domingo, maio 31, 2009

só faltava mesmo estar nos meus braços,
ouvindo a chuva abraçadinhos
comendo quitutes exóticos
e fazendo amor devagarinho

brigadeiro com aveia e noz moscada

miando com os gatos de rua
selvageria abrandada
doçura das cavernas
duas almas sem dor
simplesmente enroscadas.

quarta-feira, maio 27, 2009

olá, bom dia,

salve o mesmo simples contato,
feito a qualquer tempo,
sem qualquer motivo,
pleno da saliva dos nossos sonhos

olá, bom dia
que teus passos tenhas sido suaves nessa noite,
caminhos cheios de sombras pra descansar
e tuas mãos tenham sido aquecidas pela idéia das minhas.

olá, bom dia
se hoje não acordei ao teu lado
e quando isso for um costume,
querida, esteja sempre certa,
é contigo o meu sorriso mais constante
ao observar surpreso,

que uma vida passada ao teu lado,
foi rápida como um instante e
eterna como um primeiro beijo roubado.

domingo, maio 24, 2009

vadiando a vida na ferida aberta
que não cessa de jorrar
vida amarga, doce, salgada
vida viva pra variar

assim ela pula pra dentro de mim
e eu fico enlouquecido a olhar
querendo que ela viesse num vôo
na minha casa velha pousar

mas nada disso importa agora
se eu gosto ou não de voar
porque tudo nessa vida tem um preço
e esse eu não posso pagar.

domingo, maio 17, 2009

bebo e cigala
me acalmam a alma

transita ainda
por baixo da cinta
acodes e acolhes
meus pés peregrinos

por onde for
por onde foi o meu amor?

sábado, abril 25, 2009

penugem de pavão

certa seta nulo alvo
falo em beta, monte calvo
suposta dose de loucura que nos dá o charme?

a professora está vestida em riste
nada clown, flor de triste
lágrima ótima da cabeceira azul
chove chama contida no sul

e no mais a tua lenta composição de lâminas

condicionará mais um escandaloso final
para o desejo intenso de outro sinal
disperso entre folhas na pátina.

segunda-feira, abril 06, 2009

vem dançar na tempestade comigo?

eu tenho a chave do teu sorriso
escondida no bolso
da minha calça preferida
mas não sei bem aonde ela está

nossa história é feita desses vôos impossíveis
e tu sabes disso
e sempre me tivesses sem me ter
e eu filmei a minha mão no teu cabelo

cada segredo teu
que eu carrego sem saber
bruxa maldita

te amo mais que a vida

agora some, como tá no teu script
eterno retorno
então me explica porque eu sou tão teu
me explica o que eu faço
com tudo isso aqui represado

eu não quero solução
troco tudo por um segundo de plenitude
gosto desse teu jeito não possível

mas eu preciso ver além dos muros desses dias
eu to vestido de profeta hoje
eu tenho esse brilho, e não durmo com esse barulho
eu bebo e não mato a sede
hoje tu vais dançar com o zaratrusta
eu já não espero nada
mas eu tava preso na tua asa

me dá outro selo
um selo amarelo

hélio passa em sua carruagem dourada
todo dia
pela tua vida
atravessando o céu
você pega o trem azul, o sol na cabeça
o sol pega o trem azul, você na cabeça

tás derramando, eu sinto
tás cheia de graça
finalmente

que bom
ave maria
eu te engravidei de uma idéia
era isso que eu queria hoje

segunda-feira, março 16, 2009

nos piores dias
eu deixava a porta aberta.

hoje que a minha cara voltou a sentir o vento
tudo está diferente,
mas ela não aparece do mesmo jeito.

serei o mais leal amigo do verão?
ou mantenho meus pés sobre os tapetes velhos?

a descarga voltou a fluir.
os versos não estão mais boiando lá.

oba oba oba

segunda-feira, março 09, 2009

Só quando fosse possível derramar esse pote cheio

Esse que carrega as águas que vem da chuva

De tantos anos no alpendre da casa

Já se vê a marca na madeira seca.

