carta ao meu filho não nascido
não pude te dar um mundo,
que não me quis, não me viu.
fui amargo, egoísta, sensível demais.
sinto falta do teu sorriso,
que nunca ouvirei.
esse vazio que ninguém preenche,
vou saturando com as lágrimas
que não choro mais.
querido filho.
te deixo um punhado de palavras.
testemunhas de um caminho seco.
sem sucesso, sem felicidade, sem paz.
apenas a boquiaberta perplexidade
dos loucos solitários,
desistidos, suicidados.
mas não peço teu perdão,
só o silêncio cheio de ecos,
das muitas gerações que não virão.
domingo, novembro 04, 2007
sexta-feira, outubro 26, 2007
Os melhores poemas
foram os que perdi,
Nos cafundós da memória.
Distraído,
atravessando a rua.
Ou entre um gole
e a demoradíssima
caneta do garçom.
Não me abandona, logo agora,
Que descobriste o homem,
Escondido atrás do poeta.
Nem tudo é solicitude e riso.
Profundidade e siso.
Há sempre
uma nova vasilha
pra encher,
Com os pingos da chuva que,
goteira,
Não caberiam em outro lugar.
Ama-me ou escassa-me.
Seria esquece-me?
foram os que perdi,
Nos cafundós da memória.
Distraído,
atravessando a rua.
Ou entre um gole
e a demoradíssima
caneta do garçom.
Não me abandona, logo agora,
Que descobriste o homem,
Escondido atrás do poeta.
Nem tudo é solicitude e riso.
Profundidade e siso.
Há sempre
uma nova vasilha
pra encher,
Com os pingos da chuva que,
goteira,
Não caberiam em outro lugar.
Ama-me ou escassa-me.
Seria esquece-me?
quinta-feira, outubro 25, 2007
Avança a vítima no tranco.
Procura seu reflexo no barranco.
De repente, ouve-se o estampido.
E mais nenhum outro ruído.
Nada mais se interpõe à vedade.
Nem governo, nem a caridade.
Só a crueza da falta de escolha.
Nem raiz, nem galhos, só folha.
E tudo isso já está escrito.
E fica o dito, pelo não dito.
Finda a alma e o corpo, no morro.
Jamais houve qualquer tipo de socorro.
Eu, poeta do céu azul,
Falo pelas almas no vento sul.
Agora calo, sem solução,
respondo pelo fim dessa canção.
E ponto final.
Procura seu reflexo no barranco.
De repente, ouve-se o estampido.
E mais nenhum outro ruído.
Nada mais se interpõe à vedade.
Nem governo, nem a caridade.
Só a crueza da falta de escolha.
Nem raiz, nem galhos, só folha.
E tudo isso já está escrito.
E fica o dito, pelo não dito.
Finda a alma e o corpo, no morro.
Jamais houve qualquer tipo de socorro.
Eu, poeta do céu azul,
Falo pelas almas no vento sul.
Agora calo, sem solução,
respondo pelo fim dessa canção.
E ponto final.
segunda-feira, outubro 22, 2007
Não preciso de perdão.
Não preciso de resistência.
Um milhão de palavras mortas,
giram ao meu redor a cada segundo.
Nada são,
diante da lógica,
da dialética,
de um pensamento taoísta perfeito.
Então, só quando cessam as palavras;
Na exaustão dos corpos respirando livres,
É que a minha não-resposta pode acontecer.
É quando eu morro,
sonhando em acordar no teus braços.
Não preciso de resistência.
Um milhão de palavras mortas,
giram ao meu redor a cada segundo.
Nada são,
diante da lógica,
da dialética,
de um pensamento taoísta perfeito.
Então, só quando cessam as palavras;
Na exaustão dos corpos respirando livres,
É que a minha não-resposta pode acontecer.
É quando eu morro,
sonhando em acordar no teus braços.
Para uma certa burguesa filha da puta:
As doces lembranças das manhãs no lago
Um dia, um imbecilzinho de merda,
Do alto de seu castelo de sombras,
Desejando poder e dinheiro,
Inventou a normalidade.
E sentia prazer e satisfação
Em explorar as estranhezas legítimas
das outras pessoas.
Assim foi também que outros imbecis do mesmo quilate,
Inventaram: a beleza, a verdade, a justiça e deus.
Como se isso pudesse existir além da subjetividade,
Da experiência única e intransferível, de cada um.
