quarta-feira, junho 20, 2007

no calor do meu degredo,
quero mergulhar no teu sagrado.
juntar cacos, refazer-me,
refazenda.
esteja atenta
ao movimento circular
das luzes da quermesse.
qualquer coisa que se tece,
na capilaridade do caminho.
vou deixando passos,
pinturas, segredos.
Descobre-me e devoro-te.

sexta-feira, junho 01, 2007

cadê tu, minha ilusão premiada?
cadê tua sombra na minha caminhada?
cadê o sorriso de canto de boca?
cadê essa tristeza rouca?

esperar tua chegada tem sido minha sina.
dia de chuva, frio, parado na esquina.

domingo, maio 27, 2007

Me tens sob teu jugo, és a rainha das minhas palavras vãs,
Sob teu olhar atento, divago, pássaro que voa nas manhãs
O que haveríamos de desejar, nesses dias repletos de esperança,
Mas sem a concretude dos sonhos realizados,
No parque, sozinha, brinca a criança.

Sabedoria de velhos amantes,
amigos que sabem ouvir e calar,
Tu me entregas o que tens de melhor,
castelo no lago amar.

Eu finjo que esqueço teus pequenos defeitos.
Eu fico pensando do que o amor é feito.
Eu te carrego comigo pelos bares da cidade.
Eu espero que compreendas essa imensa saudade.

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Meu amor, eu te procuro nesse mar de palavras e significados.
Tentando te fazer real,
nessa imensidão de informações que deixamos pelo caminho.
E de tantos desencontros permanece uma luz muito própria,
teu significado, tua entrega.

Não sabes como é viver sob a égide de não ter meios claros,
pra te trazer ao meu lado.
Não que eu ache tudo perfeito e acabado.
Conviver é sempre um desafio.
Mas estar ao teu lado seria muito mais fácil
suportar as agruras da vida.

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Eu queria saber porque tu provocas tanta coisa em mim.
Que eu fico aqui ecoando as tuas palavras.
Que tu dizes que queres dormir comigo
E ouvir o meu bom dia.
Tu sabes que essa é a extrema intimidade,
Estar entregue e frágil a quem está ao lado.
As tuas propostas são tão intensas e tu és tão bonita.
Uma combinação explosiva.

Me tens sob teu jugo, como dizia,
Mas vou tratar de me libertar,
Pelo bem de todos nós,
Mentirosa mulher que tanto amei.
diálogos sagrados, feitos de pó,
ali naquele espelho estou só,
não cabe vírgula nessa caminhada.

A flor do inconsciente que beija sua pétala no presente,
a lucidez do bêbado louco, que lapida sua verdade interior,
a preocupação com a pureza da criança,
que aceita a estranheza do mundo sem perguntar porque,
sinto imensamente a tua falta pra me ensinar novos mundos.

quarta-feira, maio 23, 2007

Amor à Distância

Sobretudo nos dias que a luz é fraca,
Abre-se ao olhar a delicadeza dos pequenos gestos,
Os silêncios que derramas desprevenida,
Diante da minha vontade, cheia de segredos,
E ficamos assim os dois a esperar pela felicidade,
Até que ela surge e fixa nas retinas,
A sua doce esperança vã.

Tu és a mensageira dessa outra liberdade,
Construída no cotidiano virtual,
Onde deposito o eu fabricado,
Por palavras e imagens escolhidas a dedo,
Pra não ser impactante demais
Nem deixar de ser percebida.

É um castelo feito de afirmativas puras,
Ali vivemos nosso idílio sem tropeços,
Tu, quando me contas das tuas dores,
Eu, quando me esqueço de ser ranzinza,
Até que um dia deixaremos de diferenciar,
O que é real, do que não nos pertence.

Por enquanto, conta comigo nesse espaço,
Pra te satisfazer os desejos e pudores.
Quem sabe um dia possamos nos conhecer.
E habitar outros lugares e sombras.
Finalmente plenos e carregados de luz.

terça-feira, maio 22, 2007

Eu sou o guardião das impossibilidades.
O santo padroeiro das frases feitas.
Mantenedor da instituição fantasma do trem (doido sô).
Band leader cover-flor mutante technicolor.
Krig-rá bandolo.
Para todo sempre, amém, amém, amém.

Eu sou o tipinho inútil que te ama.
O velho ranzinza que não desencana.
A rima de pé-quebrado que insiste em andar por aí.
Tudo o que não combina nessa casa.
O gosto confuso da manhã que nunca vem.
O hermetismo biográfico registrado com fogo na pedra.

