quinta-feira, fevereiro 14, 2013

Nó em pingo d'água
Sol bendito
Afastando qualquer mágoa
Simples assim
Bendito querubim
Estranho cupido
Cantando um rock
No meu ouvido.
Enfim, enfim, enfim
Desisto da tradução
Velho e novo coração
Levas contigo prá
Tão distante.
Nesse instante
Abdico, desisto,
Sorrio
Silencioso e só.
Nó.
Em pingo d'água. 

sexta-feira, janeiro 18, 2013


essas flores de encanto vadio,
descanso macio do meu olhar
ali aonde quero registrar
meu testemunho do cio,
deixo-me apenas banhar
pelas águas puras do vazio.

domingo, agosto 26, 2012

O amor é uma flor
que nasce num canto.
E que apesar do espanto,
ou do desencontro,
termina em pranto.

Um pronto maremoto
no mar interior.

Um cancro no mastro
do mar morto
do monstro.

E se mesmo casto,
no vasto campo
da eternindade,

não é mais
que um canto,
agora prenhe
dessa saudade.

para Heleno de Freitas

Nilo Neto

quarta-feira, junho 06, 2012


acorda flor de espanha,
acorda malaguenha
e vem depositar teu sorriso
de menina mulher
no beiral da minha janela triste.

vem fecundar essa terra árida,
com o calor das tuas
coxas bailarinas.
vem como um siroco louco
levantar toda a dor,
do meu peito de poeta menor.

vem que eu sei de cor,
todos os versos,
madrigais e sonetos.
vem que te prometo um ninho,
cheio de silencioso carinho.

traz no teu colo o velho vinho,
das terras dos teus antepassados.
lentamente olvidemos os percalços,
traz o pão, o azeite
e as ervas de raro sabor.

com teu caminhar,
vai reconstruindo teus sonhos
de menina moça,
da donzela de quixote.

e aqui vai meu último mote:
enquanto houver
esperança e vida,
estarei te esperando,
alma querida.

até o desenlace final
desse vaso decadente,
até que o passado,
futuro e presente,
fundam-se  num último
sacrifício ao deus baco.

evoé sacerdotisa,
que em meu cálice
se eterniza.

desperta, flor de espanha,
desperta, meu único amor.
tens já, aqui, tua missão,
apascentar meu coração.
e tudo mais
nos será concedido.

abriremos com sorrisos
templários, os vários
portais dos jardins
do paraíso perdido.
finalmente reconstruídos,
nas douradas células
de nossas vestes finais.

livres de todos os pecados originais,
até que não haja nunca mais,
choro e ranger de dentes,
nesses vales obscuros.

luzes somente,
em nosso bailar astral,
amantes, amores,
amigos e confidentes,
parando o tempo
nessa fenda dimensional,
chamada pelos bem aventurados
simplesmente de vida.

até que a fênix pouse tranquila nas chamas
e faça de cada amanhecer
um completo recomeçar,
assim prometo te amar,
flor de espanha,
malaguenha, cigana,
judia, bérbere,

mulher brasileira,
de mistura tamanha,
vencedora da luta ferrenha,
dos meus ais,
da minha guerra secreta,
feita de consoantes e vogais.

a teus deuses rogais, toda noite,
lâmpada mágica em punho,
a pisar como vestal,
 sem deixar vestígios,
nas velhas tábuas rangentes
do meu abrigo.

trago marcado a fogo,
meu cantar antigo,
vem tu me despertar,
que agora te soa conhecido,
que aquele que te fez,
perdeu a receita,
és a menina mulher perfeita.

e nada mais posso te dizer,
senão do meu infinito querer.
até que completo, entregue
o óbolo ao barqueiro final.

acorda de uma vez,
flor de espanha
e com tua alquimia,
transforma meu pranto
em interminável carnaval.

nilo neto
desterro 5/6/12





sexta-feira, maio 04, 2012

não preciso do teu silencio
pra parecer absorto.
quando não te sei,
me finjo de morto.

ligo aqui essa cápsula eletronica,
navego na ironia
de te buscar na rede,
e te encontrar dentro de mim.

mesmo assim sigo tentando
num telefone te azucrinando
ele segue tocando, tocando,
ninguém atende ao meu comando.

por isso vou me desencostar da nuvem.
eu sei que aqui não estás também.
o que for fazer de mim, faça bem,
porque não sou pai de ninguém.