E se intitularam porta vozes dessas idéias.
Sempre desejando o mesmo prazer egoísta.
Assim destruíram o planeta.
E foderam com a paciência de muitos.
Palmas para eles, que eles merecem.
As doces lembranças das manhãs no lago
Um dia, um imbecilzinho de merda,
Do alto de seu castelo de sombras,
Desejando poder e dinheiro,
Inventou a normalidade.
E sentia prazer e satisfação
Em explorar as estranhezas legítimas
das outras pessoas.
Assim foi também que outros imbecis do mesmo quilate,
Inventaram: a beleza, a verdade, a justiça e deus.
Como se isso pudesse existir além da subjetividade,
Da experiência única e intransferível, de cada um.
E se intitularam porta vozes dessas idéias.
Sempre desejando o mesmo prazer egoísta.
Assim destruíram o planeta.
E foderam com a paciência de muitos.
Palmas para eles, que eles merecem.
sábado, outubro 13, 2007
A pequena arte de complicar as coisas
As partes negras da tua alma,
Gritam,
Que o amor é um poço seco.
O teu medo da solidão
Tentou me engolir.
Mas o vento da noite
Me trouxe de volta
Pra minha.
Agora vou boiar
Na minha rotina.
Até que a ilusão,
Me faça jogar a linha.
Ou finalmente eu morra,
Vítima de egoísmo crônico.
As partes negras da tua alma,
Gritam,
Que o amor é um poço seco.
O teu medo da solidão
Tentou me engolir.
Mas o vento da noite
Me trouxe de volta
Pra minha.
Agora vou boiar
Na minha rotina.
Até que a ilusão,
Me faça jogar a linha.
Ou finalmente eu morra,
Vítima de egoísmo crônico.
domingo, outubro 07, 2007
Não é verde,
o meu acordo é feito de tons irreais.
O desejo tem luz e sombra.
Viver é apostar no cavalo errado.
Um punhado de frases desconexas.
Um milhão de beijos
não curam um corte no coração.
E por favor, desiste da idéia de família.
Foi o que te arrebentou.
Não queira arrebentar mais ninguém.
Loucos sinceros não reproduzem
padrões de tristeza.
São humanas as respostas.
Imperfeitas.
Adoro teu sorriso.
Tua luz me faz possível.
Eu vibro com teu calor.
o meu acordo é feito de tons irreais.
O desejo tem luz e sombra.
Viver é apostar no cavalo errado.
Um punhado de frases desconexas.
Um milhão de beijos
não curam um corte no coração.
E por favor, desiste da idéia de família.
Foi o que te arrebentou.
Não queira arrebentar mais ninguém.
Loucos sinceros não reproduzem
padrões de tristeza.
São humanas as respostas.
Imperfeitas.
Adoro teu sorriso.
Tua luz me faz possível.
Eu vibro com teu calor.
terça-feira, outubro 02, 2007
Eu queria que o amor fosse
uma tempestade de absurdos doces.
Mas é uma faca apontada para o sim.
Ele é o desencontro das mães solitárias,
saudosas do choro de seus bebês,
enquanto a chaleira ferve, de tarde,
nas casas vazias, ensolaradas, nos subúrbios
de uma cidade qualquer da Guatemala.
Ele é o segredo escondido
nas informações incompreensíveis,
das embalagens de cereais matinais.
Ele é o gemido discreto,
no sentar e levantar,
dos bancos de praças,
dos velhos e suas cabeças brancas.
O amor são os aparelhos de ar condicionado,
nas repartições públicas,
onde decisões que afetam a vida de tantos,
que não são ouvidos,
explodem todos os dias.
É o dedo no gatilho dos meninos traficantes,
que não dispara e somente hoje,
é substituído pela linha das pipas,
no céu azul, dessa ilha cheia de vento.
O amor é tua boca aberta,
quase riso, quando gozas.
É a revoada de pássaros no horizonte,
42 segundos antes do sol nascer.
É o suicídio que não deu certo,
no meu amigo que matou o pai e a mãe.
O amor é o filho que não tive contigo,
amor da vida inteira.
uma tempestade de absurdos doces.
Mas é uma faca apontada para o sim.
Ele é o desencontro das mães solitárias,
saudosas do choro de seus bebês,
enquanto a chaleira ferve, de tarde,
nas casas vazias, ensolaradas, nos subúrbios
de uma cidade qualquer da Guatemala.