E se nada aqui te for útil, flor hidropônica,
se nada te der frisson sináptica,
eu mesmo assim gozarei outra vez dessa tentativa descartável
de me fazer feliz no cercadinho das tuas atenções,
longe do mundo cru-el, jor-el, do superman, bush, fuck you.
Thank you, thank you, thank you.

sexta-feira, abril 27, 2007

E ao som dos menudos: “não se reprima, não se reprima”, ela se abriu.
E avançando contra seus princípios religiosos, ela confessou: " sou tua".
E eu, poeta vagabundo, fiquei mais sóbrio diante da vida.

quarta-feira, março 14, 2007

Vem conhecer meu não, cravejado de sims,
Vem mastigar minha ambição e cuspir o meu desejo.

Sapateia na minha dor,
como se ela sempre tivesse sido tua.

E quando eu der meu grito de independência,
fecha a gaveta e dá uma risada.

Com tuas muitas receitas, vais encaixando meu não estar,
até que eu possa ser mais uma abelha conformada.

Eu vejo de longe os teus caminhos e desacertos,
carrego a expectativa de quem está no ponto, esperando.

Eu sou teu, mulher do sonho,
apesar da total inutilidade desse amor.

Um milhão de beijos agradecidos,
pelo que nós nunca iremos viver.

Te amo virtualmente para sempre

Amém
Em cada pequena alegria da vida,
uma refeição mais gostosa,
um por do sol na praia,
uma música surpreendente,
falta-me a possibilidade
de compartilhar contigo.
E, sinceramente, sou pela metade.

Ao compreender um pouco mais,
os mistérios da vida a dois,
tu me proporcionaste novas alegrias,
que não consigo deixar pra trás.

Mesmo sabendo da impossibilidade da tua volta,
queria que soubesses que dentro de mim,
continuo te buscando pelos dias e noites,
para mais uma vez ser completo.

Dentro do teu sorriso,
flor da minha certeza.

terça-feira, março 06, 2007

Fosse anzol, formão ou bisturi,
mas papel e caneta é tudo o que tenho aqui.
Tudo muito artesanal,
cada palavra no seu local.
E tu me pedes dois poemas,
como se isso não trouxesse problemas.
E ainda sem emenda,
tudo por encomenda.
Habituado ao fluxo natural da vida,
não conseguia encontrar uma saída.

Mas, lá vai:

Tu és a sombra pro meu burro pastar,
poço pro meu camelo beber,
galho pro meu pássaro aninhar,
rio pro meu peixe crescer.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Alguém aí, faz o favor de entender,
porque é melhor me fazer de contido,
porque o meu grito é descabido,
porque eu sou o filho da discórdia,
e cada verso meu, deve permanecer escondido,
porque eu sou o mal resolvido,
o que não acredita na força da família
e a cada passo condena sua cria,
o que não vê, não ouve e está sozinho,
afastando toda a possibilidade do ninho,
deveria ser jogado fora, sem demora,
pois não acredita na danação final,
aquele que está calado diante do bem
e mais ainda diante do mal.

Esse sou eu e te propõe num dia,
o resultado de toda a euforia,
e acordaria intacto, num sorriso,
isso é tudo o que eu não preciso.
Adeus então, mais uma vez, amada,
sejas a última abençoada,
com minha voz de poeta ateu.
Daquele que sempre foi teu
e jamais acreditou na tua sina
arrancando a voz dessa outra menina.

Te amo, obrigado, até nunca mais,
em nome desses outros animais,
fica a minha palavra escrita,
é uma força de quem acredita
que um dia seremos um.
um beijo, um abraço, clac, bum.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Nietzscheana

Eu te revi na entrelinha de um poema,
sentada numa cadeira de sol.
Eu suspirei teu nome no limite perfeito
entre o desejo e o medo.

Não fui eu e acreditei numa mudança.
Não fui eu e aguardei uma resposta.
Não fui eu e lembrei daqueles dias.

Eu te aguardarei, pelos outros que virão
e já meio alquebrado, calvo,
serei mais uma vez o fiel portador
da armadura prateada.

Até que me consuma a imensa vontade de te ter,
impossível desde sempre
e eu desapareça da tua vida
por outros tantos anos.