Estará sempre lá


E quebrado o costume de tantas gerações

Eu poderia te pedir sinceramente

Pra nunca mais te ver porque vou cansado


De sofrer longe e perto dos teus braços

Do teu olhar complacente e agora sabemos

Sinceramente preguiçoso.

Tudo poderia recomeçar,

Mas ainda assim seríamos os mesmos.

Portanto partir com algum senso de beleza

E a posse de alguma dignidade sã

Que nossa loucura anda cansada dos nossos pés


Bom acordar longe dessa tua cama

Coberta de panos coloridos,

Que eu nunca vi, mas já sonhei tantas milhares de vezes.


Só pode ser a tua, compreendes, teu olhar...


Não esconde mais nada


Nilo Neto

domingo, novembro 16, 2008

encontra-se extraviado
um coração bandido.

a última vez foi encontrado
vagando leve
pela ilha dos ventos e amores.

quem o tiver visto,
favor avisar ao setor
de amados e perdidos,

nessa mesma cela
de tijolos coloridos,
chamada de vida,
pelos distraídos.

quinta-feira, outubro 23, 2008

te abraço com o calor do sol, em manhã fria

te abraço como um amigo que continua

que sonha ser alimento e nada mais

o trigo do moinho, o pão

o peixe compartilhado, o perdão

o vento que lembra o vôo e o segredo

a sombra que descansa a velha dor

a faca que corta o destino

o sorriso do menino na beira do rio

o desvario sem nome

toda a saudade que me consome

não chora, me abraça

que toda distância é fraca

te amo como colombo, ao ver as terras quentes do caribe

e sonhou com o paraíso perdido

e morreu ignorado e pleno

por saber que o mundo é maior que os sonhos

quinta-feira, outubro 02, 2008

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há em todo esse zumbido
um certo tom crepuscular
anímico, cataclísmico
sorumbático, enfático,
surreal
para além do bem e do mal,
pairamos todos sublimados
cansados, abismados,
conselheiros, somos nós
os desatadores de nós,
a geração que não acredita
mas também não propõe.
sem as ditas fórmulas,
nos liberta a gargalhada
da mulher amada.

domingo, setembro 28, 2008

abro meus braços pra te aninhar
deixo o sorriso bobo na fachada
tudo que eu não quero encontrar
vive passando na calçada

um dia a palhaça ficou quieta
viveu seu dia de um jeito estranho
um dia ela revelou a senha secreta
e minha alma ficou desse tamanho

agora quem está no circo sou eu
não faz mais sentido morar na casa
não quero mais ser um quer prometeu
hoje eu vou ser a tua outra asa

aprende que aqui terás sempre o sim
mesmo que o espelho te mostre outra
nesse longo baile de jardim
não há força que possa ser contra

nos amamos desde o primeiro segundo
percebemos logo o eterno e o infinito
agora nos resta ganhar o mundo
porque estamos perdidos no mesmo grito

terça-feira, setembro 23, 2008

sobrevivo, porque minha faina
é um ardil contra a certeza
dos que não se conseguem perceber
fazendo parte de nada.

e assim,
nesse auto imposto exílio,
permanecem ancorados
em pequenos delírios de encontros,
a beira de um poço seco,
aonde não se atiram mais desejos

sobrevivo por conta do desacordo
que estremece as pontes
entre a cidade morta
e o continente dos ventos vadios

sei que ainda respiro
quando me cobre o olhar uma asa partida,
alma cansada que como a minha
está mirando mas não vê o horizonte.

não, não cairei pela milésima vez
dessas falésias, na escuridão.
somente fixarei minha lança
no mais alto monte do segredo
e tudo permanecerá tão pálido
quanto sempre.

quarta-feira, agosto 20, 2008

eu estar comigo, muitas vezes me parece um desperdício.
nesses dias em que beijo o precipício, fica um gosto de ontem na boca.

eu estar comigo outras vezes não é divertido. mesmo que algo
faça sentido, toda flor um dia me sufoca e ri.

mas as poucas chances que eu tenho de não estar ali, são as que,
distraido da minha felicidade de estar contigo, sou feliz.

