domingo, fevereiro 20, 2011
qualquer coisa que ela toque,
qualquer sonho dela,
qualquer jeito dela pegar a caneta,
qualquer sobra de pizza dela,
qualquer lágrima em filme meloso,
qualquer tango,
qualquer samba,
qualquer roquenrou.
tudo isso me faz saber
que sou mais triste que o poetinha,
porque não estou com ela
quando escrevo esse poeminha.
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
que me toma pela mão
nessa noite fria de verão?
quem é essa que me chama
de meu homem, meu amor meu chão?
ela me fez cativo
da pena final
ela é minha sina
meu código penal
quem é essa dona
que mora no meu coração
que me olhou desse jeito
como se me conhecesse
melhor que minha mãe?
quem deixou que ela me achasse
nesse mar de iniquidades
nesse vale de lágrimas
e que sorrisse pra mim
como se o fim do mundo
nunca fosse acontecer
e sem promessas vazias
me pediu tempo pra descobrir
o que fazer comigo
pra me carregar no colo
quando a tempestado vier
e ser meu porto seguro
depois da guerra do dia a dia
ela me perguntou,
como só quem tem coração de criança faz
o que voce quer comigo?
e eu relutei
eu finalmente emudeci
então disse
eu quero viver um grande amor contigo
e ela acreditou
e hoje estamos de mãos dadas
aguardando a nave
que nos levará
de volta para o infinito
quem é essa mulher?
quem é essa deusa viva?
quem é essa passagem pro paraíso?
eu agora estou vivo
eu
não
estou
mais
sozinho
posso respirar
posso te amar
posso me aninhar
posso enfim morrer.
quinta-feira, fevereiro 17, 2011
terça-feira, fevereiro 15, 2011
parole
como uma pomba atravessando uma floresta em chamas
amo como um surfista olhando o mar num dia sem ondas
eu te amo como a barata olhando o chinelo levantado
eu te amo como uma sombra sem dono
como uma mãe que reencontra o filho perdido no shopping
amo como um dia de sol no deserto
eu te amo como a fruta mais doce colhida no pé
eu te amo todo dia
e passo o tempo procurando palavras novas dentro de mim
pra te dizer que te amar é fácil
como nascer de novo
domingo, janeiro 09, 2011
sexta-feira, janeiro 07, 2011
numa tarde amena,
que eu sou o pai de mim mesmo.
E que todas as possibilidades do caminho,
fui eu mesmo que inventei,
quando era capaz de uma inocência
sem fronteiras.
Quem dera eu poder te abraçar
e me diluir na paz desse amor.
Desfraldar a bandeira da ausência do ego
e mergulhar na tua candura mais secreta.
Eu bem que mereço ser feliz um dia,
mas tudo isso não pertence ao tempo.
Eu sei que estás protegida.
Eu quero cantar essa versão do meu nunca,
mas agora vou descansar,
sob a sombra das flores insuspeitas
e morrer outra vez:
aqui jaz um homem esquecido de si.
quarta-feira, janeiro 05, 2011
com que sede,
eu te retribuo.
Desmarcando a hora,
embaralhando o acertado,
cuspindo fora a regra,
talhando o leite...
Eu não tô rindo,
nem acho engraçado.
Não sei explicar,
mas entendo.
O pescador
chama de cerco,
mas hoje
não tem tainha
pra você.
Eu já sabia que ia dar nisso,
mas não desse jeito.
Não conhecia uma mulher
tão parecida comigo.
E continuo sem conhecer.
Nilo
Mas agora quem habita
essa conduta vã,
não mais acredita
nos princípios.
Como naus
que voejam pelas causas
outrora certeiras.
Não há mais maneiras,
somente o caminhar.
Precipícios, desejos, beiras,
estar poeticamente no mundo,
imperceptível claudicar,
furúnculo na crosta de tudo.
Expressão dessa desesperança
que já não sabe ser má, nem boa.
Terra infértil que se desboroa.
Velha cantiga que pensei tatuada,
agora borrada e sumindo,
com a chuva que cai,
na pele dos meus sonhos mortos.
terça-feira, dezembro 14, 2010
quinta-feira, dezembro 09, 2010
É sempre esse caminho arenoso e só.
É sempre esse deserto cercado de eus.
Sombras de desejos não realizados.
Dores tão secretas e agora à flor da pele.
Mas ela me estica a mão e me fala
de uma caverna encantada
aonde somos felizes sem saber.
Aonde reina o silência feito de paz.
E assim mais um dia fica possível.
E assim consigo dormir.
E não me dói tanto acordar.
Senão para sonhar com esse dia.
Ela não sabe o destino.
Mas me anima a caminhar.
Nilo Neto
no amanhecer de um dia dezembrino 2010
terça-feira, novembro 30, 2010
esquecida de chorar,
seus pés vão desenhando no chão estrelado,
a canção do amor maior
não existe canção,
não existe palco,
não existe luz
existe a sombra do desejo
de viver outra realidade,
longe das amarguras da rotina,
do apego
mas tudo não passa de um sonho
e ela se vai na dobra da luz da lua
e recai sobre nós a verdade fria da distância
adeus meu amor.
sexta-feira, novembro 12, 2010
Ao mestre Lao Tsé, pelos silêncios per(feitos) de nada...
Quando a mais minúscula chama,
inflama a maior floresta,
toda calma que distrai a natureza,
transforma a figura mais ligada na trama.
Desconstrói a moleza da lama,
cria a toca secreta do caranguejo.
