domingo, maio 25, 2008

Não se pode obrigar, no amor.
Se estar comigo não te apetece.
A velha história se repete:
um lado sobe, o outro desce.

Mais uma vez um vazio que cansa.
Teu olhar não viu meu jardim secreto.
Retomar o desejo de uma dança,
até um dia avistar o leito repleto.

Fico daqui mirando, por onde poderia ter ido,
mas esse mundo dos "ses" é tão amplo,
que só de olhá-lo, teria desistido,
o mais bravo dos guerreiros poetas.

Vai com deus minha amiga,
que a felicidade te encontre e te molhe,
com sua chuva tão bem-vinda.

Eu daqui fico triste na beira do rio,
aguardando o barqueiro me buscar,
murcho mais uma vez
pelos amores não vividos
e por ser tão ruinzinho de rima.

quinta-feira, maio 08, 2008

se eu fosse mais burrão
não me irritava
daí não bebia
nem delirava
e daí achava uma burrona
e me casava
tinha 8 filhos
e me aposentava

segunda-feira, maio 05, 2008


eita vida estranha,
eita história maluca,
queria comer narizinho e
acabei ficando com a cuca.

domingo, abril 20, 2008

Requentado

Que balé é esse, senhorita?
Que passo em falso, que desdita.
Aprendemos afinal o que importa,
ou estaremos batendo na mesma porta?

Não peço um sentido, mas um ritmo,
nem mais, nem menos alucinado.
Algo que todo meu corpo perceba
e flua numa contra-dança sem pecado.

Para que as crianças possam ter sua ladeira,
a chuva não se preocupe com a goteira,
a vida seja levemente passageira,
descolada como um imã de geladeira.

segunda-feira, abril 14, 2008

simples como a linha do tempo

hoje foi um dia difícil de carregar.
rebelde, ele não fazia nenhum esforço pra passar.
hoje foi um dia em que o espaço entre as células
viraram quilômetros.
e ninguém passaria nos bafômetros,
caso houvesse mesmo uma estrada e uma pinga.

hoje foi um dia amargo,
morto no salto,
sem remendo que desse jeito.

hoje foi uma longa viagem
em má companhia,
uma saudade vadia,
que ia e vinha na minha vida,
sem rumo como eu.

foi como se o último limão
pra justificar o peixe,
estivesse sem sumo.

hoje foi um dia,
minha amiga, meu amor,
que reaprendi a velha lição do silêncio,
pra quando eu estiver irritado contigo,
ou sem entender teu movimento,
lembrar,
um pouco antes do suspiro e do sorriso,
o quanto tudo fica tão difícil,
no dia em que não tem teu beijo.

quarta-feira, março 26, 2008

Hoje


Superei todas as etapas do percurso tedioso do homem óbvio.

Terei finalmente adquirido a chave do meu cárcere indevido?

Paguei o inominável preço por cristalizar a inconformidade soterrada de tantos?

Não ter constituído família, não ter patrão, não ser consumista, não pagar impostos?

Não fingir que creio nas mentiras do sistema.

Não sorrir quando não acho graça, não comer quando não tenho fome.

Não gozar, se a mulher parecer um iogurte de morango, de tão artificialmente natural?

Tu, meu amigo, vítima costumeira da síndrome do sim,

Porque falas em diálogo,

Se nunca ouves meus tons sutis?


Eu sou

O que não podes instantaneamente consumir.

E despejar teu lixo.

E não pensar.

O incômodo de certa pedra no meio do caminho.

segunda-feira, março 24, 2008

Sintopéia

Cada calo em cem pezinhos.

Cada dor tem seus caminhos.


Eu só não sei te amar.


Encontrei minha pedra

impossível de ultrapassar.


Agora fico aqui procurando sombra.

Até que venha uma cidade me salvar.

terça-feira, março 11, 2008

Samba

(refrão)
Santo aflito, santo aflito,
sai desse muro
e embarca no conflito.

Não quero ser só dialético,
meu dilema é ético
e quem sabe estético.

A utopia anarquista,
cê tá mal das vista,
já foi superada,
olha o conteúdo.

No capitalismo selvagem,
mesmo estando à margem,
ninguém me não dá nada,
mas vende tudo.

Santo aflito, santo aflito,
sai desse muro
e embarca no conflito.

E veio a grana da empresa "Tanto Faz",
pra que olhar pra trás,
vamos para o futuro.

O samba tá mais firme e forte,
pra você dar o norte,
tem que sair do muro.

Solidários na competição,
essa é a intenção,
da nova galera,

Mas se você me ajudar
na cadeia alimentar,
Não vou ser uma fera.

Santo aflito, santo aflito,
sai desse muro
e embarca no conflito.

Santo aflito, santo aflito,
sai desse muro
e embarca no conflito.

Nilo Neto
(video maker e compositor de samba)

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Socorro

Estou sendo engolido
pelo poço de ódio.
A loucura!
A necessidade de ver
o sangue escorrer.

A sombra do empalador
está me tomando.
A raiva intestina.

O guerreiro furioso
que eu sou,
hoje despertou,
com imprecações
e danações eternas,
em seus lábios de gelo.

Chegou a hora da vingança!
Chegou a hora do sacrifício!

Tremei seres malditos,
que ousaram me importunar
com seus pequenos
infernos particulares

Dante não descreveria
a terrível cena
que breve se imporá,
ante o olhar fascinado
do monstro que existe em mim.

Sun Tzu, Maquiavel,
abençoem minha caminhada.

