quarta-feira, setembro 06, 2006
eu sou o analfabeto, tu és o dicionário
eu sou o garfo, tu és a sopa
eu sou o carro velho, tu és a cera e a estopa
tu és a floresta, eu sou o turista estrangeiro
tu és as flores, eu sou jornal velho no banheiro
eu sou a manta de lã, tu és pleno verão
eu sou os que nunca serão, tu és os que deverão
tu és o jô , eu não sou do sexteto
tu és vegetariana , eu sou o espeto
tu és a orquestra sinfônica, eu sou o surdo mudo
eu não sou nada, tu estás com tudo
quinta-feira, agosto 31, 2006
terça-feira, agosto 29, 2006
Olhar que antecede a chuva,
Olhar que mergulha a gente numa saudade
De gente que a gente nunca viu,
Olhar que responde mil dúvidas
Que a gente não sabia que tinha,
Olhar que mostra o caminho
No mapa do país chamado amor,
É pena que por trás dele
More uma mulher malvada,
Que deixa a gente a sonhar,
Porque não resta
mais nada mesmo nessa vida,
Depois de mergulhar nesse olhar.
domingo, agosto 27, 2006
será que vai chegar o dia
que não vai ter mais nada pra dizer
será que eu vou ser mais um
conseguir enfim te esquecer
levar a vida numa boa
sem tua alegria pra me embalar
saber que tudo vale a pena
encontra alguém para amar
olhar pro passado e ver
esses dias de sofrimento
como parte de uma estrada
que trouxe grande crescimento
carregar essa lembrança
não está sendo fácil não
parece que estar sozinho
está afundando meu coração
tudo parecia simples
não havia vaidade
só restamos agora
eu e essa tremenda saudade
quinta-feira, agosto 17, 2006
Porque tu és a luz da vida lá fora que atravessa minha veneziana quebrada.
Porque tuas palavras constróem o ninho que todo dia precisa ser refeito.
Porque saber como foi teu dia me conforta e anima para os próximos.
Um dia sem te ver é um dia jogado fora.
E o dia de te rever é o que vale por todos os outros longe de ti.
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Um dia longe de ti é como o dia em que a flor não recebe a visita do passarinho.
O guarda não dá nenhuma multa.
A freira não comete nenhum pecado.
O pescador não vê nenhum peixe pulando fora da água.
A mãe não beija seu filho.
O hacker não invade nenhum site.
O poeta não encontra nenhuma palavra pra falar do amor.
É um dia sem graça, sem dança, sem liberdade, sem ar.
quarta-feira, junho 21, 2006
na tua sala de estar.
Chá com bolacha,
torcida uniformizada,
gente amiga reunida,
pérolas de otimismo,
tanta criança sorrindo,
um dia te surpreendo
com minhas boas intenções.
Por enquanto fica
sabendo
que
ganhar dinheiro
com poesia,
é coisa de iluminado.
O resto segue assim assado.
Vinícius à parte,
Homens são de marte
e eu não entendo nada
de guerra.
sexta-feira, agosto 12, 2005
Se há mentira,
sê minha, tira,
de vez, de mim,
tudo o que me faz capim,
não fruta ou flor.
Tudo o que não,
todo o desamor
desse meu coração.
Se contudo,
eu me iludo,
faz-me tudo,
mas não deixa nascer,
senão depois,
morrerá inútil,
aquela semente fútil,
filha da vaidade,
prima da infelicidade,
mãe que só faz sofrer.
terça-feira, agosto 02, 2005
terça-feira, julho 19, 2005

Alguns deles me dizem que vai passar.
Outros me garantiram que vou levar tudo isso vida afora, mas que com o tempo acostuma.
Eu sei cada vez mais, que ela sempre foi o meu melhor público.
A risada e o choro me empurravam além, um pouco mais criativo, um minuto mais de experiência.
Mas ela se foi e agora carrega o filho dele.
E a vida ficou insuportável a maior parte do tempo.
Nas noites frias do inverno aqui no sul, então, uh lalá.
Pra não viver o tempo todo chorando e me lamentando,
Pra não ser ainda mais chato do que costumo ser,
Invento maneiras de fingir que vale a pena continuar vivo.
Chamo isso de auto-ilusão.
A que mais me acalenta na hora do desespero, amada,
É sonhar que um dia a gente ainda vai ficar junto.
Que a tua escolha em ficar com ele, não foi bem uma escolha,
Mas uma espécie de pressão que o mundo fez.
E naquele momento te pareceu a que menos te faria sentir dor.
Mas lentamente teu olhos se abrirão (esse é a minha auto-ilusão preferida)
E tu descobrirás que ficar ao meu lado é a única forma de felicidade autêntica,
Nesse planetinha azul, nem que seja quando tu estiveres velhinha,
Com teus cabelos brancos e cercada dos netos que tu tanto sonhas.
De mãos dadas comigo, olhando o dia terminar, chorando de felicidade, em silêncio,
Achando que viver valeu a pena.
Nilo Neto
Floripa, 19 de julho de 2005
sexta-feira, julho 08, 2005
sexta-feira, abril 15, 2005
segunda-feira, abril 11, 2005
terça-feira, março 29, 2005
terça-feira, março 01, 2005
Meu amor, silenciosamente enlutado.
Meu coração tem usado chapéu e sobretudo,
nesse eterno dia chuvoso e frio,
que sucedeu tua partida e está se repetindo,
num moto-perpétuo de: dor, solidão , abandono e desesperança.
Mas o que eu tento te dizer,
já nã faz sentido nenhum.
Estou preso numa bolha congelada de espaço-tempo,
quando estávamos juntos e felizes.
Hoje resta este imenso derramar de mensagens
que não obterão resposta.
É como escrever a uma pessoa que já não está viva.
Mas numa psicografia às avessas,
não encontra um médium no lado de lá.
Gritos no vácuo.
Auschwitz e Chernobyl.
Terra do Fogo, o lado escuro da lua e
certas noites nas ruas do Desterro,
vento sul e medo das bruxas.
O inferno de todo dia está ficando intolerável.
E agora eu sei que estou chorando
porque tenho que matar alguma parte do meu sentir,
do meu coração, para poder sobreviver.
Esse tipo de sentimento não é charmoso nem poético.
É pura pedreira.
segunda-feira, fevereiro 28, 2005
de ter compostura,
de ser de família
e de errar na mistura.
Livrai-me, Senhor,
de ser solícito e polido,
de ser intolerante
e de viver enrustido.
Valha-me Nossa Senhora,
não quero uma vida regrada,
pagar imposto, ser decente,
ter sogra e empregada.
Pai, afasta de mim,
a fidelidade partidária,
o dízimo, o terço e o pecado,
ser uma pessoa gregária.
Cordeiro de Deus,
não sou mais criança.
Tirai-me do lugar de juiz,
deixa eu viver de esperança.
Se tudo na vida tem preço,
eu nasci sem trocado.
Ou acerto logo no milhar,
ou deixo o bicho de lado.