Deus branco encantado na areia,
desaparecido no mimetismo de pertencer
ao maior complexo ZEN destino,
dissolvido na neblina da montanha.
Despertar um outro,
o camaleão na frente do espelho.
Não mais o verde, azul, vermelho.
Somente a sombra da última dimensão.
Não mais o sim e o não,
tribo da redenção,
desgosto do pai e patrão.
Tudo que deveria ser e sua velha família,
desaprendida de seguir a trilha,
a velha montanha desconhecida,
agora sim, descoberta e acesa,
tudo o que se faz sobre a mesa.
A mais secreta flor agora deposta e calada,
tem outra fachada, outra entrada, outra alma sagrada.
Esse é o destino do mestre em busca da imortalidade.
Sua alma já não comporta outra vaidade,
a não ser a de estar vivendo a vida do homem comum.
Ser mais um, mais uma e mais um.
Filhos, casa, imposto e lugar pra cair morto.
Fantástico desprendimento,
atento, seu pedido foi ouvido pelo pai,
vai em paz, segue o teu caminho, meu filho,
porque a tua sina é o meu carinho...
E assim está sobre o mundo sem ser visto
tudo o que ele havia previsto,
ainda menino, nas suas andanças paradoxais,
nas terras dos velhos cães e pardais,
do mestre lontra, do seu avô nadador,
da cidade perdida, atrás de outro contador de histórias.
E assim sua velha calma retornou e ele feliz,
distante da cansada e amada meretriz,
vai certo de que sua luz anda como sua sombra...
Toda onda agora, resumida ao tao,
ao símbolo escrito em seu coração,
ele agora é todo feito dessa velha canção,
que tantos ainda não conseguiram compreender.
Mas ele não precisa mais se defender,
simplesmente está atento, olhos abertos, mas sem desejar,
sem sonhar, sem querer outra folha aberta no seu livro,
feito de imagens, contando, cortando, implantando outras vaidades,
outras saudades, outras diversidades,
apenas crê que nada aqui tem fim.
Sabe que a morte é mais uma estranha ilusão,
como o tempo, a liberdade e a solidão.
Toda sua mente está clara e silenciosa.
Nada mais lhe apresenta essa custosa citação,
do velho senhor que morava na montanha,
que desceu e questionou a presença do pater familiae,
aquele que não interfere no processo,
o sem nome dos sem sucesso.
E nesse momento enfim,
cumpriu sua sina e fez outro fim.
terça-feira, novembro 09, 2010
La meme chose
es la mesma cosa
que se entrelaça na lousa
dos que respiram em paz.
e nada mais
concentra o mar de riso
senão o dente conciso
a razão que vem como o orvalho
de manhã sobre a flor despercebida
assim quero o meu amor
sobre a tua vida, vivida,
nessa caminhada de jasmim...
a jornada cantada no grito primordial
não existe o bem, nem o mal
estamos finalmente despertos no desapego de viver
juntas almas, nada calmas,
ansiosos por construir a torre
final do castelo
yin azul, yang amarelo.
nilo neto
desterro
primavera de 2010
quarta-feira, outubro 20, 2010
A partir de hoje,
habitará em teu coração,
meu amor silencioso,
obsequioso,
dadivoso e
coberto de paz.
Não espero dele
mais que um repicar
de sinos,
numa igreja perdida
de cidadezinha
do interior.
Justamente
às seis da tarde
eles me lembrarão,
que em algum lugar
também teu coração
bate por mim.
E se nossos destinos,
escritos no livro de ouro
dos grandes encontros,
não passarem de
uma miragem
nos desertos da vida,
saibas que naquela
noite de lua cheia e vinho
foste minha
e eu, somente teu.
Amor que não transbordou
da taça dos desejos,
mas preencheu
meu coração vadio
de alegria e acolhimento.
Agora volto a navegar,
porque esse é meu mistério:
não pertencer a nenhum
porto seguro.
Mesmo sabendo que
cada um deles
é semente.
Uma parte de mim
que um dia,
filho da fé de ser um contigo,
há de se metamorfosear
em sombra
para os buscadores
solitários
que amam
demais.
quarta-feira, agosto 25, 2010
O grito, a vã necessidade,
A clara ausência da verdade,
Que derrama, na lama do vulcão.
Eu nela estava calado,
Um verso, reverso encantado
Essa boca maldita,
Na noite que grita,
Arrebentou a represa colorida,
Dessa vida e da outra, sentida.
E nesse nada eu mergulho feliz,
Por um triz, eterna meretriz
Dos meus versos ateus.
Que um dia serão teus.
Mas agora estão no mundo,
Esse meu amor vagabundo
Nada mais espera senão,
O amor sincero do teu coração.
eu quero morrer
eu quero acordar do teu lado
agora
sopa de ossos,
moídos, moídos, moídos,
moídos em mim
vou fazer a banda tocar
debaixo da tua janela
e calar os gatos no cansaço
miados inúteis
do teu, do teu, do teu
do teu coração.
E nas minhas veias abertas
A dose perfeita do amor
Vai entrar nesses segundo
1, 2, 3 ...
adeus
quinta-feira, maio 13, 2010
só não leva o vazio, que canta na chama
do teu calor, me aninhando no cio.
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quarta-feira, abril 21, 2010
sexta-feira, março 26, 2010
sexta-feira, março 19, 2010
quinta-feira, março 18, 2010
segunda-feira, março 15, 2010
domingo, fevereiro 21, 2010
mais um amor natimorto.