Eterno retorno do grande amor.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

La Flor de Mi Secreto

Com que grande gesto de amor
queres que eu tente te esquecer, vida minha?
Como num bolerão, dançado cheeck to cheeck,
num filme do Almodóvar?

Mas nos meus sonhos vespertinos,
eu pressinto tua volta, sala adentro,
toda sorrisos, cumprimentarás a família,
até que, olhar cúmplice, me darás tua mão.

E eu, cego, surdo e mudo, desperto,
olho a porta que nunca se abriu,
suspiro profundamente mais uma vez
e aguardo o próximo tac do relógio.

Inexorável, impiedoso, fatal,
tempo longe dos teus braços.
Puro bolerão num filme do Almodóvar.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Ainda que estejas distante,
sonho bom que passou na minha vida,
quero te desejar daqui pra diante,
toda alegria e felicidade, nesta data querida.

O poeta vê seu amor escapolir entre os dedos.
Tenta reconstruir o caminho nessa longa jornada.
Carregarei comigo este lindo jardim de segredos,
onde vivem as horas luminosas em que foste amada.

Obrigado, querida Carlinha, por ser personagem principal na minha peça.
Por todas as gargalhadas, pela força quando fui triste.
O desejo de te dar abraço e beijo, não há quem meça,
esperança que carrego, alegria que insiste.

Parabéns pra você, baixinha do meu coração.
Se eu soubesse rezar, faria aqui uma prece,
pra veres teus desejos virarem realização,
desse, que do teu carinho nunca se esquece.

sábado, dezembro 16, 2006

Eu vou sacrificar meu coração na pira do amor.
Nesse fogo sem perdão, abandonar qualquer pudor.
Vou deixar essa canção e aceitar esse calor.
Viver essa pressão, dizendo uns versos sem dor.

E nesse dia claro, enfim querer o infinito.
Deixar nesse jardim, o dito pelo não dito.
Sabendo que está presente o dia do aflito.
Dispensar o silêncio, ouvindo o apito.

Pessoa hiper criativa, tem resposta pronta.
Sabendo do segredo, não faz muita conta.
Parece que é tranquila, mas tem vez que apronta.
Diante da injustiça, não aguenta e afronta.

domingo, novembro 19, 2006

Já não desejo mais pular aquele muro.
Já me sinto satisfeito de ouvir o mesmo velho blues.
Fico feliz em comer a tradicional salada.
Pegar o mesmo ônibus, que para no velho ponto.
Estou satisfeito em saber que nada mudou.
Vai chegando o natal e o papai noel vai dizer hou hou hou.
Então porque será que me incomoda
Tu não atenderes o telefone
Num domingo chuvoso como esse?

quarta-feira, setembro 06, 2006

tu és o gato, eu sou o peixe no aquário
eu sou o analfabeto, tu és o dicionário
eu sou o garfo, tu és a sopa
eu sou o carro velho, tu és a cera e a estopa
tu és a floresta, eu sou o turista estrangeiro
tu és as flores, eu sou jornal velho no banheiro
eu sou a manta de lã, tu és pleno verão
eu sou os que nunca serão, tu és os que deverão
tu és o jô , eu não sou do sexteto
tu és vegetariana , eu sou o espeto
tu és a orquestra sinfônica, eu sou o surdo mudo
eu não sou nada, tu estás com tudo

quinta-feira, agosto 31, 2006

pé ó pé, ante pé,
parece fácil mas não é.
Sustentar e caminhar,
responder e dançar.
Se cair e te ferir,
pé ó pé ante pé,
não percas a fé.
Pois a lição que me ensina,
querido pé de bailarina,
é começar tudo de novo,
para os aplausos do povo.
para o pezinho ferido da Sueli
Repousa-te quieta nos campos do silêncio

e derrama sobre a terra mais um impronunciável segredo.

Sempre que esta luz estremecer meu medo,

culpo-te por seres sem saber sê-lo,

grande amor que foge entre meus dedos.

terça-feira, agosto 29, 2006

É pena que por trás desse lindo olhar,
Olhar que antecede a chuva,
Olhar que mergulha a gente numa saudade
De gente que a gente nunca viu,
Olhar que responde mil dúvidas
Que a gente não sabia que tinha,
Olhar que mostra o caminho
No mapa do país chamado amor,
É pena que por trás dele
More uma mulher malvada,
Que deixa a gente a sonhar,
Porque não resta
mais nada mesmo nessa vida,
Depois de mergulhar nesse olhar.