quarta-feira, outubro 20, 2010

Sobre a impossibilidade de amar demais

A partir de hoje,
habitará em teu coração,
meu amor silencioso,
obsequioso,
dadivoso e
coberto de paz.

Não espero dele
mais que um repicar
de sinos,
numa igreja perdida
de cidadezinha
do interior.

Justamente
às seis da tarde
eles me lembrarão,
que em algum lugar
também teu coração
bate por mim.

E se nossos destinos,
escritos no livro de ouro
dos grandes encontros,
não passarem de
uma miragem
nos desertos da vida,
saibas que naquela
noite de lua cheia e vinho
foste minha
e eu, somente teu.

Amor que não transbordou
da taça dos desejos,
mas preencheu
meu coração vadio
de alegria e acolhimento.

Agora volto a navegar,
porque esse é meu mistério:
não pertencer a nenhum
porto seguro.

Mesmo sabendo que
cada um deles
é semente.

Uma parte de mim
que um dia,
filho da fé de ser um contigo,
há de se metamorfosear
em sombra
para os buscadores
solitários
que amam
demais.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Se eu apreciasse o rito,
O grito, a vã necessidade,
A clara ausência da verdade,
Que derrama, na lama do vulcão.

Eu nela estava calado,
Um verso, reverso encantado
Essa boca maldita,
Na noite que grita,
Arrebentou a represa colorida,
Dessa vida e da outra, sentida.

E nesse nada eu mergulho feliz,
Por um triz, eterna meretriz
Dos meus versos ateus.

Que um dia serão teus.

Mas agora estão no mundo,
Esse meu amor vagabundo
Nada mais espera senão,
O amor sincero do teu coração.
eu quero voar
eu quero morrer
eu quero acordar do teu lado
agora

sopa de ossos,
moídos, moídos, moídos,
moídos em mim

vou fazer a banda tocar
debaixo da tua janela
e calar os gatos no cansaço
miados inúteis
do teu, do teu, do teu
do teu coração.

E nas minhas veias abertas
A dose perfeita do amor
Vai entrar nesses segundo
1, 2, 3 ...
adeus

quinta-feira, maio 13, 2010

a manta da cama me livra do frio.
 só não leva o vazio, que canta na chama
do teu calor, me aninhando no cio.

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Não me culpa se tu um dia sem querer te descobrires me amando.
Eu sou a sombra do pessegueiro torto que vive embaixo desse capim.
E não tem lua certa pra eu ficar bailando no devaneio.
Tem dias que esse concerto termina no meio.

Não briga comigo que às vezes eu rimo sem querer.
Que eu descalço essas velhas chinelas pra tentar te esquecer.
Tem dias que eu não sei o que me passa e seria melhor assim,
Sempre poder lembrar do que nunca aconteceu e por isso não tem fim.

Não ralha comigo se um dia me pegar rindo,
no meio da praça sem querer, te encontrar.
Esse vai ser o maior momento desse meu personagem.
Que vive fingindo ter te esquecido.

Esse palhaço bandido vai te parecer um velho conhecido.
Brinca com ele sem medo, deixa brotar uma dor sem aviso.
Nesse dia, meu amor, finalmente o desejo reprimido,
Vai voar pelas folhas, uma borboleta azul.

quarta-feira, abril 21, 2010

desejando,
sem sofrer,
um beijo.

uma pedra
no meio
do caminho
ou quem sabe
um ninho.

dessa boca
que nao fala,
ouvido
que nao vê,

a saudade
que eu sinto
de você

sexta-feira, março 26, 2010

como saber-te
sem ser teu nó,
sibilante sombra
no azul da noite nua.

como seguir-te
sem desejar ser pó,
última foto do álbum,
que continua.

então mulher pássaro,
trago-te o ninho só,
povoado de beijos
que se vão.

penúltima canção,
sóbrio já não mais,
despido das muletas,
ouso em ti voar.

sexta-feira, março 19, 2010

Esse calor tardio tem gosto de fruta no cio.
Tem dons e sons resignificados crus.

Os grilhões arrastados pelas ruas.
A malta de estropiados cantadores solitários.
Também tem seu pés ensopados pelo
Que não se pode reciclar dos sorrisos sociais.

O nosso amor vadio não tardará em ser vazio.
E pelas paredes desenhadas, pequenas palavras
Que mais parecem com teias de aranha abandonadas.

Cato o miasma da velha casa.
Já se fez de ensolarada, mas agora range,
Simulando segredos das almas
De gatos mortos no porão.

Então esfrega mais um pouco esse
Teu corpo quente, doce e mentiroso.
Tempestade de raios, prevista em alto mar.