Sufocado pela terra tremendo,
sem encontrar seu porto.
Se ela soubesse
o calor do meu beijo,
quem sabe viesse
ver a sorte no realejo.
Mas não tem nada,
fica o dito pelo não dito.
Sem olhar pra trás,
estou fora desse conflito.
sábado, janeiro 16, 2010
braços abertos, sorriso franco, ela se projetou pelo espaço afora.
eu poeta menor, supus-me soprando virtudes nessa breve construção.
haja porto seguro pro meu coração...
quinta-feira, outubro 08, 2009
Sabe,
tinha um sinal secreto,
Que a gente havia combinado
Pra fazer quando alguma coisa
Desse errado e
A dor tivesse afogado o prazer.
E o ar tivesse todo ido embora,
As lágrimas secado,
O poço tivesse ficado vazio,
A vida restado abandonada,
Vazia de sentido.
Muitas esquinas, meu amor.
Mas o que há de possível na existência de deus
Está em eu poder te dizer com os olhos e as mãos abertas
Mais uma vez
SEJA BEM VINDA.
quinta-feira, agosto 20, 2009
a menina vê, a velha em ti rodopiando o velho vestido de renda
elas dançam pulando sobre pedras imaginárias
pedras de todas as idades e uma que tem luz própria
a pedra do gesto perfeito é âmbar
acho que ficaria te ouvindo falar uma vida
ou duas
sobre o que me vês em mim
esse é o prazer maior que a poesia poderia me dar, no final ser enfim o muso delicado de alguém
as patas da aranha rondando o pescoço branco
falas assim e as imagens me fazem girar os ombros
quase solto os pássaros
essa nossa conversa tinha que ser transformada em pão, café e leite.
solta os pássaros um pouco pra eu ver
mas devagar que eu ando fugindo da realidade
foge comigo...
by amanda e nilo
domingo, julho 26, 2009
reminiscências
que haverão
beira mar,
mãos nos cabelos negros.
entreguei tudo
nessa oferenda de paz
e saudade
meu amor passou
e minha janela
ainda estava fechada.
aonde haverá pousado?
com quem terá sorrido?
enquanto eu
estava encarcerado
nesse mesmo
velho quarto encardido.
volta logo meu amor
me acorda com teu cantar
espalha nuvens
pela minha cama
deixa tudo
ser
sem
ter
porque.
segunda-feira, julho 06, 2009
terça-feira, junho 30, 2009
sexta-feira, junho 26, 2009
quarta-feira, junho 03, 2009
domingo, maio 31, 2009
quarta-feira, maio 27, 2009
salve o mesmo simples contato,
feito a qualquer tempo,
sem qualquer motivo,
pleno da saliva dos nossos sonhos
olá, bom dia
que teus passos tenhas sido suaves nessa noite,
caminhos cheios de sombras pra descansar
e tuas mãos tenham sido aquecidas pela idéia das minhas.
olá, bom dia
se hoje não acordei ao teu lado
e quando isso for um costume,
querida, esteja sempre certa,
é contigo o meu sorriso mais constante
ao observar surpreso,
que uma vida passada ao teu lado,
foi rápida como um instante e
eterna como um primeiro beijo roubado.
domingo, maio 24, 2009
que não cessa de jorrar
vida amarga, doce, salgada
vida viva pra variar
assim ela pula pra dentro de mim
e eu fico enlouquecido a olhar
querendo que ela viesse num vôo
na minha casa velha pousar
mas nada disso importa agora
se eu gosto ou não de voar
porque tudo nessa vida tem um preço
e esse eu não posso pagar.
domingo, maio 17, 2009
sábado, abril 25, 2009
certa seta nulo alvo
falo em beta, monte calvo
suposta dose de loucura que nos dá o charme?
a professora está vestida em riste
nada clown, flor de triste
lágrima ótima da cabeceira azul
chove chama contida no sul
e no mais a tua lenta composição de lâminas
condicionará mais um escandaloso final
para o desejo intenso de outro sinal
disperso entre folhas na pátina.
segunda-feira, abril 06, 2009
eu tenho a chave do teu sorriso
escondida no bolso
da minha calça preferida
mas não sei bem aonde ela está
nossa história é feita desses vôos impossíveis
e tu sabes disso
e sempre me tivesses sem me ter
e eu filmei a minha mão no teu cabelo
cada segredo teu
que eu carrego sem saber
bruxa maldita
te amo mais que a vida
agora some, como tá no teu script
eterno retorno
então me explica porque eu sou tão teu
me explica o que eu faço
com tudo isso aqui represado
eu não quero solução
troco tudo por um segundo de plenitude
gosto desse teu jeito não possível
mas eu preciso ver além dos muros desses dias
eu to vestido de profeta hoje
eu tenho esse brilho, e não durmo com esse barulho
eu bebo e não mato a sede
hoje tu vais dançar com o zaratrusta
eu já não espero nada
mas eu tava preso na tua asa
me dá outro selo
um selo amarelo
hélio passa em sua carruagem dourada
todo dia
pela tua vida
atravessando o céu
você pega o trem azul, o sol na cabeça
o sol pega o trem azul, você na cabeça
tás derramando, eu sinto
tás cheia de graça
finalmente
que bom
ave maria
eu te engravidei de uma idéia
era isso que eu queria hoje
segunda-feira, março 16, 2009
segunda-feira, março 09, 2009
Só quando fosse possível derramar esse pote cheio
Esse que carrega as águas que vem da chuva
De tantos anos no alpendre da casa
Já se vê a marca na madeira seca.