domingo, julho 27, 2008

o homem é verso,
submerso no estrago.

e o trago,
eu levo no canto escondido
do abrigo.

nada está perdido.
subversão.

o amor é diversão.
entrada secreta
do labirinto.

nem tudo
eu sinto.
escreva você.

me basta esquecer.

quinta-feira, julho 17, 2008

rara mente

as minhas amantes,

são fontes
inconstantes,
de prazeres distantes.

elas são inexistentes.
incapazes
de delícias arfantes,
antes.

galopes errantes,
por terras
e mentes,
as minhas amantes

são tão importantes,
que loucas sementes,
me fazem semear
em todos
os quadrantes.

secam-me as fontes.
desejo entre pontes.
as minhas amantes
alimentam levantes
no quartel de abrantes.

e fossem tão quentes,
deixassem os montes
floridos enfim,

suas lembranças
serão sempre
marcantes,

sonhando com elas
eu quero meu fim.

sábado, julho 05, 2008

Misteriosa Mulher que tanto amei

I

já não publico mais
teus magros ardis,
na folha da minha perdição.

eu e minha gota que falta,
pro desfecho da festa, por favor,
deixa em paz os passarinhos,
deixa em paz a mim,
que sou um pote
até aqui de mágoa.

decantado sofrimento,
construído com solas gastas,
de andar a esmo pela ilha.

mais a montanha de agulhas,
espetadas no teu nome,
nas paredes cobertas
de recados inúteis,
lá no sul de tudo.

II

vudu.
vácuo.
vacuum.

vai...

III

No fundo não passas
de uma menininha do interior,
jogando com tuas arminhas
tão frágeis.

no centro e na cidade
é tudo uns bocó.

Teu ego esmigalhado,
sempre precisando
de manutenção,
pobre menina:
cega, surda e muda.

não estaciona
no meu portão,
que eu vou entrar
com meu mavericão.


IV

era muito mais fácil
nunca ter abrido a porta,
não ter dado bola
pro vento sul,
não provar da tainha.

não deixar
a pomboca acesa.

terça-feira, julho 01, 2008

eu nasci assim...

que delícia te ouvir
eu te bebi pelo telefone
goles pequenos,
como um licor de romã

eu nunca tive quem
me enchesse
de palavras
plenas de vento

quem me desse linha
pra brilhar perto
das nuvens branquinhas
de maio

nuvens equatoriais,
como flores
no algodoeiro

vai ver
que eu sou
exigente demais

que sempre fico olhando pro guarda
e acabo atropelado

mas agora
que chegou
a banda larga,
tu me pescasses
nesse oceano de palavras,
e deixasses
eu te beber e gozar.

eu quero ser sempre teu.

sexta-feira, junho 27, 2008

fel

eu não preciso
da tua permissão,
eu quero
o que transborda,
o som que atravessa a parede,
o que brilha,
mesmo no mais fechado
buraco escuro.

quero o que a tua razão
não te permite ver.
o que o teu medo
não consegue segurar.

a palavra que escapa.
o meu olhar
te surpreendendo
a olhar pro lugar proibido.
a terra que ninguém
ouviu falar.

não quero a liberdade vigiada.
não pago preço nenhum.
eu sou o vento que te descabela
permanentemente.

até que tu desistas
de lutar contra.
e descubras o prazer
de não ser mais uma,
mas uma multidão
em ti mesma.

a tua intuição já sabe.
ela que te segura no precipício.
no mais respiro e tento
um dia mais propício.

quarta-feira, junho 25, 2008

é sobretudo o que eu jamais
vou compreender,
que se aloja no mais profundo
da minha lembrança vadia.

e toda a anestesia do mundo
não me arranca da consciência.
e eu percebo sem explicar,
que o tempo não existe.

ela é feita
da minha mais pura poesia.
e carrega seu arco pelas ruas
e atira flechas contra
todas as feiuras.
e me revela.

meu outro eu perfeito.

sim, sou eu que te abraço
mais uma vez,
olhos brilhando.
caminhando pelo labirinto.
amor?