minha vida
é uma casca de ferida
que eu insisto
em cutucar.
a tua,
não tem saída,
mesmo se fosses a preferida
do sultão de kandaar
ardida
urdida
nos estranhos tecidos
do verbo amar.
sábado, fevereiro 16, 2008
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
ando seco.
a pena esturricou.
o coração fechado
pra balanço
do barco.
um caco
de telha
sem uso.
intruso,
em meu próprio
castelo de espelhos.
todos os que percebo,
todas as sombras e a base,
são mesmo o fim da escada.
e não me peçam mais nada.
eternos espinhos cravados.
metáforas gastas e pobres.
deixem-me torrar os cobres,
nos sons da poesia alheia.
nessa gente feita de areia.
tudo emancipado e nu.
tudo acidente, sem conexão.
até que chova em meu coração.
a pena esturricou.
o coração fechado
pra balanço
do barco.
um caco
de telha
sem uso.
intruso,
em meu próprio
castelo de espelhos.
todos os que percebo,
todas as sombras e a base,
são mesmo o fim da escada.
e não me peçam mais nada.
eternos espinhos cravados.
metáforas gastas e pobres.
deixem-me torrar os cobres,
nos sons da poesia alheia.
nessa gente feita de areia.
tudo emancipado e nu.
tudo acidente, sem conexão.
até que chova em meu coração.
domingo, janeiro 13, 2008
não precisa se importar com a minha dor. ela é mesquinha, mentirosa, feito sujeira de umbigo.
e esse lugar aqui não é de verdade. aqui é o verdadeiro labirinto de espelhos. todos se vêem. ninguém vê o que realmente está escrito nas paredes por detrás.
se está escrito alguma coisa... se são apenas garatujas incompreensíveis da criança louca...
não precisa se preocupar com o poeta. olha pra tua dor, escrita no ar com a fumaça da vaidade dele. ou pro teu prazer, feito de sementes de abóbora escondidas nos quintais.
miríades de estrelas soluçantes, numa tarde sem sol de verão.
gato mordendo a cabeça do peixe.
bandeira de qualquer país murcha no mastro.
todos os gols que o avaí perdeu no último minuto.
a estranha morte do único poeta interessante dos trópicos ateus.
e esse lugar aqui não é de verdade. aqui é o verdadeiro labirinto de espelhos. todos se vêem. ninguém vê o que realmente está escrito nas paredes por detrás.
se está escrito alguma coisa... se são apenas garatujas incompreensíveis da criança louca...
não precisa se preocupar com o poeta. olha pra tua dor, escrita no ar com a fumaça da vaidade dele. ou pro teu prazer, feito de sementes de abóbora escondidas nos quintais.
miríades de estrelas soluçantes, numa tarde sem sol de verão.
gato mordendo a cabeça do peixe.
bandeira de qualquer país murcha no mastro.
todos os gols que o avaí perdeu no último minuto.
a estranha morte do único poeta interessante dos trópicos ateus.
sábado, janeiro 12, 2008
segunda-feira, dezembro 24, 2007
Como não te amar
Se tu alias
em perfeita sincronia,
palavras e gestos,
No momento mais crítico
da contradança da desilusão.
Causando uma revoada
de serafins no meu peito.
Calculando,
como numa ponte,
os nós que ainda sustentam
meu frágil não ser.
Debochando da minha clausura
e de todos os outros votos tristes,
para no fim receber
minha fantasia delirante,
Com o aplauso imenso,
das duas mãos,
que quero no ato final
entre as minhas.
Será o dia da perfeição sem nome do caminho.
O filme pornô bizarro,
estrelado e dirigido
por loucos.
Sucesso mundial
De crítica e público.
Sexo bissexto,
saturado de solidão,
gritando por um mundo
sem barras de ferro
ou palavras que roubem
a já raquítica esperança.
Rasgo do novo possível,
no céu sem nuvens
da razão amarga,
que não consegue ver além
das leis que ela mesma cria.
Assim somos,
Amiga alada,
E a semente que carregamos
com tanta dor e prazer,
Será a vida
Em luminosa renovação,
Nos jardins da compreensão
Dos filhos que nunca teremos.
Se tu alias
em perfeita sincronia,
palavras e gestos,
No momento mais crítico
da contradança da desilusão.
Causando uma revoada
de serafins no meu peito.
Calculando,
como numa ponte,
os nós que ainda sustentam
meu frágil não ser.