Estará sempre lá
E quebrado o costume de tantas gerações
Eu poderia te pedir sinceramente
Pra nunca mais te ver porque vou cansado
De sofrer longe e perto dos teus braços
Do teu olhar complacente e agora sabemos
Sinceramente preguiçoso.
Tudo poderia recomeçar,
Mas ainda assim seríamos os mesmos.
Portanto partir com algum senso de beleza
E a posse de alguma dignidade sã
Que nossa loucura anda cansada dos nossos pés
Bom acordar longe dessa tua cama
Coberta de panos coloridos,
Que eu nunca vi, mas já sonhei tantas milhares de vezes.
Só pode ser a tua, compreendes, teu olhar...
Não esconde mais nada
Nilo Neto
domingo, novembro 16, 2008
quinta-feira, outubro 23, 2008
te abraço como um amigo que continua
que sonha ser alimento e nada mais
o trigo do moinho, o pão
o peixe compartilhado, o perdão
o vento que lembra o vôo e o segredo
a sombra que descansa a velha dor
a faca que corta o destino
o sorriso do menino na beira do rio
o desvario sem nome
toda a saudade que me consome
não chora, me abraça
que toda distância é fraca
te amo como colombo, ao ver as terras quentes do caribe
e sonhou com o paraíso perdido
e morreu ignorado e pleno
por saber que o mundo é maior que os sonhos
quinta-feira, outubro 02, 2008
domingo, setembro 28, 2008
deixo o sorriso bobo na fachada
tudo que eu não quero encontrar
vive passando na calçada
um dia a palhaça ficou quieta
viveu seu dia de um jeito estranho
um dia ela revelou a senha secreta
e minha alma ficou desse tamanho
agora quem está no circo sou eu
não faz mais sentido morar na casa
não quero mais ser um quer prometeu
hoje eu vou ser a tua outra asa
aprende que aqui terás sempre o sim
mesmo que o espelho te mostre outra
nesse longo baile de jardim
não há força que possa ser contra
nos amamos desde o primeiro segundo
percebemos logo o eterno e o infinito
agora nos resta ganhar o mundo
porque estamos perdidos no mesmo grito
terça-feira, setembro 23, 2008
é um ardil contra a certeza
dos que não se conseguem perceber
fazendo parte de nada.
e assim,
nesse auto imposto exílio,
permanecem ancorados
em pequenos delírios de encontros,
a beira de um poço seco,
aonde não se atiram mais desejos
sobrevivo por conta do desacordo
que estremece as pontes
entre a cidade morta
e o continente dos ventos vadios
sei que ainda respiro
quando me cobre o olhar uma asa partida,
alma cansada que como a minha
está mirando mas não vê o horizonte.
não, não cairei pela milésima vez
dessas falésias, na escuridão.
somente fixarei minha lança
no mais alto monte do segredo
e tudo permanecerá tão pálido
quanto sempre.
quarta-feira, agosto 20, 2008
nesses dias em que beijo o precipício, fica um gosto de ontem na boca.
eu estar comigo outras vezes não é divertido. mesmo que algo
faça sentido, toda flor um dia me sufoca e ri.
mas as poucas chances que eu tenho de não estar ali, são as que,
distraido da minha felicidade de estar contigo, sou feliz.
domingo, julho 27, 2008
quinta-feira, julho 17, 2008
as minhas amantes,
são fontes
inconstantes,
de prazeres distantes.
elas são inexistentes.
incapazes
de delícias arfantes,
antes.
galopes errantes,
por terras
e mentes,
as minhas amantes
são tão importantes,
que loucas sementes,
me fazem semear
em todos
os quadrantes.
secam-me as fontes.
desejo entre pontes.
as minhas amantes
alimentam levantes
no quartel de abrantes.
e fossem tão quentes,
deixassem os montes
floridos enfim,
suas lembranças
serão sempre
marcantes,
sonhando com elas
eu quero meu fim.
sábado, julho 05, 2008
I
já não publico mais
teus magros ardis,
na folha da minha perdição.
eu e minha gota que falta,
pro desfecho da festa, por favor,
deixa em paz os passarinhos,
deixa em paz a mim,
que sou um pote
até aqui de mágoa.
decantado sofrimento,
construído com solas gastas,
de andar a esmo pela ilha.
mais a montanha de agulhas,
espetadas no teu nome,
nas paredes cobertas
de recados inúteis,
lá no sul de tudo.
II
vudu.
vácuo.
vacuum.
vai...
III
No fundo não passas
de uma menininha do interior,
jogando com tuas arminhas
tão frágeis.
no centro e na cidade
é tudo uns bocó.
Teu ego esmigalhado,
sempre precisando
de manutenção,
pobre menina:
cega, surda e muda.
não estaciona
no meu portão,
que eu vou entrar
com meu mavericão.
