Flertando com o tridente
Difusa filha de netuno,
estando a teus pés, puno
e vejo-te desaparecer.
Nesse teu mar imenso,
coca-cola com incenso,
vida viva, no cacto, beber.
segunda-feira, dezembro 17, 2007
sábado, dezembro 15, 2007
segunda-feira, dezembro 10, 2007
quarta-feira, novembro 28, 2007
terça-feira, novembro 27, 2007
entre aquelas nove
pétalas de margarida
que eu arranquei
pela primeira vez
na minha vida
na escada que dá pro jardim
aqui de casa
eu nunca poderia imaginar
que o último bem-me-quer
que eu arrancava
era tua suave presença,
teu amor luminoso,
teu gozo tão próximo.
e olha eu tinha nove anos!
bem- vinda, completa,
compreensão do meu fado.
meus olhos arregalados
permanecem no milagre inesesperado
daqueles dias sem dor.
pétalas de margarida
que eu arranquei
pela primeira vez
na minha vida
na escada que dá pro jardim
aqui de casa
eu nunca poderia imaginar
que o último bem-me-quer
que eu arrancava
era tua suave presença,
teu amor luminoso,
teu gozo tão próximo.
e olha eu tinha nove anos!
bem- vinda, completa,
compreensão do meu fado.
meus olhos arregalados
permanecem no milagre inesesperado
daqueles dias sem dor.
domingo, novembro 25, 2007
desterrados de novo
pululam
palavras
na mente fogo
a teia
há
só não há rima
e nem solução
guerra não declarada
frio e fome
de sermos ouvidos
estrangeiros
em nossa própria
terra
pasárgada era
a gente não sabia
ou fingia não saber
pra não voar daqui
diz traídos
venceríamos
agora
a nostalgia precoce
e as dores do parto
mas para onde?
pululam
palavras
na mente fogo
a teia
há
só não há rima
e nem solução
guerra não declarada
frio e fome
de sermos ouvidos
estrangeiros
em nossa própria
terra
pasárgada era
a gente não sabia
ou fingia não saber
pra não voar daqui
diz traídos
venceríamos
agora
a nostalgia precoce
e as dores do parto
mas para onde?
quarta-feira, novembro 21, 2007
Minha alma na janela.
Farol dos meus erros,
a poesia permanece,
os amores passam.
Toda a construção
resultará inútil.
Resistir ao desejo inerente de construir,
também.
Então abre tuas de asas de cera,
ruma ao sol e
observa teu destino se cumprir,
até a queda.
Não deixa tua passagem
ser em vão, entretanto.
Cria, comove, registra e acredita:
a arte carrega o pouco de sublime
que resta aos humanos.
Farol dos meus erros,
a poesia permanece,
os amores passam.
Toda a construção
resultará inútil.
Resistir ao desejo inerente de construir,
também.
Então abre tuas de asas de cera,
ruma ao sol e
observa teu destino se cumprir,
até a queda.
Não deixa tua passagem
ser em vão, entretanto.
Cria, comove, registra e acredita:
a arte carrega o pouco de sublime
que resta aos humanos.
sábado, novembro 17, 2007
Minha fantasia de louco,
tem papoulas de vidro,
costuradas no pano
dourado.
Ela sabe
o nome dos peixes
desse aquário.
Nomes estranhíssimos.
Eu acho que ela inventa,
enquanto passa manteiga no pão,
distraída, nas tardes calmas
das campinas.
Esse se chama barbelinho,
aquele azul, lamba limba.
Depois me diz,
sem introdução,
que eu sou
o primeiro amor dela.
A luz do sol reflete minha roupa,
enquanto eu danço no espaço.
Tudo o que não for riso,
está definitivamente
guardado no sótão.
tem papoulas de vidro,
costuradas no pano
dourado.
Ela sabe
o nome dos peixes
desse aquário.
Nomes estranhíssimos.
Eu acho que ela inventa,
enquanto passa manteiga no pão,
distraída, nas tardes calmas
das campinas.
Esse se chama barbelinho,
aquele azul, lamba limba.
Depois me diz,
sem introdução,
que eu sou
o primeiro amor dela.
A luz do sol reflete minha roupa,
enquanto eu danço no espaço.