Debochando da minha clausura
e de todos os outros votos tristes,
para no fim receber
minha fantasia delirante,
Com o aplauso imenso,
das duas mãos,
que quero no ato final
entre as minhas.
Será o dia da perfeição sem nome do caminho.
O filme pornô bizarro,
estrelado e dirigido
por loucos.
Sucesso mundial
De crítica e público.
Sexo bissexto,
saturado de solidão,
gritando por um mundo
sem barras de ferro
ou palavras que roubem
a já raquítica esperança.
Rasgo do novo possível,
no céu sem nuvens
da razão amarga,
que não consegue ver além
das leis que ela mesma cria.
Assim somos,
Amiga alada,
E a semente que carregamos
com tanta dor e prazer,
Será a vida
Em luminosa renovação,
Nos jardins da compreensão
Dos filhos que nunca teremos.
quarta-feira, dezembro 19, 2007
segunda-feira, dezembro 17, 2007
sábado, dezembro 15, 2007
segunda-feira, dezembro 10, 2007
quarta-feira, novembro 28, 2007
terça-feira, novembro 27, 2007
entre aquelas nove
pétalas de margarida
que eu arranquei
pela primeira vez
na minha vida
na escada que dá pro jardim
aqui de casa
eu nunca poderia imaginar
que o último bem-me-quer
que eu arrancava
era tua suave presença,
teu amor luminoso,
teu gozo tão próximo.
e olha eu tinha nove anos!
bem- vinda, completa,
compreensão do meu fado.
meus olhos arregalados
permanecem no milagre inesesperado
daqueles dias sem dor.
pétalas de margarida
que eu arranquei
pela primeira vez
na minha vida
na escada que dá pro jardim
aqui de casa
eu nunca poderia imaginar
que o último bem-me-quer
que eu arrancava
era tua suave presença,
teu amor luminoso,
teu gozo tão próximo.
e olha eu tinha nove anos!
bem- vinda, completa,
compreensão do meu fado.
meus olhos arregalados
permanecem no milagre inesesperado
daqueles dias sem dor.
domingo, novembro 25, 2007
desterrados de novo
pululam
palavras
na mente fogo
a teia
há
só não há rima
e nem solução
guerra não declarada
frio e fome
de sermos ouvidos
estrangeiros
em nossa própria
terra
pasárgada era
a gente não sabia
ou fingia não saber
pra não voar daqui
diz traídos
venceríamos
agora
a nostalgia precoce
e as dores do parto
mas para onde?
pululam
palavras
na mente fogo
a teia
há
só não há rima
e nem solução
guerra não declarada
frio e fome
de sermos ouvidos
estrangeiros
em nossa própria
terra
pasárgada era
a gente não sabia
ou fingia não saber
pra não voar daqui
diz traídos
venceríamos
agora
a nostalgia precoce
e as dores do parto
mas para onde?
quarta-feira, novembro 21, 2007
Minha alma na janela.
Farol dos meus erros,
a poesia permanece,
os amores passam.
Toda a construção
resultará inútil.
Resistir ao desejo inerente de construir,
também.
Então abre tuas de asas de cera,
ruma ao sol e
observa teu destino se cumprir,
até a queda.
Não deixa tua passagem
ser em vão, entretanto.
Cria, comove, registra e acredita:
a arte carrega o pouco de sublime
que resta aos humanos.
Farol dos meus erros,
a poesia permanece,
os amores passam.
Toda a construção
resultará inútil.
Resistir ao desejo inerente de construir,
também.
Então abre tuas de asas de cera,
ruma ao sol e
observa teu destino se cumprir,
até a queda.
Não deixa tua passagem
ser em vão, entretanto.
Cria, comove, registra e acredita:
a arte carrega o pouco de sublime
que resta aos humanos.
sábado, novembro 17, 2007
Minha fantasia de louco,
tem papoulas de vidro,
costuradas no pano
dourado.
Ela sabe
o nome dos peixes
desse aquário.
Nomes estranhíssimos.
Eu acho que ela inventa,
enquanto passa manteiga no pão,
distraída, nas tardes calmas
das campinas.
Esse se chama barbelinho,
aquele azul, lamba limba.
Depois me diz,
sem introdução,
que eu sou
o primeiro amor dela.
A luz do sol reflete minha roupa,
enquanto eu danço no espaço.