IV
era muito mais fácil
nunca ter abrido a porta,
não ter dado bola
pro vento sul,
não provar da tainha.
não deixar
a pomboca acesa.
terça-feira, julho 01, 2008
que delícia te ouvir
eu te bebi pelo telefone
goles pequenos,
como um licor de romã
eu nunca tive quem
me enchesse
de palavras
plenas de vento
quem me desse linha
pra brilhar perto
das nuvens branquinhas
de maio
nuvens equatoriais,
como flores
no algodoeiro
vai ver
que eu sou
exigente demais
que sempre fico olhando pro guarda
e acabo atropelado
mas agora
que chegou
a banda larga,
tu me pescasses
nesse oceano de palavras,
e deixasses
eu te beber e gozar.
eu quero ser sempre teu.
sexta-feira, junho 27, 2008
eu não preciso
da tua permissão,
eu quero
o que transborda,
o som que atravessa a parede,
o que brilha,
mesmo no mais fechado
buraco escuro.
quero o que a tua razão
não te permite ver.
o que o teu medo
não consegue segurar.
a palavra que escapa.
o meu olhar
te surpreendendo
a olhar pro lugar proibido.
a terra que ninguém
ouviu falar.
não quero a liberdade vigiada.
não pago preço nenhum.
eu sou o vento que te descabela
permanentemente.
até que tu desistas
de lutar contra.
e descubras o prazer
de não ser mais uma,
mas uma multidão
em ti mesma.
a tua intuição já sabe.
ela que te segura no precipício.
no mais respiro e tento
um dia mais propício.
quarta-feira, junho 25, 2008
vou compreender,
que se aloja no mais profundo
da minha lembrança vadia.
e toda a anestesia do mundo
não me arranca da consciência.
e eu percebo sem explicar,
que o tempo não existe.
ela é feita
da minha mais pura poesia.
e carrega seu arco pelas ruas
e atira flechas contra
todas as feiuras.
e me revela.
meu outro eu perfeito.
sim, sou eu que te abraço
mais uma vez,
olhos brilhando.
caminhando pelo labirinto.
amor?
segunda-feira, junho 09, 2008
estão começando a bater
nas pedras do meu costão.
É sempre
o momento mais delicado do vôo,
o toque dos pneus no asfalto.
A reentrada na atmosfera.
O despertar do longo sono
sem sonhos
da anestesia geral.
Cresce a esperança?
Mastiga a vida,
último naco da carne dura,
sem dentes?
E agora, José?
domingo, maio 25, 2008
Se estar comigo não te apetece.
A velha história se repete:
um lado sobe, o outro desce.
Mais uma vez um vazio que cansa.
Teu olhar não viu meu jardim secreto.
Retomar o desejo de uma dança,
até um dia avistar o leito repleto.
Fico daqui mirando, por onde poderia ter ido,
mas esse mundo dos "ses" é tão amplo,
que só de olhá-lo, teria desistido,
o mais bravo dos guerreiros poetas.
Vai com deus minha amiga,
que a felicidade te encontre e te molhe,
com sua chuva tão bem-vinda.
Eu daqui fico triste na beira do rio,
aguardando o barqueiro me buscar,
murcho mais uma vez
pelos amores não vividos
e por ser tão ruinzinho de rima.
quinta-feira, maio 08, 2008
domingo, abril 20, 2008
Que balé é esse, senhorita?
Que passo em falso, que desdita.
Aprendemos afinal o que importa,
ou estaremos batendo na mesma porta?
Não peço um sentido, mas um ritmo,
nem mais, nem menos alucinado.
Algo que todo meu corpo perceba
e flua numa contra-dança sem pecado.
Para que as crianças possam ter sua ladeira,
a chuva não se preocupe com a goteira,
a vida seja levemente passageira,
descolada como um imã de geladeira.
segunda-feira, abril 14, 2008
hoje foi um dia difícil de carregar.
rebelde, ele não fazia nenhum esforço pra passar.
hoje foi um dia em que o espaço entre as células
viraram quilômetros.
e ninguém passaria nos bafômetros,
caso houvesse mesmo uma estrada e uma pinga.
hoje foi um dia amargo,
morto no salto,
sem remendo que desse jeito.
hoje foi uma longa viagem
em má companhia,
uma saudade vadia,
que ia e vinha na minha vida,
sem rumo como eu.
foi como se o último limão
pra justificar o peixe,
estivesse sem sumo.
hoje foi um dia,
minha amiga, meu amor,
que reaprendi a velha lição do silêncio,
pra quando eu estiver irritado contigo,
ou sem entender teu movimento,
lembrar,
um pouco antes do suspiro e do sorriso,
o quanto tudo fica tão difícil,
no dia em que não tem teu beijo.
quarta-feira, março 26, 2008
Hoje
Superei todas as etapas do percurso tedioso do homem óbvio.
Terei finalmente adquirido a chave do meu cárcere indevido?
Paguei o inominável preço por cristalizar a inconformidade soterrada de tantos?
Não ter constituído família, não ter patrão, não ser consumista, não pagar impostos?
Não fingir que creio nas mentiras do sistema.
Não sorrir quando não acho graça, não comer quando não tenho fome.
Não gozar, se a mulher parecer um iogurte de morango, de tão artificialmente natural?
Tu, meu amigo, vítima costumeira da síndrome do sim,
Porque falas em diálogo,
Se nunca ouves meus tons sutis?
Eu sou
O que não podes instantaneamente consumir.
E despejar teu lixo.
E não pensar.
O incômodo de certa pedra no meio do caminho.
segunda-feira, março 24, 2008
terça-feira, março 11, 2008
(refrão)
Santo aflito, santo aflito,
sai desse muro
e embarca no conflito.
Não quero ser só dialético,
meu dilema é ético
e quem sabe estético.
A utopia anarquista,
cê tá mal das vista,
já foi superada,
olha o conteúdo.