Tudo o que não for riso,
está definitivamente
guardado no sótão.
terça-feira, novembro 13, 2007
fome dos olhos da mulher amada.
De uma vida menos ordinária.
fome de rir sem motivo.
e de aceitar a morte com seus espinhos.
fome de tudo que não fazia sentido,
e hoje é celebrado em silêncio.
do gosto do gozo há muito esperado.
da tua mão em meus segredos.
fome que há de ser sempre fome.
que não pretende ser luz na escuridão.
fome que empacota meus vazios
e deixa a lembrança de outra canção.
fome de acreditar que combinar cores impossíveis,
pode ser melhor que qualquer poesia.
fome da cama vazia, depois do amor
e de tudo o que não entendi naquele dia.
fome de estar em você,
cozinhar pra você,
dormir com você.
fome de te esquecer.
De uma vida menos ordinária.
fome de rir sem motivo.
e de aceitar a morte com seus espinhos.
fome de tudo que não fazia sentido,
e hoje é celebrado em silêncio.
do gosto do gozo há muito esperado.
da tua mão em meus segredos.
fome que há de ser sempre fome.
que não pretende ser luz na escuridão.
fome que empacota meus vazios
e deixa a lembrança de outra canção.
fome de acreditar que combinar cores impossíveis,
pode ser melhor que qualquer poesia.
fome da cama vazia, depois do amor
e de tudo o que não entendi naquele dia.
fome de estar em você,
cozinhar pra você,
dormir com você.
fome de te esquecer.
terça-feira, novembro 06, 2007
Eu me enfronho
Nestas nuvens de saberes
E pouquíssima esperança.
Sou o imitador maior
De desconhecidas fórmulas
Sem uso.
Quando digo que te amo
Estou querendo dizer
Que me oprime
Cada minuto longe
De acordar contigo
E tomar um café da manhã
Em silêncio.
Aonde estaria esse deus,
Que nos faz de mãos estendidas,
Sem poder nunca nos tocar.
Somente: palavras, imagens, sons...
O auge da poesia,
Será esse instante
Antes do raio rasgar o céu?
Nestas nuvens de saberes
E pouquíssima esperança.
Sou o imitador maior
De desconhecidas fórmulas
Sem uso.
Quando digo que te amo
Estou querendo dizer
Que me oprime
Cada minuto longe
De acordar contigo
E tomar um café da manhã
Em silêncio.
Aonde estaria esse deus,
Que nos faz de mãos estendidas,
Sem poder nunca nos tocar.
Somente: palavras, imagens, sons...
O auge da poesia,
Será esse instante
Antes do raio rasgar o céu?
domingo, novembro 04, 2007
carta ao meu filho não nascido
não pude te dar um mundo,
que não me quis, não me viu.
fui amargo, egoísta, sensível demais.
sinto falta do teu sorriso,
que nunca ouvirei.
esse vazio que ninguém preenche,
vou saturando com as lágrimas
que não choro mais.
querido filho.
te deixo um punhado de palavras.
testemunhas de um caminho seco.
sem sucesso, sem felicidade, sem paz.
apenas a boquiaberta perplexidade
dos loucos solitários,
desistidos, suicidados.
mas não peço teu perdão,
só o silêncio cheio de ecos,
das muitas gerações que não virão.
não pude te dar um mundo,
que não me quis, não me viu.
fui amargo, egoísta, sensível demais.
sinto falta do teu sorriso,
que nunca ouvirei.
esse vazio que ninguém preenche,
vou saturando com as lágrimas
que não choro mais.
querido filho.
te deixo um punhado de palavras.
testemunhas de um caminho seco.
sem sucesso, sem felicidade, sem paz.
apenas a boquiaberta perplexidade
dos loucos solitários,
desistidos, suicidados.
mas não peço teu perdão,
só o silêncio cheio de ecos,
das muitas gerações que não virão.
sexta-feira, outubro 26, 2007
Os melhores poemas
foram os que perdi,
Nos cafundós da memória.
Distraído,
atravessando a rua.
Ou entre um gole
e a demoradíssima
caneta do garçom.
Não me abandona, logo agora,
Que descobriste o homem,
Escondido atrás do poeta.
Nem tudo é solicitude e riso.
Profundidade e siso.
Há sempre
uma nova vasilha
pra encher,
Com os pingos da chuva que,
goteira,
Não caberiam em outro lugar.
