quarta-feira, maio 27, 2009
salve o mesmo simples contato,
feito a qualquer tempo,
sem qualquer motivo,
pleno da saliva dos nossos sonhos
olá, bom dia
que teus passos tenhas sido suaves nessa noite,
caminhos cheios de sombras pra descansar
e tuas mãos tenham sido aquecidas pela idéia das minhas.
olá, bom dia
se hoje não acordei ao teu lado
e quando isso for um costume,
querida, esteja sempre certa,
é contigo o meu sorriso mais constante
ao observar surpreso,
que uma vida passada ao teu lado,
foi rápida como um instante e
eterna como um primeiro beijo roubado.
domingo, maio 24, 2009
que não cessa de jorrar
vida amarga, doce, salgada
vida viva pra variar
assim ela pula pra dentro de mim
e eu fico enlouquecido a olhar
querendo que ela viesse num vôo
na minha casa velha pousar
mas nada disso importa agora
se eu gosto ou não de voar
porque tudo nessa vida tem um preço
e esse eu não posso pagar.
domingo, maio 17, 2009
sábado, abril 25, 2009
certa seta nulo alvo
falo em beta, monte calvo
suposta dose de loucura que nos dá o charme?
a professora está vestida em riste
nada clown, flor de triste
lágrima ótima da cabeceira azul
chove chama contida no sul
e no mais a tua lenta composição de lâminas
condicionará mais um escandaloso final
para o desejo intenso de outro sinal
disperso entre folhas na pátina.
segunda-feira, abril 06, 2009
eu tenho a chave do teu sorriso
escondida no bolso
da minha calça preferida
mas não sei bem aonde ela está
nossa história é feita desses vôos impossíveis
e tu sabes disso
e sempre me tivesses sem me ter
e eu filmei a minha mão no teu cabelo
cada segredo teu
que eu carrego sem saber
bruxa maldita
te amo mais que a vida
agora some, como tá no teu script
eterno retorno
então me explica porque eu sou tão teu
me explica o que eu faço
com tudo isso aqui represado
eu não quero solução
troco tudo por um segundo de plenitude
gosto desse teu jeito não possível
mas eu preciso ver além dos muros desses dias
eu to vestido de profeta hoje
eu tenho esse brilho, e não durmo com esse barulho
eu bebo e não mato a sede
hoje tu vais dançar com o zaratrusta
eu já não espero nada
mas eu tava preso na tua asa
me dá outro selo
um selo amarelo
hélio passa em sua carruagem dourada
todo dia
pela tua vida
atravessando o céu
você pega o trem azul, o sol na cabeça
o sol pega o trem azul, você na cabeça
tás derramando, eu sinto
tás cheia de graça
finalmente
que bom
ave maria
eu te engravidei de uma idéia
era isso que eu queria hoje
segunda-feira, março 16, 2009
segunda-feira, março 09, 2009
Só quando fosse possível derramar esse pote cheio
Esse que carrega as águas que vem da chuva
De tantos anos no alpendre da casa
Já se vê a marca na madeira seca.
Estará sempre lá
E quebrado o costume de tantas gerações
Eu poderia te pedir sinceramente
Pra nunca mais te ver porque vou cansado
De sofrer longe e perto dos teus braços
Do teu olhar complacente e agora sabemos
Sinceramente preguiçoso.
Tudo poderia recomeçar,
Mas ainda assim seríamos os mesmos.
Portanto partir com algum senso de beleza
E a posse de alguma dignidade sã
Que nossa loucura anda cansada dos nossos pés
Bom acordar longe dessa tua cama
Coberta de panos coloridos,
Que eu nunca vi, mas já sonhei tantas milhares de vezes.
Só pode ser a tua, compreendes, teu olhar...
Não esconde mais nada
Nilo Neto
domingo, novembro 16, 2008
quinta-feira, outubro 23, 2008
te abraço como um amigo que continua
que sonha ser alimento e nada mais
o trigo do moinho, o pão
o peixe compartilhado, o perdão
o vento que lembra o vôo e o segredo
a sombra que descansa a velha dor
a faca que corta o destino
o sorriso do menino na beira do rio
o desvario sem nome
toda a saudade que me consome
não chora, me abraça
que toda distância é fraca
te amo como colombo, ao ver as terras quentes do caribe
e sonhou com o paraíso perdido
e morreu ignorado e pleno
por saber que o mundo é maior que os sonhos
quinta-feira, outubro 02, 2008
domingo, setembro 28, 2008
deixo o sorriso bobo na fachada
tudo que eu não quero encontrar
vive passando na calçada
um dia a palhaça ficou quieta
viveu seu dia de um jeito estranho
um dia ela revelou a senha secreta
e minha alma ficou desse tamanho
agora quem está no circo sou eu
não faz mais sentido morar na casa
não quero mais ser um quer prometeu
hoje eu vou ser a tua outra asa
aprende que aqui terás sempre o sim
mesmo que o espelho te mostre outra
nesse longo baile de jardim
não há força que possa ser contra
nos amamos desde o primeiro segundo
percebemos logo o eterno e o infinito
agora nos resta ganhar o mundo
porque estamos perdidos no mesmo grito
terça-feira, setembro 23, 2008
é um ardil contra a certeza
dos que não se conseguem perceber
fazendo parte de nada.