A vida não avisa sobre as curvas perigosas.

quinta-feira, março 18, 2010

a síntese sóbria do ser sonhante,
escapuliu pela tangente num instante.
quando se sabia simples, sobrou,
na sombra póstuma da variante.

segunda-feira, março 15, 2010

sempre que eu arrumo
uns pingos pra botar
nos teus is,
acabo só
com umas
reticências...

sábado, fevereiro 27, 2010

domingo, fevereiro 21, 2010

E lá se foi ladeira abaixo,
mais um amor natimorto.
Sufocado pela terra tremendo,
sem encontrar seu porto.

Se ela soubesse
o calor do meu beijo,
quem sabe viesse
ver a sorte no realejo.

Mas não tem nada,
fica o dito pelo não dito.
Sem olhar pra trás,
estou fora desse conflito.


Despedidas nem houveram, 
foi cada um na sua
e eu bem quieto, 
voltei a namorar a lua.

sábado, janeiro 16, 2010

era como um laço secreto que pairava por sobre as mangueiras, perfumando os dias, comandando as sombras, possível descanso pelo caminho.
braços abertos, sorriso franco, ela se projetou pelo espaço afora.
eu poeta menor, supus-me soprando virtudes nessa breve construção.
haja porto seguro pro meu coração...

quinta-feira, outubro 08, 2009

Sabe,

tinha um sinal secreto,

Que a gente havia combinado

Pra fazer quando alguma coisa

Desse errado e

A dor tivesse afogado o prazer.

E o ar tivesse todo ido embora,

As lágrimas secado,

O poço tivesse ficado vazio,

A vida restado abandonada,

Vazia de sentido.

Muitas esquinas, meu amor.

Mas o que há de possível na existência de deus

Está em eu poder te dizer com os olhos e as mãos abertas

Mais uma vez

SEJA BEM VINDA.

quinta-feira, agosto 20, 2009

tua parte fêmea é tão profunda que me dá uma falta de ar
a menina vê, a velha em ti rodopiando o velho vestido de renda
elas dançam pulando sobre pedras imaginárias

pedras de todas as idades e uma que tem luz própria
a pedra do gesto perfeito é âmbar

acho que ficaria te ouvindo falar uma vida
ou duas
sobre o que me vês em mim
esse é o prazer maior que a poesia poderia me dar, no final ser enfim o muso delicado de alguém
as patas da aranha rondando o pescoço branco

falas assim e as imagens me fazem girar os ombros
quase solto os pássaros

essa nossa conversa tinha que ser transformada em pão, café e leite.
solta os pássaros um pouco pra eu ver
mas devagar que eu ando fugindo da realidade

foge comigo...

by amanda e nilo

domingo, julho 26, 2009

domingão do faustão
reminiscências
que haverão

beira mar,
mãos nos cabelos negros.
entreguei tudo
nessa oferenda de paz
e saudade

meu amor passou
e minha janela
ainda estava fechada.

aonde haverá pousado?
com quem terá sorrido?

enquanto eu
estava encarcerado
nesse mesmo
velho quarto encardido.

volta logo meu amor
me acorda com teu cantar
espalha nuvens
pela minha cama

deixa tudo
ser
sem
ter
porque.

segunda-feira, julho 06, 2009

a vida não é feita de fatos,
amores não são feitos de contratos,
os bichos não dependem só dos matos,
concretos também vivem de abstratos.

não me fale de realidade paralela,
tudo isso não passa de balela,
na verdade, a verdade já morreu,
está vivo quem não sobreviveu.

terça-feira, junho 30, 2009

Acredito em todos como acredito em mim
Como doem minhas mãos
do peso da doçura que venho carregando
As queimo com cigarro
pra passar o tempo
pra passar doendo
passar o inverno
pra passar invento
passar do convento e do repúdio
ultimo refúgio
em meus dedos ateus
são meus?
meus agora
sem fé

por amanda e nilo

sexta-feira, junho 26, 2009

te amo sempre igual

e diferente

sou só um tropeço

na pedra do caminho

mesmo sozinho, sonho

com tuas mãos

nos meus cabelos

ou no que restou desse

sonho de cabeleira

ou nesse sonho de amor

tão distante

e tão comigo

amor de pássaro,

amor de amigo

amém

quarta-feira, junho 03, 2009

O sol amarelo
pinta as casas do morro
com a cor da saudade.

Pobre azul, verde vulgar,
vermelho esquecido.
Tudo caminha
na triste vaidade
do fim do dia.

E eu, pobre poeta
dos olhos embevecidos,
deixo a folia das cores
atravessar minha rotina,

carregando as retinas
pra terras distantes,
aonde mora o meu amor.