneira?

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Deixa eu ficar triste.
É carnaval, eu sei.
Mas é que ela foi embora.

Eu saí no bloco da saudade.
Eu sou do bloco do eu sozinho,
Na avenida.

Deixa eu chorar um pouco mais.
É que eu sinto falta das mãos dela.
Do jeito que ela dizia meu nome,
Na hora de desligar o telefone.

Nós dois somos de mundos
Tão diferentes.
Mas o amor, esse inclemente,
Deixou a ilusão da felicidade,
Jogar sua rede em mim.

Quando o telefone toca,
Ainda acho que é ela.
Não há mensagens novas.
Nem no celular,nem na Internet.

Ela me faz uma falta dos diabos.
E eu não aprendi a esquecer.
Estou preso pra sempre.

segunda-feira, janeiro 24, 2005

musa confusa

Nilo Neto
na mata virgem dos teus olhos,
meu caminhar urbano foi motivo de riso,
de 7.534 espécies de insetos,
sem contar os peludos e os voadores.

mesmo que eu quisessse
te dizer qualquer coisa,
fingir que te perdoava ou esquecia,
tudo estava definitivamente
fora de foco.

mas eu continuei ali.

hoje, guardado no silêncio
da minha tumba ancestral,
os escritos sobre minha passagem, mudaram.

E velhos brancos do velho continente,
vem tentar respirar a eternidade impossível
dos que nunca amaram como te amei.

O último homem a morrer de amor.

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Hoje de manhã eu quis a morte.
Não essa morte rala
Feita de todo dia.

Mas uma que me pegasse assim
De peito aberto, gritando:
Vem, vem que eu agüento.

E eu não agüentasse.
E caísse com a cara no chão.

Hoje, mais cedo, eu quis a morte.

Nada mais dessa vida opaca,
Essa infelicidade fraca.
Vida que não dá nem desce.

Eu e essa maldita ressaca
Que não desaparece.
Que homens conhecem
a verdade do amor?
Os que sobrevivem a si mesmos,
Por serem mais fortes do que a dor.

Seus olhos, de tanto chorar,
adquirem um brilho sem par.
Ainda que confrontados
pela possibilidade
Da mulher não lhes amar,
Agarram-se ao profundo
Exercício de acreditar.

E lutam o bom combate ,
e nada lhes afasta.
Sabendo do que sentem,
o grande amor lhes basta.

Na verdade outra língua,
parecem compreender.
Deixando que essa certeza,
passe a lhes pertencer.

Estando em pleno dia,
aceitam anoitecer.
Se vem chegando a saudade,
e toma conta do seu ser.

A esta tropa aguerrida,
Dedico esta canção.
Aos homens de verdade,
Com amor no coração.

Que nunca lhes falte fé,
Nem forças para lutar.
Mesmo nos dias difíceis,
Saibam viver e amar.

sexta-feira, dezembro 17, 2004

O que é feito de mim sem as tuas mãos,

É que o meu aleijão fica mais saliente.

Meus olhos menos transparentes,

Vida sem água de beber.



O que é feito de mim sem as tuas mãos,

É que meu mundo fica muito maior que meus sapatos

E me aperta ao respirar. Como se o sol morresse

E todas as dúvidas fossem enxurradas de verão.



O que é feito de mim sem as tuas mãos,

É que segredo nenhum apaga a dor

E os passarinhos todos perdessem os galhos;

E eu fosse mais um andarilho sem estrada.



O que é feito de mim sem as tuas mãos,

É que meu corpo já não se reconhece mais

E a casa toda fosse um leprosário ou hospício,

Onde a liberdade estivesse perdida pra sempre.



Sem tuas mãos perco toda a possibilidade do equilíbrio

Nessa corda bamba que é a vida.

Rede de segurança? Nem sei se existe.

Caio sem parar num choro sem lágrimas, nem fim.



Por favor mãos amadas, perdoem este poeta,

E voltem a gravitar no meu infinito,

Sem teu calor, nada faz muito sentido,

Sem tua força, prefiro fenecer sem destino.
É de um teor tão violento
O tipo de dor que ora me transforma,
Que passa a fazer sentido,
A existência de muitos seres,
Antes incompreendidos por este
Poeta menor.

Eu peço aos deuses da vida
Que não me abandonem
Nessa escuridão,
Mas que, percebendo
Minha agonia,
Que ainda me parece descabida,
Enviem-me um sinal claro,
Da indestrutibilidade de meu coração,
Eterno navegante de mares tempestuosos,
Mas que nesse momento,
Frágil casca de noz no oceano imenso,
Sinto a soçobrar,
Num naufrágio inevitável,
Ante as forças que o desmantelam
Lentamente.

Eu digo, tende piedade de mim amada.
Não busca apenas o que te deixa seca.
Lembra dos dias de arco-íris.
Não pretendo ser o sem culpa, nem o carrasco.
Apenas desejo compreender essa dor
Como o começo de outra felicidade.
De tudo isso sobraremos em arte,
Nunca somente as lentas lágrimas
Que aquecem nossos rostos inocentes.