Ama-me ou escassa-me.
Seria esquece-me?
foram os que perdi,
Nos cafundós da memória.
Distraído,
atravessando a rua.
Ou entre um gole
e a demoradíssima
caneta do garçom.
Não me abandona, logo agora,
Que descobriste o homem,
Escondido atrás do poeta.
Nem tudo é solicitude e riso.
Profundidade e siso.
Há sempre
uma nova vasilha
pra encher,
Com os pingos da chuva que,
goteira,
Não caberiam em outro lugar.
Ama-me ou escassa-me.
Seria esquece-me?
quinta-feira, outubro 25, 2007
Avança a vítima no tranco.
Procura seu reflexo no barranco.
De repente, ouve-se o estampido.
E mais nenhum outro ruído.
Nada mais se interpõe à vedade.
Nem governo, nem a caridade.
Só a crueza da falta de escolha.
Nem raiz, nem galhos, só folha.
E tudo isso já está escrito.
E fica o dito, pelo não dito.
Finda a alma e o corpo, no morro.
Jamais houve qualquer tipo de socorro.
Eu, poeta do céu azul,
Falo pelas almas no vento sul.
Agora calo, sem solução,
respondo pelo fim dessa canção.
E ponto final.
Procura seu reflexo no barranco.
De repente, ouve-se o estampido.
E mais nenhum outro ruído.
Nada mais se interpõe à vedade.
Nem governo, nem a caridade.
Só a crueza da falta de escolha.
Nem raiz, nem galhos, só folha.
E tudo isso já está escrito.
E fica o dito, pelo não dito.
Finda a alma e o corpo, no morro.
Jamais houve qualquer tipo de socorro.
Eu, poeta do céu azul,
Falo pelas almas no vento sul.
Agora calo, sem solução,
respondo pelo fim dessa canção.
E ponto final.
segunda-feira, outubro 22, 2007
Não preciso de perdão.
Não preciso de resistência.
Um milhão de palavras mortas,
giram ao meu redor a cada segundo.
Nada são,
diante da lógica,
da dialética,
de um pensamento taoísta perfeito.
Então, só quando cessam as palavras;
Na exaustão dos corpos respirando livres,
É que a minha não-resposta pode acontecer.
É quando eu morro,
sonhando em acordar no teus braços.
Não preciso de resistência.
Um milhão de palavras mortas,
giram ao meu redor a cada segundo.
Nada são,
diante da lógica,
da dialética,
de um pensamento taoísta perfeito.
Então, só quando cessam as palavras;
Na exaustão dos corpos respirando livres,
É que a minha não-resposta pode acontecer.
É quando eu morro,
sonhando em acordar no teus braços.
Para uma certa burguesa filha da puta:
As doces lembranças das manhãs no lago
Um dia, um imbecilzinho de merda,
Do alto de seu castelo de sombras,
Desejando poder e dinheiro,
Inventou a normalidade.
E sentia prazer e satisfação
Em explorar as estranhezas legítimas
das outras pessoas.
Assim foi também que outros imbecis do mesmo quilate,
Inventaram: a beleza, a verdade, a justiça e deus.
Como se isso pudesse existir além da subjetividade,
Da experiência única e intransferível, de cada um.
E se intitularam porta vozes dessas idéias.
Sempre desejando o mesmo prazer egoísta.
Assim destruíram o planeta.
E foderam com a paciência de muitos.
Palmas para eles, que eles merecem.
As doces lembranças das manhãs no lago
Um dia, um imbecilzinho de merda,
Do alto de seu castelo de sombras,
Desejando poder e dinheiro,
Inventou a normalidade.
E sentia prazer e satisfação
Em explorar as estranhezas legítimas
das outras pessoas.
Assim foi também que outros imbecis do mesmo quilate,
Inventaram: a beleza, a verdade, a justiça e deus.
Como se isso pudesse existir além da subjetividade,
Da experiência única e intransferível, de cada um.
E se intitularam porta vozes dessas idéias.
Sempre desejando o mesmo prazer egoísta.
Assim destruíram o planeta.
E foderam com a paciência de muitos.
Palmas para eles, que eles merecem.
sábado, outubro 13, 2007
A pequena arte de complicar as coisas
As partes negras da tua alma,
Gritam,
Que o amor é um poço seco.