Ele é o segredo escondido
nas informações incompreensíveis,
das embalagens de cereais matinais.
Ele é o gemido discreto,
no sentar e levantar,
dos bancos de praças,
dos velhos e suas cabeças brancas.
O amor são os aparelhos de ar condicionado,
nas repartições públicas,
onde decisões que afetam a vida de tantos,
que não são ouvidos,
explodem todos os dias.
É o dedo no gatilho dos meninos traficantes,
que não dispara e somente hoje,
é substituído pela linha das pipas,
no céu azul, dessa ilha cheia de vento.
O amor é tua boca aberta,
quase riso, quando gozas.
É a revoada de pássaros no horizonte,
42 segundos antes do sol nascer.
É o suicídio que não deu certo,
no meu amigo que matou o pai e a mãe.
O amor é o filho que não tive contigo,
amor da vida inteira.
domingo, setembro 30, 2007
Se for morrer, me avisa.
Assim arrumo a maior briga
de todos os tempos.
Senão, esfrega esse corpo
redondo, macio e cheiroso no meu.
Que temos 4.327 maneiras de encaixar.
Como aquele jogo antigo,
de blocos de madeira,
imitando paredes de tijolo,
casas e torres.
Nós nos construimos,
com abraços e beijos.
Enquanto o relógio para de vez.
Assim arrumo a maior briga
de todos os tempos.
Senão, esfrega esse corpo
redondo, macio e cheiroso no meu.
Que temos 4.327 maneiras de encaixar.
Como aquele jogo antigo,
de blocos de madeira,
imitando paredes de tijolo,
casas e torres.
Nós nos construimos,
com abraços e beijos.
Enquanto o relógio para de vez.
quinta-feira, setembro 27, 2007
Dor e Poesia
Porque tu sabes apertar os meus botões
E botar no sol minhas feridas,
Porque tu és o sereno que molha meu jardim com flor,
Vida, sempre tão suave e exata.
Porque eu faço questão de tentar esquecer
que alguém possua as chaves da minha solidão,
Tão perdido fico na tua presença,
Que só consigo pensar em deus.
( e ele devia estar morto há muito tempo);
Soberana absoluta do meu silêncio.
Do fio condutor do meu desejo.
Eis-me aqui, mais uma vez.
Os braços abertos como o outro.
Feliz por te saber parte desse sonho.
Porque tu sabes apertar os meus botões
E botar no sol minhas feridas,
Porque tu és o sereno que molha meu jardim com flor,
Vida, sempre tão suave e exata.
Porque eu faço questão de tentar esquecer
que alguém possua as chaves da minha solidão,
Tão perdido fico na tua presença,
Que só consigo pensar em deus.
( e ele devia estar morto há muito tempo);
Soberana absoluta do meu silêncio.
Do fio condutor do meu desejo.
Eis-me aqui, mais uma vez.
Os braços abertos como o outro.
Feliz por te saber parte desse sonho.
quarta-feira, setembro 12, 2007
terça-feira, setembro 11, 2007
segunda-feira, setembro 10, 2007
todo fim de tarde
milhões de bebuns se dirigem aos butecos
em busca da risada perfeita.
não encontram.
ninguém jamais encontra.
Mas eles voltam todo dia.
Até que o fim se mostre.
E se mostra para muitos.
Antes de qualquer poesia.
O poeta louco vira pop star.
E aparece na propaganda
de detergente ou pasta de dente.
E você sentado em sua poltrona,
Entre um sorriso e um produto, pensa
Esse mundo está mesmo perdido,
O capitalismo selvagem delirante,
tem lugar pra todo mundo.
Um brinde ao sonho e a tudo
que não pode ser classificado,
embalado e pesado.
ainda...
milhões de bebuns se dirigem aos butecos
em busca da risada perfeita.
não encontram.
ninguém jamais encontra.
Mas eles voltam todo dia.
Até que o fim se mostre.
E se mostra para muitos.
Antes de qualquer poesia.
O poeta louco vira pop star.
E aparece na propaganda
de detergente ou pasta de dente.
E você sentado em sua poltrona,
Entre um sorriso e um produto, pensa
Esse mundo está mesmo perdido,
O capitalismo selvagem delirante,
tem lugar pra todo mundo.