No capitalismo selvagem,
mesmo estando à margem,
ninguém me não dá nada,
mas vende tudo.
Santo aflito, santo aflito,
sai desse muro
e embarca no conflito.
E veio a grana da empresa "Tanto Faz",
pra que olhar pra trás,
vamos para o futuro.
O samba tá mais firme e forte,
pra você dar o norte,
tem que sair do muro.
Solidários na competição,
essa é a intenção,
da nova galera,
Mas se você me ajudar
na cadeia alimentar,
Não vou ser uma fera.
Santo aflito, santo aflito,
sai desse muro
e embarca no conflito.
Santo aflito, santo aflito,
sai desse muro
e embarca no conflito.
Nilo Neto
(video maker e compositor de samba)
terça-feira, fevereiro 26, 2008
Estou sendo engolido
pelo poço de ódio.
A loucura!
A necessidade de ver
o sangue escorrer.
A sombra do empalador
está me tomando.
A raiva intestina.
O guerreiro furioso
que eu sou,
hoje despertou,
com imprecações
e danações eternas,
em seus lábios de gelo.
Chegou a hora da vingança!
Chegou a hora do sacrifício!
Tremei seres malditos,
que ousaram me importunar
com seus pequenos
infernos particulares
Dante não descreveria
a terrível cena
que breve se imporá,
ante o olhar fascinado
do monstro que existe em mim.
Sun Tzu, Maquiavel,
abençoem minha caminhada.
Amém.
sábado, fevereiro 23, 2008
arrasta teu coração míope
pra beira do rio
e te faz lamber a sombra
das árvores menores
e as mais azuladas
minha língua de gato
e tem mais
toda terça sem sol,
às 9:22 da manhã
eu acendo uma vela
no meu pensamento
pra resgatar minha saudade
dar banhinho nela,
vestir uma roupa
e levar pra passear na praia.
é que eu sou um cara
essencialmente fofo, entende?
eu sou poeta.
gosto de dar nomes
pra coisas estranhas e invisíveis.
língua de trapo, língua ferina.
língua de feriado.
embrulha pra mim, por favor?
mas corta bem fininho, tá?
nossa, mas a senhora está muito bem Dona ...
e como vai o Seu ...
minhas condolências
mas ele era tão novo
quantos netos?
deus te abençoe minha filha
e te conserve sempre assim
tudo está girando pelo azul
eu sigo sonhando com teu blues
e nem mesmo fosse uma toada
branco sonho leve na calçada
meu ofício é ingrato iglu
vivo aos tombos se olho pra dentro
se te vejo e ouço, um dia perto
certo, vou gozar a vida sul.
dionísio
todos os panteras negras
os mulheres negras
las madres de la plaza de mayo
os casamentos inter-raciais, interplanetários
aquele som do bauhaus nas madrugadas frias da ilha
qualquer primeiro beijo que não bata os dentes
tortinha de maçã daquela lanchonete famosa
(ih, agora me entreguei)
o vôo das gaivotas no mar quando amanhece
fechar um com uma folha do código penal
marca paracelso
que eu insisto em usar
nos muros da cidade moribunda
minha poesia alquímica
mandragorina, lajotas de letras
em cores opacas
oblíquos olhares
tentam decifrar
minha alentada fórmula
do elixir da vida
mas suas cabeças tortas,
suas vidas astutas,
não percebem nunca.
mais um falatório
rumo ao inútil,
tão sutil
não sentido da vista.
muro feito de mim
e minhas cicatrizes.
sábado, fevereiro 16, 2008
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
a pena esturricou.
o coração fechado
pra balanço
do barco.
um caco
de telha
sem uso.
intruso,
em meu próprio
castelo de espelhos.
todos os que percebo,
todas as sombras e a base,
são mesmo o fim da escada.
e não me peçam mais nada.
eternos espinhos cravados.
metáforas gastas e pobres.
deixem-me torrar os cobres,
nos sons da poesia alheia.
nessa gente feita de areia.
tudo emancipado e nu.
tudo acidente, sem conexão.
até que chova em meu coração.
domingo, janeiro 13, 2008
e esse lugar aqui não é de verdade. aqui é o verdadeiro labirinto de espelhos. todos se vêem. ninguém vê o que realmente está escrito nas paredes por detrás.
se está escrito alguma coisa... se são apenas garatujas incompreensíveis da criança louca...
não precisa se preocupar com o poeta. olha pra tua dor, escrita no ar com a fumaça da vaidade dele. ou pro teu prazer, feito de sementes de abóbora escondidas nos quintais.
miríades de estrelas soluçantes, numa tarde sem sol de verão.
gato mordendo a cabeça do peixe.
bandeira de qualquer país murcha no mastro.
todos os gols que o avaí perdeu no último minuto.
a estranha morte do único poeta interessante dos trópicos ateus.
sábado, janeiro 12, 2008
segunda-feira, dezembro 24, 2007
Se tu alias
em perfeita sincronia,
palavras e gestos,
No momento mais crítico
da contradança da desilusão.
Causando uma revoada
de serafins no meu peito.
Calculando,
como numa ponte,
os nós que ainda sustentam
meu frágil não ser.
Debochando da minha clausura
e de todos os outros votos tristes,
para no fim receber
minha fantasia delirante,
Com o aplauso imenso,
das duas mãos,
que quero no ato final
entre as minhas.
Será o dia da perfeição sem nome do caminho.
O filme pornô bizarro,
estrelado e dirigido
por loucos.