O teu medo da solidão
Tentou me engolir.
Mas o vento da noite
Me trouxe de volta
Pra minha.
Agora vou boiar
Na minha rotina.
Até que a ilusão,
Me faça jogar a linha.
Ou finalmente eu morra,
Vítima de egoísmo crônico.
As partes negras da tua alma,
Gritam,
Que o amor é um poço seco.
O teu medo da solidão
Tentou me engolir.
Mas o vento da noite
Me trouxe de volta
Pra minha.
Agora vou boiar
Na minha rotina.
Até que a ilusão,
Me faça jogar a linha.
Ou finalmente eu morra,
Vítima de egoísmo crônico.
domingo, outubro 07, 2007
Não é verde,
o meu acordo é feito de tons irreais.
O desejo tem luz e sombra.
Viver é apostar no cavalo errado.
Um punhado de frases desconexas.
Um milhão de beijos
não curam um corte no coração.
E por favor, desiste da idéia de família.
Foi o que te arrebentou.
Não queira arrebentar mais ninguém.
Loucos sinceros não reproduzem
padrões de tristeza.
São humanas as respostas.
Imperfeitas.
Adoro teu sorriso.
Tua luz me faz possível.
Eu vibro com teu calor.
o meu acordo é feito de tons irreais.
O desejo tem luz e sombra.
Viver é apostar no cavalo errado.
Um punhado de frases desconexas.
Um milhão de beijos
não curam um corte no coração.
E por favor, desiste da idéia de família.
Foi o que te arrebentou.
Não queira arrebentar mais ninguém.
Loucos sinceros não reproduzem
padrões de tristeza.
São humanas as respostas.
Imperfeitas.
Adoro teu sorriso.
Tua luz me faz possível.
Eu vibro com teu calor.
terça-feira, outubro 02, 2007
Eu queria que o amor fosse
uma tempestade de absurdos doces.
Mas é uma faca apontada para o sim.
Ele é o desencontro das mães solitárias,
saudosas do choro de seus bebês,
enquanto a chaleira ferve, de tarde,
nas casas vazias, ensolaradas, nos subúrbios
de uma cidade qualquer da Guatemala.
Ele é o segredo escondido
nas informações incompreensíveis,
das embalagens de cereais matinais.
Ele é o gemido discreto,
no sentar e levantar,
dos bancos de praças,
dos velhos e suas cabeças brancas.
O amor são os aparelhos de ar condicionado,
nas repartições públicas,
onde decisões que afetam a vida de tantos,
que não são ouvidos,
explodem todos os dias.
É o dedo no gatilho dos meninos traficantes,
que não dispara e somente hoje,
é substituído pela linha das pipas,
no céu azul, dessa ilha cheia de vento.
O amor é tua boca aberta,
quase riso, quando gozas.
É a revoada de pássaros no horizonte,
42 segundos antes do sol nascer.
É o suicídio que não deu certo,
no meu amigo que matou o pai e a mãe.
O amor é o filho que não tive contigo,
amor da vida inteira.
uma tempestade de absurdos doces.
Mas é uma faca apontada para o sim.
Ele é o desencontro das mães solitárias,
saudosas do choro de seus bebês,
enquanto a chaleira ferve, de tarde,
nas casas vazias, ensolaradas, nos subúrbios
de uma cidade qualquer da Guatemala.
Ele é o segredo escondido
nas informações incompreensíveis,
das embalagens de cereais matinais.
Ele é o gemido discreto,
no sentar e levantar,
dos bancos de praças,
dos velhos e suas cabeças brancas.
O amor são os aparelhos de ar condicionado,
nas repartições públicas,
onde decisões que afetam a vida de tantos,
que não são ouvidos,
explodem todos os dias.
É o dedo no gatilho dos meninos traficantes,
que não dispara e somente hoje,
é substituído pela linha das pipas,
no céu azul, dessa ilha cheia de vento.
O amor é tua boca aberta,
quase riso, quando gozas.
É a revoada de pássaros no horizonte,
42 segundos antes do sol nascer.
É o suicídio que não deu certo,
no meu amigo que matou o pai e a mãe.
O amor é o filho que não tive contigo,
amor da vida inteira.
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