boa noite, noite
o teu manto esconde
o açoite da solidão

fiel deleite
dos perdidos de amor
dos que erraram o rumo
e afundaram
sem solução

em tuas espaldas negras,
estrelas nunca navegadas,
teimam em conduzir
minha pobre poesia.

mas esse astrolábio,
está eternamente inalcançado
no olhar daquela ingrata

boa noite, noite
velha parceira
de silêncio e bênção

partilhemos ainda
uma vez mais
o veneno

dos beijos impossíveis
dos amores não vividos
dos dias sem porquê

tua desdita
me aconselha a não sentir.
mas tu mesma,
noite sem fim,
me conduzes suavemente
ao bálsamo das palavras.

essas sim, alívio e desafio
da minha vida, tão longe
do grande amor.



quarta-feira, março 14, 2012

é um peso,
uma inconstância.
um sorriso,
elegância,
feita de sombra
e decadência,
a luz de pertencer
aos teus braços,
minha demência,
feita em forma de mulher.
aqui vai minha reverência,
meu sonho,
meu beijo,
enfim,
minha rima calculada,
nossa senhora
do impossível,
sambando na calçada.
amen.

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

à mulher do futuro

minha alma velha,
meu primeiro amor,
não foi tempo perdido.

ninguém mais sentou
nessa cadeira
da nave especial.

nem viu o sol nascer dourado
numa praia deserta, na ilha
e tinha isso, lembra?
aqui do ladinho, no século XX.

e tantos "ses" se me
atravessam a medula,
que outro eu seria
se tivesses dito sim?

há o truque do final feliz
na vida real?
primeiro seremos fortes,
pra depois sermos felizes?

na impossibilidade do beijo
guardo um baú de poemas.

vejam o sol,
dessa manhã
tão cinza...

nilo neto

domingo, janeiro 08, 2012

seja por ato, fato ou destrato,
semelhança ou dessemelhança
éramos bem mais compatíveis
à distância.

agora sim, sonho partido,
o que nunca foi dito
vai sendo engolido
pelo tempo.

era pelo silêncio
que dizíamos o essencial.

domingo, agosto 07, 2011

poemeto religioso: 
e o silêncio pairou sobre as dúvidas, 
sombra singular do sem nome.

domingo, fevereiro 20, 2011

quero te esgotar dentro de mim

não aguento mais

quero uma camisinha pro meu espírito

não quero mais te sentir



quero ficar quieto de vez em quando

mas o teu fantasma é muito barulhento

arrasta panelas pela casa

esquece de fechar a porta



preciso de um minuto comigo

pra encontrar aquela chave

e te tirar do meu baú



para de tomar cerveja sozinha

em sábado de lua cheia

pra depois ficar me ligando

e dizer que eu sou

o homem da tua vida



mas quando eu te quis

tu fugiste, de novo,

de novo e de novo...



agora preciso ficar

um pouco comigo

e sozinho

reiventar essa solidão

feita dos orgasmos

que não tivemos juntos

das noites de verão

que não viram

nosso sorriso na sacada

dos sabores de pizza

que não provamos juntos

da velha canção de amor

que não embalou

nossos dias pela cidade



vai embora de dentro de mim

mulher estranha

que precisa aprender

a pular muros

jogar fora o cabeção

antes de poder

me pedir em casamento

pros meus pais

e finalmente a gente

poder fazer a nossa filhinha.
(pro vinicius de moraes que fez a música mais linda do mundo... eu sei que vou te amar)

qualquer coisa que ela toque, 
qualquer sonho dela, 
qualquer jeito dela pegar a caneta, 
qualquer sobra de pizza dela, 
qualquer lágrima em filme meloso, 
qualquer tango, 
qualquer samba, 
qualquer roquenrou.

tudo isso me faz saber 
que sou mais triste que o poetinha, 
porque não estou com ela 
quando escrevo esse poeminha.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

quem é essa mulher
que me toma pela mão
nessa noite fria de verão?

quem é essa que me chama
de meu homem, meu amor meu chão?

ela me fez cativo
da pena final
ela é minha sina
meu código penal

quem é essa dona
que mora no meu coração
que me olhou desse jeito
como se me conhecesse
melhor que minha mãe?

quem deixou que ela me achasse
nesse mar de iniquidades
nesse vale de lágrimas
e que sorrisse pra mim
como se o fim do mundo
nunca fosse acontecer

e sem promessas vazias
me pediu tempo pra descobrir
o que fazer comigo

pra me carregar no colo
quando a tempestado vier
e ser meu porto seguro
depois da guerra do dia a dia

ela me perguntou,
como só quem tem coração de criança faz
o que voce quer comigo?