e assim,
nesse auto imposto exílio,
permanecem ancorados
em pequenos delírios de encontros,
a beira de um poço seco,
aonde não se atiram mais desejos
sobrevivo por conta do desacordo
que estremece as pontes
entre a cidade morta
e o continente dos ventos vadios
sei que ainda respiro
quando me cobre o olhar uma asa partida,
alma cansada que como a minha
está mirando mas não vê o horizonte.
não, não cairei pela milésima vez
dessas falésias, na escuridão.
somente fixarei minha lança
no mais alto monte do segredo
e tudo permanecerá tão pálido
quanto sempre.
quarta-feira, agosto 20, 2008
nesses dias em que beijo o precipício, fica um gosto de ontem na boca.
eu estar comigo outras vezes não é divertido. mesmo que algo
faça sentido, toda flor um dia me sufoca e ri.
mas as poucas chances que eu tenho de não estar ali, são as que,
distraido da minha felicidade de estar contigo, sou feliz.
domingo, julho 27, 2008
quinta-feira, julho 17, 2008
as minhas amantes,
são fontes
inconstantes,
de prazeres distantes.
elas são inexistentes.
incapazes
de delícias arfantes,
antes.
galopes errantes,
por terras
e mentes,
as minhas amantes
são tão importantes,
que loucas sementes,
me fazem semear
em todos
os quadrantes.
secam-me as fontes.
desejo entre pontes.
as minhas amantes
alimentam levantes
no quartel de abrantes.
e fossem tão quentes,
deixassem os montes
floridos enfim,
suas lembranças
serão sempre
marcantes,
sonhando com elas
eu quero meu fim.
sábado, julho 05, 2008
I
já não publico mais
teus magros ardis,
na folha da minha perdição.
eu e minha gota que falta,
pro desfecho da festa, por favor,
deixa em paz os passarinhos,
deixa em paz a mim,
que sou um pote
até aqui de mágoa.
decantado sofrimento,
construído com solas gastas,
de andar a esmo pela ilha.
mais a montanha de agulhas,
espetadas no teu nome,
nas paredes cobertas
de recados inúteis,
lá no sul de tudo.
II
vudu.
vácuo.
vacuum.
vai...
III
No fundo não passas
de uma menininha do interior,
jogando com tuas arminhas
tão frágeis.
no centro e na cidade
é tudo uns bocó.
Teu ego esmigalhado,
sempre precisando
de manutenção,
pobre menina:
cega, surda e muda.
não estaciona
no meu portão,
que eu vou entrar
com meu mavericão.
IV
era muito mais fácil
nunca ter abrido a porta,
não ter dado bola
pro vento sul,
não provar da tainha.
não deixar
a pomboca acesa.
terça-feira, julho 01, 2008
que delícia te ouvir
eu te bebi pelo telefone
goles pequenos,
como um licor de romã
eu nunca tive quem
me enchesse
de palavras
plenas de vento
quem me desse linha
pra brilhar perto
das nuvens branquinhas
de maio
nuvens equatoriais,
como flores
no algodoeiro
vai ver
que eu sou
exigente demais
que sempre fico olhando pro guarda
e acabo atropelado
mas agora
que chegou
a banda larga,
tu me pescasses
nesse oceano de palavras,
e deixasses
eu te beber e gozar.
eu quero ser sempre teu.
sexta-feira, junho 27, 2008
eu não preciso
da tua permissão,
eu quero
o que transborda,
o som que atravessa a parede,
o que brilha,
mesmo no mais fechado
buraco escuro.
quero o que a tua razão
não te permite ver.
o que o teu medo
não consegue segurar.
a palavra que escapa.
o meu olhar
te surpreendendo
a olhar pro lugar proibido.
a terra que ninguém
ouviu falar.
não quero a liberdade vigiada.
não pago preço nenhum.
eu sou o vento que te descabela
permanentemente.
até que tu desistas
de lutar contra.
e descubras o prazer
de não ser mais uma,
mas uma multidão
em ti mesma.
a tua intuição já sabe.
ela que te segura no precipício.
no mais respiro e tento
um dia mais propício.
quarta-feira, junho 25, 2008
vou compreender,
que se aloja no mais profundo
da minha lembrança vadia.
e toda a anestesia do mundo
não me arranca da consciência.
e eu percebo sem explicar,
que o tempo não existe.
ela é feita
da minha mais pura poesia.
e carrega seu arco pelas ruas
e atira flechas contra
todas as feiuras.
e me revela.
meu outro eu perfeito.
sim, sou eu que te abraço
mais uma vez,
olhos brilhando.
caminhando pelo labirinto.
amor?
segunda-feira, junho 09, 2008
estão começando a bater
nas pedras do meu costão.
É sempre
o momento mais delicado do vôo,
o toque dos pneus no asfalto.
A reentrada na atmosfera.
O despertar do longo sono
sem sonhos
da anestesia geral.
Cresce a esperança?
Mastiga a vida,
último naco da carne dura,
sem dentes?
E agora, José?