Um brinde ao sonho e a tudo
que não pode ser classificado,
embalado e pesado.
ainda...
sexta-feira, agosto 17, 2007
No jogo da conversa
Somos dois,
Um chat sem fim.
nesse nosso xadrez de palavras
vão-se os véus
ficam os dedos cruzados
todos os movimentos
são cronometrados
pelas batidas do coração
existe sempre
a possibilidade
da frase perfeita.
Mas enquanto
ela não ocorre,
cada letra
é uma encruzilhada,
que abre mil
novas possibilidades
Eu intuo a tua jogada.
Antecipo meu desejo
E nego tudo no final.
Tu te mostras incansável,
Mostrando e escondendo,
Confundindo meu pensamento.
Até que num xeque-mate
Inesperado, eu derrubo meu rei
E perco o jogo feliz.
E lá se vai
Mais um dia
Longe dos teus braços.
Perto do coração?
Somos dois,
Um chat sem fim.
nesse nosso xadrez de palavras
vão-se os véus
ficam os dedos cruzados
todos os movimentos
são cronometrados
pelas batidas do coração
existe sempre
a possibilidade
da frase perfeita.
Mas enquanto
ela não ocorre,
cada letra
é uma encruzilhada,
que abre mil
novas possibilidades
Eu intuo a tua jogada.
Antecipo meu desejo
E nego tudo no final.
Tu te mostras incansável,
Mostrando e escondendo,
Confundindo meu pensamento.
Até que num xeque-mate
Inesperado, eu derrubo meu rei
E perco o jogo feliz.
E lá se vai
Mais um dia
Longe dos teus braços.
Perto do coração?
quinta-feira, agosto 16, 2007
Eu queria ter a mão certa pra traçar no horizonte essa felicidade.
E finalmente ver com os olhos do coração tudo o que faz parte do meu caminho.
Mas mesmo na condição de falível humano modesto e nu.
Todas essas energias que atravessam meu coração,
Quando eu fico em contato com a tua,
Me fazem agarrar a mão da paz e me levantar daqui
E te dizer obrigado por tu seres tão linda
E mesmo não compreendendo a força disso tudo,
Ainda ter a serenidade pra te amar e te dizer.
E finalmente ver com os olhos do coração tudo o que faz parte do meu caminho.
Mas mesmo na condição de falível humano modesto e nu.
Todas essas energias que atravessam meu coração,
Quando eu fico em contato com a tua,
Me fazem agarrar a mão da paz e me levantar daqui
E te dizer obrigado por tu seres tão linda
E mesmo não compreendendo a força disso tudo,
Ainda ter a serenidade pra te amar e te dizer.
domingo, agosto 05, 2007
nada te atinge, mulher
pico da neblina
solta essa fera
solta esse grito
que vem das entranhas
te amo, meu homem
meu macho de mil cabeças
vem me rasgar
vem que eu te dou outra vez
o meu brilho de árvore seca
meu gosto de romã triste
minha lágrima engolida em seco
aceita a minha faca nesse coração duro
meu perdão de menina que perdeu o pai
meu lampião quebrado
amém
pico da neblina
solta essa fera
solta esse grito
que vem das entranhas
te amo, meu homem
meu macho de mil cabeças
vem me rasgar
vem que eu te dou outra vez
o meu brilho de árvore seca
meu gosto de romã triste
minha lágrima engolida em seco
aceita a minha faca nesse coração duro
meu perdão de menina que perdeu o pai
meu lampião quebrado
amém
sábado, agosto 04, 2007
quarta-feira, agosto 01, 2007
eu mexo nos lugares certos
é isso que te enlouquece
eu esquento, esfrio, falo sério, brinco,
te trato como uma putinha, uma santa
digo que te amo, te odeio,
tenho ciúme, exijo liberdade
sou um velho, uma criança,
quero teu corpo, tua alma,
depois fico distante
vejo filme, te chupo,
conto um segredo, te acalmo
digo que te aceito, digo que és impossível,
que eu queria um filho teu,
depois agradeço por morares longe
eu falei de mim
mas parecia um poema.
é isso que te enlouquece
eu esquento, esfrio, falo sério, brinco,
te trato como uma putinha, uma santa
digo que te amo, te odeio,
tenho ciúme, exijo liberdade
sou um velho, uma criança,
quero teu corpo, tua alma,
depois fico distante
vejo filme, te chupo,
conto um segredo, te acalmo
digo que te aceito, digo que és impossível,
que eu queria um filho teu,
depois agradeço por morares longe
eu falei de mim
mas parecia um poema.
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