Sucesso mundial
De crítica e público.
Sexo bissexto,
saturado de solidão,
gritando por um mundo
sem barras de ferro
ou palavras que roubem
a já raquítica esperança.
Rasgo do novo possível,
no céu sem nuvens
da razão amarga,
que não consegue ver além
das leis que ela mesma cria.
Assim somos,
Amiga alada,
E a semente que carregamos
com tanta dor e prazer,
Será a vida
Em luminosa renovação,
Nos jardins da compreensão
Dos filhos que nunca teremos.
quarta-feira, dezembro 19, 2007
segunda-feira, dezembro 17, 2007
sábado, dezembro 15, 2007
segunda-feira, dezembro 10, 2007
quarta-feira, novembro 28, 2007
terça-feira, novembro 27, 2007
pétalas de margarida
que eu arranquei
pela primeira vez
na minha vida
na escada que dá pro jardim
aqui de casa
eu nunca poderia imaginar
que o último bem-me-quer
que eu arrancava
era tua suave presença,
teu amor luminoso,
teu gozo tão próximo.
e olha eu tinha nove anos!
bem- vinda, completa,
compreensão do meu fado.
meus olhos arregalados
permanecem no milagre inesesperado
daqueles dias sem dor.
domingo, novembro 25, 2007
pululam
palavras
na mente fogo
a teia
há
só não há rima
e nem solução
guerra não declarada
frio e fome
de sermos ouvidos
estrangeiros
em nossa própria
terra
pasárgada era
a gente não sabia
ou fingia não saber
pra não voar daqui
diz traídos
venceríamos
agora
a nostalgia precoce
e as dores do parto
mas para onde?
quarta-feira, novembro 21, 2007
Farol dos meus erros,
a poesia permanece,
os amores passam.
Toda a construção
resultará inútil.
Resistir ao desejo inerente de construir,
também.
Então abre tuas de asas de cera,
ruma ao sol e
observa teu destino se cumprir,
até a queda.
Não deixa tua passagem
ser em vão, entretanto.
Cria, comove, registra e acredita:
a arte carrega o pouco de sublime
que resta aos humanos.
sábado, novembro 17, 2007
tem papoulas de vidro,
costuradas no pano
dourado.
Ela sabe
o nome dos peixes
desse aquário.
Nomes estranhíssimos.
Eu acho que ela inventa,
enquanto passa manteiga no pão,
distraída, nas tardes calmas
das campinas.
Esse se chama barbelinho,
aquele azul, lamba limba.
Depois me diz,
sem introdução,
que eu sou
o primeiro amor dela.
A luz do sol reflete minha roupa,
enquanto eu danço no espaço.
Tudo o que não for riso,
está definitivamente
guardado no sótão.
terça-feira, novembro 13, 2007
De uma vida menos ordinária.
fome de rir sem motivo.
e de aceitar a morte com seus espinhos.
fome de tudo que não fazia sentido,
e hoje é celebrado em silêncio.
do gosto do gozo há muito esperado.
da tua mão em meus segredos.
fome que há de ser sempre fome.
que não pretende ser luz na escuridão.
fome que empacota meus vazios
e deixa a lembrança de outra canção.
fome de acreditar que combinar cores impossíveis,
pode ser melhor que qualquer poesia.
fome da cama vazia, depois do amor
e de tudo o que não entendi naquele dia.
fome de estar em você,
cozinhar pra você,
dormir com você.
fome de te esquecer.
terça-feira, novembro 06, 2007
Nestas nuvens de saberes
E pouquíssima esperança.
Sou o imitador maior
De desconhecidas fórmulas
Sem uso.
Quando digo que te amo
Estou querendo dizer
Que me oprime
Cada minuto longe
De acordar contigo
E tomar um café da manhã
Em silêncio.
Aonde estaria esse deus,
Que nos faz de mãos estendidas,
Sem poder nunca nos tocar.
Somente: palavras, imagens, sons...
O auge da poesia,
Será esse instante
Antes do raio rasgar o céu?
domingo, novembro 04, 2007
não pude te dar um mundo,
que não me quis, não me viu.
fui amargo, egoísta, sensível demais.
sinto falta do teu sorriso,
que nunca ouvirei.
esse vazio que ninguém preenche,
vou saturando com as lágrimas
que não choro mais.
querido filho.
te deixo um punhado de palavras.
testemunhas de um caminho seco.
sem sucesso, sem felicidade, sem paz.
apenas a boquiaberta perplexidade
dos loucos solitários,
desistidos, suicidados.
mas não peço teu perdão,
só o silêncio cheio de ecos,
das muitas gerações que não virão.
sexta-feira, outubro 26, 2007
foram os que perdi,
Nos cafundós da memória.
Distraído,
atravessando a rua.
Ou entre um gole
e a demoradíssima
caneta do garçom.
Não me abandona, logo agora,
Que descobriste o homem,
Escondido atrás do poeta.
Nem tudo é solicitude e riso.
Profundidade e siso.
Há sempre
uma nova vasilha
pra encher,
Com os pingos da chuva que,
goteira,
Não caberiam em outro lugar.
Ama-me ou escassa-me.
Seria esquece-me?
quinta-feira, outubro 25, 2007
Procura seu reflexo no barranco.
De repente, ouve-se o estampido.
E mais nenhum outro ruído.
Nada mais se interpõe à vedade.
Nem governo, nem a caridade.
Só a crueza da falta de escolha.