e eu relutei
eu finalmente emudeci

então disse
eu quero viver um grande amor contigo

e ela acreditou

e hoje estamos de mãos dadas
aguardando a nave
que nos levará
de volta para o infinito

quem é essa mulher?
quem é essa deusa viva?
quem é essa passagem pro paraíso?

eu agora estou vivo

eu
não
estou
mais
sozinho

posso respirar
posso te amar
posso me aninhar
posso enfim morrer.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Poema em três tempos

1. Antes de te encotrar...

As palavras
Velhas companheiras
Da luta
Contra a dura realidade
Escorrem pela caneta,
Se espatifam no papel,
Pra tentar dizer, sempre,
O que o silêncio sabe mais,
Que o amor emudece,
E traz calor às mãos.

2. Durante nosso encontro...

Tenta fugir,
Corre,
Faz do vento tua força,
Do mar tua estrada,
Vai pra bem longe daqui.

Mas a lua,
A espiã do meu amor
Vai te encontrar
E te dizer, brilhando,
De todo o meu encanto.

Alea jacta est

3. Depois de te encontrar...

A lua, meu amor,
É dos namorados
E no seu passeio alado
Ela nos revela seu segredo,
Não há medo que vença o amor,
Não há palavra que esconda meu calor
E assim,
Embriagado com teu perfume
De jasmim,
Eu saio de mim
Abandono a velha cantiga
E esquecido do passado sigo a trilha
Desse encanto misterioso
Eu sou teu e você é minha,
E tendo a lua por testemunha,
Reacendo nossa chama,
Tudo o que nos cerca trama,
Vencido estou pela magia,
Queres alguma outra canção?
Toma meu coração
Ele já não me pertence
Grito e, quieto te chamo:
Elisa Eu te amo!

terça-feira, fevereiro 15, 2011

parole

eu te amo como um poço seco
como uma pomba atravessando uma floresta em chamas
amo como um surfista olhando o mar num dia sem ondas

eu te amo como a barata olhando o chinelo levantado

eu te amo como uma sombra sem dono

como uma mãe que reencontra o filho perdido no shopping

amo como um dia de sol no deserto

eu te amo como a fruta mais doce colhida no pé

eu te amo todo dia

e passo o tempo procurando palavras novas dentro de mim

pra te dizer que te amar é fácil

como nascer de novo

domingo, janeiro 09, 2011

Quem é teu
jardim secreto,
minha doce
alma triste?

Cercada de
medos e silêncio,
suspiras.

Revelas luzes
e aromas
inaudíveis.

Assustas
os pássaros azuis
da esperança.

Fazes do tempo,
o escravo
da estupidez.

E passas,
sem desperdiçar
meu olhar.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Quem me dera descobrir,
numa tarde amena,
que eu sou o pai de mim mesmo.

E que todas as possibilidades do caminho,
fui eu mesmo que inventei,
quando era capaz de uma inocência
sem fronteiras.

Quem dera eu poder te abraçar
e me diluir na paz desse amor.
Desfraldar a bandeira da ausência do ego
e mergulhar na tua candura mais secreta.

Eu bem que mereço ser feliz um dia,
mas tudo isso não pertence ao tempo.

Eu sei que estás protegida.
Eu quero cantar essa versão do meu nunca,

mas agora vou descansar,
sob a sombra das flores insuspeitas
e morrer outra vez:

aqui jaz um homem esquecido de si.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Com que fome,
com que sede,
eu te retribuo.

Desmarcando a hora,
embaralhando o acertado,
cuspindo fora a regra,
talhando o leite...

Eu não tô rindo,
nem acho engraçado.
Não sei explicar,
mas entendo.

O pescador
chama de cerco,
mas hoje
não tem tainha
pra você.

Eu já sabia que ia dar nisso,
mas não desse jeito.

Não conhecia uma mulher
tão parecida comigo.
E continuo sem conhecer.

Nilo
A Morte do Herói de Dentro

Mas agora quem habita
essa conduta vã,
não mais acredita
nos princípios.

Como naus
que voejam pelas causas
outrora certeiras.


Não há mais maneiras,
somente o caminhar.


Precipícios, desejos, beiras,
estar poeticamente no mundo,
imperceptível claudicar,
furúnculo na crosta de tudo.

Expressão dessa desesperança
que já não sabe ser má, nem boa.
Terra infértil que se desboroa.

Velha cantiga que pensei tatuada,
agora borrada e sumindo,
com a chuva que cai,
na pele dos meus sonhos mortos.