Amém.

sábado, fevereiro 23, 2008

minha língua de fogo
arrasta teu coração míope
pra beira do rio
e te faz lamber a sombra
das árvores menores
e as mais azuladas

minha língua de gato
e tem mais

toda terça sem sol,
às 9:22 da manhã
eu acendo uma vela
no meu pensamento
pra resgatar minha saudade
dar banhinho nela,
vestir uma roupa
e levar pra passear na praia.

é que eu sou um cara
essencialmente fofo, entende?

eu sou poeta.
gosto de dar nomes
pra coisas estranhas e invisíveis.
língua de trapo, língua ferina.
língua de feriado.

embrulha pra mim, por favor?
mas corta bem fininho, tá?
nossa, mas a senhora está muito bem Dona ...
e como vai o Seu ...
minhas condolências
mas ele era tão novo
quantos netos?
deus te abençoe minha filha
e te conserve sempre assim

tudo está girando pelo azul
eu sigo sonhando com teu blues
e nem mesmo fosse uma toada
branco sonho leve na calçada

meu ofício é ingrato iglu
vivo aos tombos se olho pra dentro
se te vejo e ouço, um dia perto
certo, vou gozar a vida sul.
flauta de pã
dionísio
todos os panteras negras
os mulheres negras
las madres de la plaza de mayo
os casamentos inter-raciais, interplanetários
aquele som do bauhaus nas madrugadas frias da ilha
qualquer primeiro beijo que não bata os dentes
tortinha de maçã daquela lanchonete famosa
(ih, agora me entreguei)
o vôo das gaivotas no mar quando amanhece
fechar um com uma folha do código penal
É com essa lata de spray
marca paracelso
que eu insisto em usar
nos muros da cidade moribunda
minha poesia alquímica
mandragorina, lajotas de letras
em cores opacas

oblíquos olhares
tentam decifrar
minha alentada fórmula
do elixir da vida
mas suas cabeças tortas,
suas vidas astutas,
não percebem nunca.

mais um falatório
rumo ao inútil,
tão sutil
não sentido da vista.
muro feito de mim
e minhas cicatrizes.

sábado, fevereiro 16, 2008

minha vida
é uma casca de ferida
que eu insisto
em cutucar.

a tua,
não tem saída,
mesmo se fosses a preferida
do sultão de kandaar

ardida
urdida
nos estranhos tecidos
do verbo amar.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

ando seco.
a pena esturricou.

o coração fechado
pra balanço
do barco.

um caco
de telha
sem uso.

intruso,
em meu próprio
castelo de espelhos.

todos os que percebo,
todas as sombras e a base,
são mesmo o fim da escada.

e não me peçam mais nada.
eternos espinhos cravados.
metáforas gastas e pobres.

deixem-me torrar os cobres,
nos sons da poesia alheia.
nessa gente feita de areia.

tudo emancipado e nu.
tudo acidente, sem conexão.
até que chova em meu coração.

domingo, janeiro 13, 2008

credo em cruz
vida besta, mal dividida
tem dias que tô coberto de ouro
em outros, só vejo ferida
não precisa se importar com a minha dor. ela é mesquinha, mentirosa, feito sujeira de umbigo.

e esse lugar aqui não é de verdade. aqui é o verdadeiro labirinto de espelhos. todos se vêem. ninguém vê o que realmente está escrito nas paredes por detrás.

se está escrito alguma coisa... se são apenas garatujas incompreensíveis da criança louca...

não precisa se preocupar com o poeta. olha pra tua dor, escrita no ar com a fumaça da vaidade dele. ou pro teu prazer, feito de sementes de abóbora escondidas nos quintais.

miríades de estrelas soluçantes, numa tarde sem sol de verão.

gato mordendo a cabeça do peixe.

bandeira de qualquer país murcha no mastro.

todos os gols que o avaí perdeu no último minuto.

a estranha morte do único poeta interessante dos trópicos ateus.

sábado, janeiro 12, 2008

essa gestalt eternamente aberta
no meu peito ferida, sangra, certa
mar de toda solidão e vento
digerindo um mesmo sentimento
que vem e vai e vem e vai
não tem paz, não sorri e sai
cada dia é impossível de acreditar
mas tudo voltará ao seu lugar?

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Como não te amar

Se tu alias
em perfeita sincronia,
palavras e gestos,
No momento mais crítico
da contradança da desilusão.

Causando uma revoada
de serafins no meu peito.

Calculando,
como numa ponte,
os nós que ainda sustentam
meu frágil não ser.

Debochando da minha clausura
e de todos os outros votos tristes,
para no fim receber
minha fantasia delirante,

Com o aplauso imenso,
das duas mãos,
que quero no ato final
entre as minhas.

Será o dia da perfeição sem nome do caminho.

O filme pornô bizarro,
estrelado e dirigido
por loucos.
Sucesso mundial
De crítica e público.

Sexo bissexto,
saturado de solidão,
gritando por um mundo
sem barras de ferro
ou palavras que roubem
a já raquítica esperança.

Rasgo do novo possível,
no céu sem nuvens
da razão amarga,
que não consegue ver além
das leis que ela mesma cria.

Assim somos,
Amiga alada,
E a semente que carregamos
com tanta dor e prazer,

Será a vida
Em luminosa renovação,
Nos jardins da compreensão
Dos filhos que nunca teremos.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Cultura moribunda


no silêncio da morte
dos meus antepassados

engolidos pelo vento podre
do abandono dos sonhos

eu segurei a bandeira negra do fim
e não senti,
quando minhas faces se molharam

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Flertando com o tridente



Difusa filha de netuno,

estando a teus pés, puno

e vejo-te desaparecer.

Nesse teu mar imenso,

coca-cola com incenso,

vida viva, no cacto, beber.