Nem raiz, nem galhos, só folha.
E tudo isso já está escrito.
E fica o dito, pelo não dito.
Finda a alma e o corpo, no morro.
Jamais houve qualquer tipo de socorro.
Eu, poeta do céu azul,
Falo pelas almas no vento sul.
Agora calo, sem solução,
respondo pelo fim dessa canção.
E ponto final.
segunda-feira, outubro 22, 2007
Não preciso de resistência.
Um milhão de palavras mortas,
giram ao meu redor a cada segundo.
Nada são,
diante da lógica,
da dialética,
de um pensamento taoísta perfeito.
Então, só quando cessam as palavras;
Na exaustão dos corpos respirando livres,
É que a minha não-resposta pode acontecer.
É quando eu morro,
sonhando em acordar no teus braços.
As doces lembranças das manhãs no lago
Um dia, um imbecilzinho de merda,
Do alto de seu castelo de sombras,
Desejando poder e dinheiro,
Inventou a normalidade.
E sentia prazer e satisfação
Em explorar as estranhezas legítimas
das outras pessoas.
Assim foi também que outros imbecis do mesmo quilate,
Inventaram: a beleza, a verdade, a justiça e deus.
Como se isso pudesse existir além da subjetividade,
Da experiência única e intransferível, de cada um.
E se intitularam porta vozes dessas idéias.
Sempre desejando o mesmo prazer egoísta.
Assim destruíram o planeta.
E foderam com a paciência de muitos.
Palmas para eles, que eles merecem.
sábado, outubro 13, 2007
As partes negras da tua alma,
Gritam,
Que o amor é um poço seco.
O teu medo da solidão
Tentou me engolir.
Mas o vento da noite
Me trouxe de volta
Pra minha.
Agora vou boiar
Na minha rotina.
Até que a ilusão,
Me faça jogar a linha.
Ou finalmente eu morra,
Vítima de egoísmo crônico.
domingo, outubro 07, 2007
o meu acordo é feito de tons irreais.
O desejo tem luz e sombra.
Viver é apostar no cavalo errado.
Um punhado de frases desconexas.
Um milhão de beijos
não curam um corte no coração.
E por favor, desiste da idéia de família.
Foi o que te arrebentou.
Não queira arrebentar mais ninguém.
Loucos sinceros não reproduzem
padrões de tristeza.
São humanas as respostas.
Imperfeitas.
Adoro teu sorriso.
Tua luz me faz possível.
Eu vibro com teu calor.
terça-feira, outubro 02, 2007
uma tempestade de absurdos doces.
Mas é uma faca apontada para o sim.
Ele é o desencontro das mães solitárias,
saudosas do choro de seus bebês,
enquanto a chaleira ferve, de tarde,
nas casas vazias, ensolaradas, nos subúrbios
de uma cidade qualquer da Guatemala.
Ele é o segredo escondido
nas informações incompreensíveis,
das embalagens de cereais matinais.
Ele é o gemido discreto,
no sentar e levantar,
dos bancos de praças,
dos velhos e suas cabeças brancas.
O amor são os aparelhos de ar condicionado,
nas repartições públicas,
onde decisões que afetam a vida de tantos,
que não são ouvidos,
explodem todos os dias.
É o dedo no gatilho dos meninos traficantes,
que não dispara e somente hoje,
é substituído pela linha das pipas,
no céu azul, dessa ilha cheia de vento.
O amor é tua boca aberta,
quase riso, quando gozas.
É a revoada de pássaros no horizonte,
42 segundos antes do sol nascer.
É o suicídio que não deu certo,
no meu amigo que matou o pai e a mãe.
O amor é o filho que não tive contigo,
amor da vida inteira.
domingo, setembro 30, 2007
Assim arrumo a maior briga
de todos os tempos.
Senão, esfrega esse corpo
redondo, macio e cheiroso no meu.
Que temos 4.327 maneiras de encaixar.
Como aquele jogo antigo,
de blocos de madeira,
imitando paredes de tijolo,
casas e torres.
Nós nos construimos,
com abraços e beijos.
Enquanto o relógio para de vez.
quinta-feira, setembro 27, 2007
Porque tu sabes apertar os meus botões
E botar no sol minhas feridas,
Porque tu és o sereno que molha meu jardim com flor,
Vida, sempre tão suave e exata.
Porque eu faço questão de tentar esquecer
que alguém possua as chaves da minha solidão,
Tão perdido fico na tua presença,
Que só consigo pensar em deus.
( e ele devia estar morto há muito tempo);
Soberana absoluta do meu silêncio.
Do fio condutor do meu desejo.
Eis-me aqui, mais uma vez.
Os braços abertos como o outro.
Feliz por te saber parte desse sonho.
quarta-feira, setembro 12, 2007
terça-feira, setembro 11, 2007
segunda-feira, setembro 10, 2007
milhões de bebuns se dirigem aos butecos
em busca da risada perfeita.
não encontram.
ninguém jamais encontra.
Mas eles voltam todo dia.
Até que o fim se mostre.
E se mostra para muitos.
Antes de qualquer poesia.
O poeta louco vira pop star.
E aparece na propaganda
de detergente ou pasta de dente.
E você sentado em sua poltrona,
Entre um sorriso e um produto, pensa
Esse mundo está mesmo perdido,
O capitalismo selvagem delirante,
tem lugar pra todo mundo.
Um brinde ao sonho e a tudo
que não pode ser classificado,
embalado e pesado.
ainda...