Eu até posso tentar compreender
Que o teu conceito de felicidade a dois,
Passe pela noção de fidelidade.
Mas também precisas compreender
Que no meu mundo, nada disso é o principal,
Mas a terna compreensão e o perdão,
Regado a muito sonho realizado.

Hoje, mais do que nunca,
Compreendo o velho safado (Bukowski),
Quando dizia que o que o livrava
Da loucura e da morte,
Era a luta com as palavras,
Executada todos os dias,
Depois de longa jornada cumprida.
A mim também resta a poesia,
Depois de todas as grandes dores,
Sejam elas permitidas ou rebeldes.
Salve, grande senhora,
Pousada no ombro dos homens
Que carregam uma dor sem nome.

quarta-feira, dezembro 15, 2004

Então tá certo, criança
Acabou nossa canção.
Morreu vítima de vingança,
Que encheu logo sua pança,
Com os ossos desse amor

Agora vem logo juntar
os cacos emocionais
que deixaste pela casa.
Tuas histórias tristes
De menina abandonada.
Teus segredos brutos,
Que te fazem ferir,
Por medo de ser ferida.

Perdoa esses lamentos.
Foram dias tão intensos,
Mil aventuras e testes.
Deixaste esse homem,
Um pouco mais descrente.
E bem mais ligado.
Minha próxima vítima
Não saberá da tua passagem,
Nem daquilo que faço.

Perdoa minha raiva,
Fiz o que pude por nós.
Se não nos bastou,
Esse desejo,
Fica aqui meu legado.
Leva três quilos de abraços e
Uma pitada de beijos.
Seja feliz com quem quiser.

quinta-feira, julho 08, 2004

Eu te amo de um amor caudaloso
E a vida me pede calma
Ruiu o muro que escondia
A paz, da minha alma.

Está de morte, Narciso, ferido,
A vida engoliu-lhe o grito.
Vago olhar, para sempre perdido,
Com seu fim, despertado outro mito.

Quando enfim, na terra ressecada,
A semente espalhou sua cor,
Nossa pena, enfim resgatada,
Transformou-se pela lágrima de amor.

Vai narciso, descansar de tua sina, enfim.
Vem minha flor, o tempo é perfeito.
Larguei a cruz no meio do jardim.
Minha alegria já não cabe num só peito.

Nilo Neto
FLN 7/7/04
O mar,
se fosse mulher,
seria a mar.

Nilo Neto

segunda-feira, junho 07, 2004


ok
olinoten@tutopia.com.br
A Mar Cord

Eu te desperdiço, como quem crê na eternidade.
Deixo de ouvir o canto da manhã,
por causa do barulho de engrenagem,
aqui dentro dessa minha cabeça.

Daí fica tudo parado.
Daí fica tudo muito parado.

Mas esse transbordamento de sims,
molha de vez as areias dos nãos.
E sigo então achando que está tudo perfeito.

Tem coisa que não se pode
ter de mais nem de menos,
como estar perto dos aliados.

É sempre a justa medida,
É sempre a justíssima medida.

Nilo Neto

quarta-feira, maio 05, 2004

se eu me descuido,
nessa calçada cheia de limo,
nessa conversa assim mansinha,
nessa tua gargalhada que chacoalha o sino,
vou ficando assim meio mole,
fico derretido no sol,
fico facinho.

eu lambuzo a tua boca,
eu escorro em cada olhar,
eu nem sei bem o que acontece,
sei que é bom,
sei que não devia
te amar assim.

gostar do teu cheiro,
da tua feminha,
desse cabelo que parece uma crina,
desse olhar cansado do mundo,
dessas idéias que estão nas nossas cabeças,
dessa sintonia sem palavras,
que a gente fala sem parar,
mas não consegue tapar.

quero agora os lençóis frios da tua cama,
quero teu corpo lento sobre o meu,
quero um gole de vinho, sentado na calçada,
fim de tarde naquele passo fundo gelado.
quero ser teu.
mas bem lá dentro eu sei
que nunca mais.
porque esse tipo de amor não morre,
não desbota e precisa ter cuidado.
senão a gente escorrega.
e aí...

bom, aí já viu né,
vem aquela vontade de ficar junto,
vem o medo de ser atropelado pelo mundo,
vem a angústia e o tesão,
vem a sobrecarga
e a explosão.
e dor aumenta muito,
porque a vida longe
é sempre mais pesada e lenta.

mas é sempre bom
falar contigo no telefone.
Alô?

segunda-feira, maio 03, 2004

Dois pequenos segredos sujos,
Estavam jogando a velha dança,
Que um dia foi de guerra:
Capoeira de angola.

A peste,
Em seu cavalo com cascos de veludo,
Instala-se naquela casa,
Até que a dor
Acorda os que já morreram.

Na sala de estar
a família silenciosa,
Assiste às dores de outras,
Na grande tela colorida da TV.

Alguém troca o canal?

Nilo Neto

Desterro, 3 de maio de 2004