Tudo o que não for riso,
está definitivamente
guardado no sótão.
tem papoulas de vidro,
costuradas no pano
dourado.
Ela sabe
o nome dos peixes
desse aquário.
Nomes estranhíssimos.
Eu acho que ela inventa,
enquanto passa manteiga no pão,
distraída, nas tardes calmas
das campinas.
Esse se chama barbelinho,
aquele azul, lamba limba.
Depois me diz,
sem introdução,
que eu sou
o primeiro amor dela.
A luz do sol reflete minha roupa,
enquanto eu danço no espaço.
Tudo o que não for riso,
está definitivamente
guardado no sótão.
terça-feira, novembro 13, 2007
fome dos olhos da mulher amada.
De uma vida menos ordinária.
fome de rir sem motivo.
e de aceitar a morte com seus espinhos.
fome de tudo que não fazia sentido,
e hoje é celebrado em silêncio.
do gosto do gozo há muito esperado.
da tua mão em meus segredos.
fome que há de ser sempre fome.
que não pretende ser luz na escuridão.
fome que empacota meus vazios
e deixa a lembrança de outra canção.
fome de acreditar que combinar cores impossíveis,
pode ser melhor que qualquer poesia.
fome da cama vazia, depois do amor
e de tudo o que não entendi naquele dia.
fome de estar em você,
cozinhar pra você,
dormir com você.
fome de te esquecer.
De uma vida menos ordinária.
fome de rir sem motivo.
e de aceitar a morte com seus espinhos.
fome de tudo que não fazia sentido,
e hoje é celebrado em silêncio.
do gosto do gozo há muito esperado.
da tua mão em meus segredos.
fome que há de ser sempre fome.
que não pretende ser luz na escuridão.
fome que empacota meus vazios
e deixa a lembrança de outra canção.
fome de acreditar que combinar cores impossíveis,
pode ser melhor que qualquer poesia.
fome da cama vazia, depois do amor
e de tudo o que não entendi naquele dia.
fome de estar em você,
cozinhar pra você,
dormir com você.
fome de te esquecer.
terça-feira, novembro 06, 2007
Eu me enfronho
Nestas nuvens de saberes
E pouquíssima esperança.
Sou o imitador maior
De desconhecidas fórmulas
Sem uso.
Quando digo que te amo
Estou querendo dizer
Que me oprime
Cada minuto longe
De acordar contigo
E tomar um café da manhã
Em silêncio.
Aonde estaria esse deus,
Que nos faz de mãos estendidas,
Sem poder nunca nos tocar.
Somente: palavras, imagens, sons...
O auge da poesia,
Será esse instante
Antes do raio rasgar o céu?
Nestas nuvens de saberes
E pouquíssima esperança.
Sou o imitador maior
De desconhecidas fórmulas
Sem uso.
Quando digo que te amo
Estou querendo dizer
Que me oprime
Cada minuto longe
De acordar contigo
E tomar um café da manhã
Em silêncio.
Aonde estaria esse deus,
Que nos faz de mãos estendidas,
Sem poder nunca nos tocar.
Somente: palavras, imagens, sons...
O auge da poesia,
Será esse instante
Antes do raio rasgar o céu?
domingo, novembro 04, 2007
carta ao meu filho não nascido
não pude te dar um mundo,
que não me quis, não me viu.
fui amargo, egoísta, sensível demais.
sinto falta do teu sorriso,
que nunca ouvirei.
esse vazio que ninguém preenche,
vou saturando com as lágrimas
que não choro mais.
querido filho.
te deixo um punhado de palavras.
testemunhas de um caminho seco.
sem sucesso, sem felicidade, sem paz.
apenas a boquiaberta perplexidade
dos loucos solitários,
desistidos, suicidados.
mas não peço teu perdão,
só o silêncio cheio de ecos,
das muitas gerações que não virão.
não pude te dar um mundo,
que não me quis, não me viu.
fui amargo, egoísta, sensível demais.
sinto falta do teu sorriso,
que nunca ouvirei.
esse vazio que ninguém preenche,
vou saturando com as lágrimas
que não choro mais.
querido filho.
te deixo um punhado de palavras.
testemunhas de um caminho seco.
sem sucesso, sem felicidade, sem paz.
apenas a boquiaberta perplexidade
dos loucos solitários,
desistidos, suicidados.
mas não peço teu perdão,
só o silêncio cheio de ecos,
das muitas gerações que não virão.
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